Curiosidades

O que é bruxaria?

Culto à Grande Mãe e às forças da natureza: esta é a melhor definição de bruxaria.

Diversos povos antigos desenvolveram ritos e cultos à entidade original, geradora de tudo e de todos. Muito cedo, o homem aprendeu a temer aquilo que não podia controlar: o fogo, a água, os ventos, fatores que podem ser benéficos ou não, de acordo com a forma como se apresentam: o fogo pode aquecer ou queimar; o rio pode fornecer água para abastecer as casas e as plantações ou transbordar e inundar aldeias; ventos podem refrescar ou destruir. A terra é estável, fornece alimento e espaço para construção de abrigos. Foi na terra que nossos ancestrais encontraram a divindade primordial, a Grande Mãe, cultuada pela bruxaria.

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A terra é feminina porque acolhe e protege. A Grande Mãe, ou simplesmente a Deusa, surgiu como o elemento natural a quem eram devidos os primeiros rituais e cultos.

A própria Igreja Católica, religião monoteísta, teve de valorizar o culto a uma figura feminina, Maria, Nossa Senhora, uma espécie de mediadora entre Deus e os homens, para se firmar na Europa e substituir as muitas religiões celebradas no continente nos primeiros séculos da Era Cristã, várias delas identificadas com práticas da bruxaria, especialmente entre germanos, celtas e vikings.

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A bruxaria acredita que a energia flui dos diversos elementos da natureza e separa dois princípios: o feminino, associado à Lua, à intuição e à fertilidade (tanto da terra quando dos animais e homens), e o masculino, associado ao Sol, à força e à virilidade.

Alguns historiadores entendem que a bruxaria é a religião natural, surgida ainda na Pré-História, quando era necessário respeitar os trovões, raios, correntezas, nevascas. Seja como for, ela se desenvolveu e criou cerimônias para agradar e reverenciar estas forças ao menos desde o século IV, conforme registros de cronistas romanos em suas incursões pelas colônias ao norte europeu.

De acordo com o senso comum, a bruxaria é um conjunto de ritos sobrenaturais para obter benefícios pessoais, como a cura de doenças, a prosperidade e o conhecimento de eventos futuros. Isto, no entanto, não define nada: uma prece católica também invoca a cura e o crente espera benefícios pessoais; um fiel pentecostal apega-se à “palavra de Deus” e espera a tranquilidade material e a própria Bíblia está repleta de profecias. O último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, é uma previsão sobre o fim dos tempos. E todas estas crenças se baseiam no sobrenatural, ou seja, não podem ser comprovadas por dados empíricos, cientificamente verificáveis.

Baseiam-se na fé e na esperança.

A bruxaria de fundamenta em dois pontos: a comunhão com a natureza (entendida como tudo o que não é feito pelo homem) e, portanto, um profundo respeito pelos animais, vegetais e minerais, entendidos como colegas de caminhada em direção a um plano superior; e o respeito ao livre arbítrio, especialmente na questão religiosa. Nenhum bruxo procura doutrinar quem tem uma fé estabelecida.

Aliás, a tentativa de levar qualquer tipo de fé deriva da doutrina do salvacionismo, baseada em uma passagem do Evangelho segundo Mateus: “Quem perseverar até o fim será salvo. Este evangelho será pregado no mundo inteiro e então virá o fim”. Os cristãos acreditam que só a sua fé permite a salvação e, por isto, tentam levar a mensagem de Jesus para todos. Este fato, no entanto, pode gerar caridade ou intolerância, dependendo do enfoque dos missionários e catequistas.

Para a bruxaria, cada ser tem seus próprios desafios, que pode enfrentar com o auxílio das forças naturais ou adiar para futuras reencarnações. Quem se nega a enfrentar estes desafios está apenas adiando problemas para futuras experiências, em que haverá um acúmulo de questões a tratar. Portanto, o ideal é o autoconhecimento, para identificar e satisfazer as atuais necessidades e capacitar-se para novas tarefas.

Não há bruxaria boa ou má: os bruxos não pautam suas ações pela dualidade “bem e mal”, característica das religiões mosaicas, que desenvolveram a figura do Diabo como fonte de todos os malefícios. Não existem bruxos negros e brancos: se houvesse uma tonalidade, seria cinza, a mescla entre a luz que emana da divindade e a escuridão da ignorância e do preconceito.

A bruxaria moderna é um sinônimo de Wicca, que surgiu com Gerald Gardner, inglês iniciado nas práticas em 1939. Ele publicou os livros “O Significado da Bruxaria” e “Bruxaria Hoje”, onde relata suas práticas. Ele é considerado o fundador do neopaganismo.

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