Saúde e Bem Estar

O que é a síndrome de Asperger?

Transtorno do espectro autista, a síndrome de Asperger se diferencia pelos sinais mais atenuados.

O diagnóstico da síndrome de Asperger (ou transtorno do desenvolvimento pervasivo – ou disperso) é incerto. Foi identificado nos anos 1940 pelo médico Hans Asperger (cujos estudos só foram reconhecidos 50 anos depois), que classificou o distúrbio como psicopatia autista. O fator mais provável para o desenvolvimento da síndrome são anomalias no cérebro.

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A condição foi descrita pela primeira vez em 1981 e caracteriza-se pela dificuldade de inter-relacionamento e de processar e interpretar emoções (o que leva os interlocutores a avaliar que o indivíduo é frio, não consegue demonstrar empatia), interpretação literal da linguagem (um Asperger pode ir à janela para verificar se realmente está “chovendo canivetes”), medo de mudanças na rotina e de pessoas desconhecidas (ou não vistas por muito tempo) e comportamentos estereotipados.

Apesar disto, os portadores da síndrome de Asperger são dotados de desenvolvimento cognitivo normal ou alto (quase sempre acima da média da população). É uma forma mais leve de autismo e, portanto, uma anomalia genética (a hereditariedade é reconhecida, já que pais Aspergers tendem a transmitir a condição para seus filhos), mas ainda não foi encontrado um gene específico responsável pela síndrome.

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O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês) removeu a síndrome em sua quinta edição, mas a Classificação Internacional de Doenças (CID) mantém a condição como doença específica. A CID é usada em todo o mundo; no Brasil, por exemplo, é a referência do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) para a concessão de licenças médicas e aposentadorias por invalidez.

A principal diferença entre a síndrome de Asperger e o autismo clássico é que seus portadores não apresentam atrasos na fala nem problemas cognitivos (mas podem apresentar problemas motores, como dificuldades para andar de bicicleta ou executar movimentos seriados, como correr e quicar uma bola). A anomalia é mais comum entre os meninos, ao contrário do autismo, que afeta igualmente pessoas de ambos os sexos. A autonomia e capacidade de cuidar de si próprios é uma característica dos Aspergers.

O DSM é bastante criticado no meio científico, especialmente em função de a maioria de autores manter (ou ter mantido) relações profissionais com a indústria farmacêutica, fato que questionaria sua capacidade de julgamento e isenção. Outros estudiosos criticam os critérios adotados, como considerar os fetiches sexuais como diagnóstico médico (contrariando, inclusive, a Organização Mundial da Saúde).

Os critérios para o diagnóstico

Há controvérsias se a síndrome de Asperger é uma condição distinta ou se é equivalente ao autismo de alta funcionalidade e mesmo a transtornos de personalidade esquizoide. Não há exames clínicos específicos para identificar a condição e o diagnóstico, especialmente em adultos, é muito difícil, porque os pacientes aprendem condutas para mascarar a doença.

Muitas crianças são tardiamente diagnosticadas. Em alguns casos, por demonstrarem desinteresse por atividades comuns na infância, podem receber o diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e, com sito, receberem tratamento inadequado. Nos adultos, muitos Aspergers são avaliados como portadores de TOC (transtorno obsessivo compulsivo).

Um estudo comparativo entre os principais manuais de diagnóstico (DSM – na quarta versão –, CID, Szaltman, etc.) concluiu que os critérios utilizados para caracterizar a síndrome de Asperger coincidiam em apenas 39%; as demais condições diferiam de manual para manual. Em comum, todos concordam que é preciso entrevistar o paciente e a família, para identificar os sintomas.

Em geral, psiquiatras definem condições para o diagnóstico da síndrome de Asperger: prejuízo grave nas interações sociais, falta de resposta quando o nome é pronunciado, falta de uso das mãos para apontar ou mostrar um objeto ou situação, desenvolvimento de padrões restritos de comportamentos e interesses, sempre repetitivos (como tiques nervosos), prejuízo nas atividades sociais e profissionais (de acordo com critérios científicos) e exclusão da possibilidade de transtornos invasivos, como a esquizofrenia. Os sintomas surgem nos primeiros meses de vida e tornam-se evidentes até os três anos de idade.

Normalmente, é preciso recorrer a uma equipe multidisciplinar para caracterizar o diagnóstico: fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, neurologistas e psiquiatras podem definir melhor o quadro e definir os métodos de tratamento (ou acompanhamento) mais viáveis.

Ao contrário de um autista clássico, crianças Aspergers bem estimuladas podem oferecer descrições detalhadas de seu objeto de interesse (um brinquedo ou o desmonte de um aparelho eletrônico, por exemplo). Indagados sobre outras questões, no entanto, mesmo que sejam relacionadas ao assunto principal, apresentam respostas lacônicas ou simplesmente deixam de interagir.

Em alguns casos, os pacientes podem mostrar obsessão por alguns temas, como horários de ônibus e aviões ou manuais de instrução sobre o funcionamento de um eletrodoméstico. Seja como for, um Asperger nunca interrompe uma descrição: é como se estivesse executando um ritual religioso.

Os Aspergers também não apresentam déficits de aprendizado, de evolução na conquista da linguagem e outras habilidades comuns na infância (inclusive a curiosidade comum às crianças), interagem com tranquilidade com pessoas próximas e só despertam os cuidados dos pais no inter-relacionamento pessoal; por exemplo, são incapazes de travar novos conhecimentos em um parque.

O tratamento depende dos sintomas: pode incluir terapia comportamental cognitiva, para ajudar o paciente e a lidar com suas emoções, tratamento parental, terapia ocupacional, quando a síndrome prejudica o desenvolvimento motor e terapia de habilidades sociais, frequentemente empregada em grupo. Com acompanhamento médico, os Aspergers conseguem levar uma vida normal.

A síndrome de Asperger é um dos cinco transtornos do autismo, condição genética caracterizada pela dificuldade de comunicação e padrões repetitivos (e restritivos) de comportamento. As outras anomalias são o autismo propriamente dito, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância e transtorno invasivo não especificado do desenvolvimento.

Aspergers famosos

Pesquisadores identificaram traços da síndrome de Asperger na biografia de alguns grandes gênios. Entre eles, o pintor Michelangelo Buonarrotti, os físicos Isaac Newton e Albert Einstein, o filósofo Ludwig Wittgenstein, o biólogo Charles Darwin, os cineastas Andy Wahrol (também artista plástica), Stanley Kubrick e Tim Burton e o empresário e nerd Steve Jobs (da Apple).

O prêmio Nobel de Economia de 2002, Vernon Smith, recebeu o diagnóstico e especula-se que Lionel Messi, um dos maiores jogadores de futebol do mundo (atualmente defendendo o Barcelona e a seleção da Argentina) seja portador da síndrome de Asperger, apesar das negativas de seu médico pessoal. O craque deveria parte de seu talento à capacidade de se isolar em campo e manter a concentração, sem observar a reação de outros atletas e das torcidas, um “efeito colateral” da anomalia.

O interesse específico por determinada área da ciência ou arte aparentemente é o responsável por criar gênios em suas as áreas de atuação. Ao contrario das pessoas comuns, que dividem sua atenção em diversas atividades, os Aspergers dedicam a vida a um só tema.

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