O que é analfabetismo funcional?

Por: Amaury de Almeida Costa

No Brasil, milhares de estudantes, inclusive universitários, não conseguem interpretar um texto: são os analfabetos funcionais.

O analfabetismo no Brasil vem caindo nas últimas décadas, especialmente após a edição do Plano Real, em 1994, que proporcionou estabilidade financeira e crescimento social e econômico. Em 2009, 9,7% dos brasileiros eram analfabetos; em 2011, o percentual caiu para 8,6% (este número fica abaixo de 5% nas regiões Sul e Sudeste, enquanto atinge 17% na região Nordeste). No entanto, este número esconde outra realidade: o analfabetismo funcional.

Especialistas em educação classificam três níveis de alfabetização: o primeiro, conhecido como alfabetização rudimentar, abrange aqueles que conseguem ler títulos, letreiros e frases curtas e, apesar de saberem contar, têm dificuldade com números grandes (centenas e milhares), além de apresentar dificuldades na divisão e multiplicação.

O que é analfabetismo funcional?

No nível 2 estão os que conseguem ler textos simples, mas só obtêm informações esparsas, sem conseguir determinar uma conclusão integral sobre o material lido. Conseguem realizar as operações aritméticas, mas têm dificuldades em problemas complexos, que envolvem várias contas. A dificuldade também está relacionada à incapacidade de interpretar o enunciado do problema proposto. É a chamada alfabetização básica.

No nível 3, estão os que têm pleno domínio da leitura, escrita, interpretação e cálculos aritméticos. É a alfabetização plena.

De acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), 960 milhões de adultos, em todo o mundo, são analfabetos; um terço da população mundial não tem acesso ao conhecimento impressos e a novas tecnologias que poderiam melhorar sua qualidade de vida e sua capacidade para adaptar-se às inovações e transformações sociais e culturais.

Outros cem milhões de crianças não completam a educação fundamental, o que, em alguns países, como Polônia e Canadá, é determinante para classificar esta população como analfabetos funcionais. Formalmente, só podem ser classificados como alfabetizados os que estudaram ao menos oito anos.

No Brasil, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 68% da população está classificada nos dois primeiros níveis: 30% estão no nível rudimentar e 38%, no básico (dados de 2005).

Em 2012, o Instituto Paulo Montenegro (vinculado ao IBOPE, especializado em pesquisas sobre educação) e a ONG Ação Educativa (que visa promover os direitos educacionais e culturais dos jovens) realizaram um estudo, conhecido como Indicador do Analfabetismo Funcional, que revelou um fato surpreendente: 38% dos estudantes universitários não conseguem entender o conteúdo de textos médios e complexos, o que ajuda a explicar a baixa qualidade da educação de nível superior.

Na Suécia, por exemplo, este percentual não atinge 10%.

O Brasil optou pela universalização do acesso à escolarização nos anos 1990, mas Estados e prefeituras (responsáveis pelos níveis básico, fundamental e médio da educação) não implementaram políticas de melhoria do ensino. A ampliação da carga horária, por exemplo, sem a necessária qualificação de professores e monitores, de nada adianta. Passar quatro, seis ou oito horas na escola não significa aprendizado.

Muitas secretarias de educação implantaram também a progressão continuada (também chamada aprovação automática). Neste sistema, o nível fundamental é dividido em três ciclos, no curso dos quais não há reprovação ou retenção na série. Efetivamente, existe uma idade ideal para a aquisição de determinados conhecimentos, mas a progressão é a última das providências a serem tomadas, sob pena de transformar a educação em uma mera providência burocrática, sem eficácia no ensino-aprendizado.

A leitura deve ser estimulada por pais e professores; de início, devem ser lidas histórias à noite, no momento de ir dormir; uma vez alfabetizadas, devem ser oferecidos histórias em quadrinhos e livros bem ilustrados, com pouco texto. As próprias imagens estimulam a interpretação que é feita pelas crianças. O nível de dificuldade vai progressivamente sendo ampliado. É uma atividade lúdica, que desperta o interesse pela leitura, hábito que será cultivado por toda a vida.

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