Curiosidades

O que é biocentrismo?

De acordo com o biocentrismo, todas as formas de vida são igualmente importantes. Saiba mais sobre a doutrina.

O biocentrismo (“centro da vida”, derivado do grego) surgiu em oposição ao antropocentrismo, que destaca o homem dos demais seres vivos. A doutrina se baseia na existência da vida depois da desagregação do corpo físico e emprega conceitos da física quântica, que de acordo com o médico americano Robert Lanza, fundador do biocentrismo, endossa a tese da vida pós-morte.

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Esta teoria rejeita a hipótese de que o homem seja o centro do universo, o antropocentrismo, simbolizado pelo Homem Vitruviano desenhado pelo artista italiano Leonardo da Vinci. Esta corrente de pensamento defende que as vontades do homem regem o universo, destronando a condução do universo por uma divindade especial.

Lanza, antes de divulgar o biocentrismo, foi diretor científico da Advanced Cell Technology Company, participou de diversas pesquisas sobre o behaviorismo (ramo da psicologia que estuda o comportamento humano) e também sobre células-tronco (especificamente para curar a cegueira e para clonar animais que sofrem risco de serem extintos). O cientista já foi eleito um dos três pesquisadores vivos mais importantes do mundo pela revista “New York Times”.

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Em 2007, o médico propôs o conceito de biocentrismo na revista “The American Scholar”. Dois anos depois, Robert Lanza lançou o livro “Biocentrismo: Como a Vida e a Consciência São a Chave para Compreendermos a Verdadeira Natureza do Universo”, ainda sem tradução para o português.

Vida depois da morte

Para o biocentrismo, o universo deriva da consciência e, sem ela, não poderia existir. A base da teoria é o experimento da dupla fenda, em que o elétron é definido como partícula, mas também como muitas ondas de possibilidades. Não é possível determinar a posição de um elétron: este é o princípio da incerteza, definido por Albert Einstein.

Para Lanza, além da dupla fenda, pode existir a consciência em outros mundos, já que certamente existe um número infindável de universos paralelos ao nosso. A morte, de acordo com o biocentrismo, é apenas uma ilusão, baseada na linearidade com que estamos acostumados: começo, meio e fim. Na verdade, esta linearidade é apenas uma ferramenta empregada para a compreensão do universo.

O princípio antrópico cosmológico é uma consideração filosófica. Afirma que todas as afirmações do universo físico precisam ser compatíveis com a vida compatível que as realiza. A Terra é muito compatível com a vida e, desta forma, deve ter sido criada em algum momento.

As leis fundamentais do universo são extremamente perfeitas. Se este fato não fosse verdadeiro, o universo não teria se formado, não teria persistido ou não teria criado condições para o surgimento da vida. A maior parte da comunidade científica, no entanto, abre várias contestações sobre o assunto.

Sem tempo, nem espaço

A proposta do biocentrismo é que não existe um universo pronto e acabado, regido pelas leis físicas clássicas. Tudo o que existe é modelado pelas nossas mentes, mesmo que de forma inconsciente. Para estes teóricos, a ideia de um universo exterior previamente determinado está chegando ao fim. Não somos visitantes ocasionais da Terra, mas os agentes geradores e transformadores do planeta.

Para o biocentrismo, a física quântica comprova a existência de vida após a morte. Robert Lanza, em suas pesquisas científicas, se envolveu com física, astrofísica e mecânica quântica, que o levou a acreditar firmemente que a vida e a consciência são fundamentais para a existência do universo. Em outras palavras, a consciência cria o universo, e não o contrário.

O biocentrismo prega que as leis, forças e variações constantes do universo parecem ter sido afinadas para o surgimento e manutenção da vida. Isto comprovaria a existência de uma inteligência anterior à formação do universo.

Para a doutrina, tempo e espaço não são objetos, nem têm existência real. São apenas ferramentas para que possamos entender o universo em nosso atual estágio de desenvolvimento animal. Para Robert Lanza, tempo e espaço são como a carapaça de uma tartaruga: quando ela deixa a sua proteção natural, as ferramentas continuam existindo, ainda que apenas subjetivamente.

O biocentrismo assegura que a morte não existe. Ela subsiste apenas como um pensamento, porque nós nos identificamos com o corpo físico. A morte é um fato concreto e, por isto, muitos acreditam que o pensamento vai desaparecer com ela: se o corpo gera a consciência, ela desaparece com a desagregação do nosso organismo.

Na verdade, porém, a consciência continua se manifestando fora do tempo e do espaço, além da morte. O biocentrismo pode abrir as portas da ciência para a teoria da reencarnação. A inteligência, sendo anterior ao universo, também o suplantaria em um eventual cataclisma, forjas novas formas para a manifestação da vida física.

Robert Lanza endossa a teoria do multiverso (ou multiuniverso, desenvolvida na década de 1950 pelo pesquisador Hugh Everett, da Universidade de Princeton, EUA), a existência paralela e concomitante de diversos mundos. Os cientistas já sabem que o nosso universo está se expandindo continuamente e, em dado momento, os átomos e moléculas que formam tudo, das estrelas aos microrganismos, perderão a coesão. Neste caso, a consciência migraria para outras formas de expressão e continuaria se desenvolvendo.

Biocentrismo e religião

O biocentrismo, no entanto, não desenvolve hipóteses sobre o que ocorre com a vida depois da morte, nem especula sobre a existência de uma divindade criadora superior a tudo e a todos. As experiência de quase morte, no entanto, sugerem que a alma se afasta do corpo quando a informação quântica que habita o sistema nervoso se dissipa parcialmente no universo.

A consciência reside em microtúbulos das células cerebrais, que são os processadores quânticos de qualquer forma de vida. Nossa experiência de consciência resulta dos efeitos da gravidade quântica nestes túbulos, teoria batizada de redução objetiva orquestrada.

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