Tecnologia e Internet

O que é a deep web?

Conjunto de conteúdos não acessíveis diretamente nos sites de busca: isto é a deep web.

Google, UOL, Bing, Yahoo, o antigo Altavista, os brasileiros Buscaki e Aonde e muitos mais. Sempre que é necessário fazer uma pesquisa na internet, todos os internautas procurar seus sites de busca preferidos. Mas nem todos os documentos, vídeos e fotos da rede mundial (world wide web, o famoso www dos endereços virtuais) ficam disponíveis imediatamente. Para acessá-los, é preciso recorrer à deep web (“rede profunda”, em tradução literal; se estivéssemos em uma cena de “Guerra nas Estrelas”, esta parte da rede seria o lado negro da força). A deep web recebe também os nomes de web oculta, deepnet, undernet e web invisível.

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São conteúdos hospedados em sites que exigem login e senha. A ideia dos criadores é legítima: com este recurso, é possível manter alguns arquivos acessíveis apenas algumas pessoas, como a família ou o pessoal de uma empresa.

O problema começa quando esta enorme área digital é utilizada para atividades ilegais: a deep web está repleta de páginas cheias de vícios e crimes. De acordo com a BrightPlanet (empresa de informática americana) o espaço underground da internet pode ser 500 vezes maior do que a web convencional. Em 2001, acreditava-se que a deep web ocupava 7.500 terabytes de informação; em 2008, estudos indicaram que a rede oculta ocupa de 70% a 75% do espaço total da web.

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A classificação

Os sites da deep web são os seguintes:

· nas páginas de conteúdo dinâmico, são geradas respostas para questionários eletrônicos preenchidos por internauta;

· nas de conteúdo isolado, o acesso não é possível através de rastreadores web, programas que navegam pela rede de maneira automatizada e metódica. Estas páginas não possuem links de entrada;

· na web privada, utilizada por empresas e organizações governamentais, os conteúdos são protegidos por senha;

· na web contextual, o acesso varia de acordo com o usuário: os sites identificam o IP do computador que está tentando entrar e permitem ou interditam a navegação;

· os sites de acesso limitado utilizam recursos técnicos para permitir a leitura de seus conteúdos. Por exemplo, podem ser usados CAPTCHAS, testes de desafios que são utilizados como ferramentas contra SPAM (e-mails não solicitados pelo usuário);

· os sites de conteúdo de scripts só podem ser acessados através de links gerados pela linguagem de programação Java Script;

· nas páginas de conteúdo não HTML/texto, o material postado é codificado em arquivos multimídia ou salvo em arquivos não identificáveis pelos buscadores;

· informações acessadas pelo Gopher, antigo protocolo de sistemas de computadores (usado nos anos 1990 principalmente em redes internas de empresas) não aparecem nos sites de busca. O Google, por exemplo, reconhece e indexa apenas as páginas dos protocolos HTTP (hypertext transfer protocol) e HTTPS (o HTTP safe ou seguro, usado por instituições bancárias para o netbanking).

Onde estão eles?

Os endereços da deep web são uma sequência de letras e números finalizada com sufixos diferentes aos dos sites convencionais, como “.com” ou “.org”. A função original é proteger dados confidenciais de governos, forças armadas, universidades, etc.

A deep web pode estar simplesmente hospedada em sites comuns, geralmente na forma de arquivos para download, ou bem escondida dos buscadores virtuais. Ela funciona mais ou menos como os barcos em um oceano: sites tradicionais procuram as informações apenas à tona d’água (a chamada surface web, que é indexada pelos mecanismos padrão de buscas), sem descer às profundezas das águas, onde estão os sites ilícitos.

Um usuário frequente da deep web é o cracker (um hacker com intenções criminosas), interessado em capturar senhas, por exemplo.

Nestes sites, não existem filtros de segurança e os crackers podem facilmente quebrar a criptografia de um documento protegido ou alterar a programação de um software, fazendo-o funcionar de forma incorreta.

Outra “graça” destes internautas é espalhar vírus, trojans, worms e outras pragas digitais que afetam o desempenho dos computadores. Tudo isto a distância – e vale para qualquer lugar do mundo. Na melhor das hipóteses, eles apenas alteram prazos de validade, para continuar usando programas pagos que oferecem um período de testes para os usuários.

Outros usuários conectam a deep web para encontrar e-books ou estudos acadêmicos não publicados na surface ou entrar em fóruns de discussão com acesso limitado. O perigo, nestes casos, é deparar-se com um post inadequado (ou nojento e agressivo; há inclusive fóruns sobre canibalismo) ou acessar um redirecionador e entrar em um site bem diferente da pesquisa original. Seja como for, a navegação pela deep web pode levar a arquivos sigilosos da Polícia Federal, por exemplo, com todas as implicações legais para os internautas incautos que entrarem em sites restritos.

A banda podre, onde se concentram os crimes, tem até nome próprio: dark web (“rede escura”). Nesta zona, é possível encontrar de tudo: pedofilia e sexo bizarro (bonecas humanas, sadomasoquismo, fist fucking, zoofilia, chuva marrom, branca e amarela, e por aí vai) são abundantes.

Na deep web, é possível estabelecer conexões com grupos neonazistas, terroristas, extremistas e de promoção da intolerância e racismo, contratar assassinos de aluguel e navegar por lojas virtuais de drogas e armas (inclusive de uso restrito das forças armadas). Existem até páginas que oferecem torturas sob encomenda.

Quem tem o gosto bizarro por assistir a homicídios reais pode encontrar os vídeos snuffs. O criminoso filma a morte, geralmente com requintes de brutalidade e violência. Um dos vídeos disponíveis é “Three Guys and a Hammer” (três rapazes e um martelo). Não é necessário explicar o roteiro, mas a vítima é um senhor de idade. Outras crueldades facilmente encontradas são os experimentos “científicos” com seres humanos, que envolvem mutilações, extirpações de órgãos, etc.

Não existe possibilidade de retirar estes sites do ar, justamente porque são clandestinos, sem controle pelos governos ou pela inteligência policial. Não há registros, nem responsáveis pelas páginas: é como se elas não existissem.

Há até “dinheiro” oficial para as transações nestes sites: o bitcoin, uma moeda eletrônica que pode ser transferida a partir de qualquer computador e é independente da intermediação de qualquer autoridade financeira. O bitcoin funciona no sistema peer to peer (passo a passo), onde cada computador conectado funciona como servidor e cliente (desde que haja programas compatíveis instalados em cada uma das máquinas da rede), permitindo o compartilhamento de dados e serviços digitais sem a necessidade de um servidor central.

A deep web pode ser acessada através de programas de anonimato na navegação digital, como o TOR: com ele, não há censura nem violações de privacidade.

No Brasil

Pela primeira no país (outras operações já haviam sido organizada nos EUA e na Inglaterra), a Polícia Federal conseguiu prender criminosos virtuais que agem na deep web. Em outubro de 2014, a PF prendeu suspeitos de armazenar e compartilhar material pornográfico com imagens de pedofilia fora do alcance dos sites de busca e também de abusar de crianças.

Das 51 pessoas detidas, 45 suspeitos foram detidos em flagrante. Um dos bandidos foi flagrado dormindo com uma criança, no Rio Grande do Sul; outro confessou que pretendia abusar da própria filha, em Minas Gerais. De acordo com os agentes, entre os suspeitos, figuram profissionais liberais, servidores públicos, técnicos em informática, estudantes e até um seminarista.

A ação policial foi deflagrada em 18 Estados e no Distrito Federal. Ela faz parte de uma megaoperação de combate à exploração sexual infantil, batizada de Darknet. Um fato que chocou bastante os policiais foi uma confissão terrível: um detido, que estava com a mulher grávida, já fazia planos de abusar do filho ainda nem nascido.

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