Ciência e Matemática

O que é Cabala?

A palavra significa “aquilo que é recebido”. A Cabala é uma ciência oculta associada ao Judaísmo.

Existe uma polêmica sobre a pronúncia correta do termo. Muitos estudiosos defendem que a doutrina filosófica é “Cabalá”, já que a palavra Cabala tem significados bem distantes de uma ciência oculta: trama, intriga e conspiração.

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A Cabala é um método esotérico relacionado ao que não pode ser alcançado pela pesquisa científica ou intelectual. Trata-se de um conjunto de ensinamentos acerca de Deus, do homem, do universo, da vida e da morte. De acordo com a tradição, esta mística dos judeus se baseia na revelação divina a Adão e a Moisés, dois dos principais personagens do Antigo Testamento.

A Cabala tenta decifrar os textos contidos na Torá – os cinco primeiros livros da Bíblia (Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), atribuídos a Moisés – que contêm relatos sobre a criação do mundo, a origem da humanidade, o pacto de Deus com Abraão e seus filhos, o cativeiro egípcio, a libertação e a conquista da Terra Prometida. A palavra “Torá” significa instrução ou lei.

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Filosofia de vida

A Cabala é também uma forma de encarar a existência, o famoso “de onde viemos”, “o que estamos fazendo” e “para onde vamos”. As primeiras manifestações surgiram no início da Era Cristã, mas o movimento místico se desenvolveu principalmente a partir do século XI.

Esta filosofia foi transcrita em livros secretos, como o “Zohar” (esplendor, em hebraico), um dos trabalhos mais importantes do misticismo judaico. Trata-se de um conjunto de comentários sobre o Pentateuco mosaico (é a expressão empregada pelos cristãos para nomear estes livros).

O livro reúne também varias considerações sobre a natureza divina, a origem e estrutura do universo, a natureza das almas, pecados, redenção, o bem e o mal e outros temas.

O livro – na verdade, um grupo de livros – provavelmente foi redigido no século XIII, na Espanha, pelo rabino Moisés de León, que atribuiu o trabalho ao rabino do século II, Simão bar Yochai, que teria permanecido, com seu filho, mais de dez anos escondido em uma caverna, para escapar à perseguição romana.

Neste período, ele teria recebido o “Zohar”, por inspiração divina. Estudiosos da Cabala, no entanto, atribuem a autoria dos livros a León, em função da estrutura sintática dos textos e também fatos ocorridos muito tempo depois da provável existência de Yochai.

A árvore da vida

É um sistema cabalístico hierárquico com o formato de uma árvore, fundamental para o entendimento da Cabala, dividido em dez partes (os dez frutos). O gráfico pode ser entendido como o universo ou como estados da consciência humana; no sentido macroscópico, a árvore da vida é lida de cima para baixo; no sentido microscópico, a leitura segue sentido contrário.

Para entender o universo, é necessário iniciar a leitura em “Kether” (coroa), que significa a centelha divina, causa primária da vida. Conforme os frutos vão sendo interpretados, a essência se torna cada vez mais densa.

No sentido humano, a interpretação começa com “Malkuth” (a matéria densa, ou último estado das coisas). Ao se elevar até a coroa, o homem avança no processo evolutivo, até se avizinhar de “Kether”, que simboliza a consciência cósmica.

A árvore da vida é dividida em quatro planos. Em Atziluth (mundo das emanações), Deus age diretamente; em Beriah (mundo das criações), a ação divina recebe a mediação dos anjos; o mesmo ocorre em Yetzirah (mundo das formações), orientado por coros angélicos; Asiyah (mundo das ações) e o palco de desenvolvimento da humanidade.

O esquema cabalístico é dividido também em três eixos. O da esquerda é o pilar feminino, ou da severidade; o da direita é o masculino, ou da misericórdia; o pilar central representa o equilíbrio. De acordo com a Cabala, a feminilidade é uma força repressora (o útero reprime o feto durante a gravidez, até que o bebê venha à luz).

As sephiroth

São os frutos da árvore da vida. A sequência das sephiroth, que surge através da emanação do relâmpago brilhante, um dos símbolos da divindade, é a seguinte:

• “Kether”, localizada na região central superior da árvore. É o potencial das emanações ocorridas em outras dimensões. Todas as manifestações das demais sephiroth dependem do brilho da coroa. “Kether” não conhece limites de tempo, nem de espaço;

• Chokmah é a sabedoria, situada no topo do pilar da misericórdia, descrito como “Abba”, o grande pai. Chokmah é energia pura, ainda não materializada no plano terrestre, de caráter masculino, que pode se expandir infinitamente. A sabedoria é representada pelo lado direito do cérebro, associado à intuição e à criação artística;

• Binah ocupa o topo do pilar da severidade (conhecido também como Amma, a grande mãe) e está relacionado ao entendimento. Binah foi a primeira manifestação da forma, a materialização da energia: é a lógica que define a inspiração e o movimento, traduzindo-os em questões práticas. É o lado esquerdo do cérebro, responsável pela razão e pela concretização do pensamento;

• Chesed se localiza logo abaixo de Chokmah, representa a misericórdia e o desejo de partilha, originalmente comum a todos os seres humanos. A vontade de doar incondicionalmente, generosidade, ausência de preconceitos e compaixão são atributos de Chesed;

• Geburah, o julgamento, fica abaixo de Binah, no centro do pilar da severidade. Simboliza a repressão dos atos instintivos e a contenção dos sentimentos. Geburah é uma forma de canalizar as energias, visando à superação de desafios e obstáculos. Geburah, também representada por um rei comandando exércitos, representa a capacidade destrutiva da força e a visão do poder;

• Tipareth, no eixo central, fica abaixo de Chesed e Geburah. Esta sephirah transforma Kether, Binah e Chokmah em beleza, criando sabedoria e entendimento;

• Netzach é a vitória. Está localizada na base do eixo da misericórdia e está oposta a Hod. Esta sephirah representa os sentimentos, artes e também é conhecida como a esfera das ilusões ou mundo dos sentimentos. O coro angélico de Netzach é “elohim”, os deuses, anjos criados pela divindade máxima para interferir na matéria;

• Hod é a glória ou esplendor, localizado abaixo de Geburah. Este fruto representa o pensamento concreto. A sua imagem é um anjo segurando uma balança. Hod se opõe a Netzach por simbolizar a intelectualidade em bases concretas, distante dos desejos;

• Yesod (o fundamento) é o símbolo do plano astral. É uma espécie de reservatório que recolhe todas as manifestações do inconsciente e da inteligência de homens e anjos. Ela fica no pilar central (do equilíbrio). Quem penetra nesta esfera inicia o período de consciência astral, com percepções além das conhecidas pelo homem comum;

• Malkuth, o reino, fica na parte central inferior da árvore da vida. Representa o mundo físico, resultante das emanações das demais sephiroth. Neste fruto estão encerrados os desejos de ascender, recebendo as emanações dos frutos superiores;

• Daath é o conhecimento, abaixo de Chokmah e Binah. Trata-se de uma falsa sephirah, já que ela não tem emanações próprias, sendo dependente dos demais frutos. Por outro lado, todas as sephiroth estão reunidas em Daath, que nem sempre é representada na árvore da vida.

Em resumo

As perguntas que mais impressionam a humanidade já foram respondidas pela autoridade máxima do universo: Deus. Elas significam a resposta divina para um grupo de sábios ao menos desde o século XIII e são transmitidas de geração em geração. Isto é a Cabala.

A tradição desta filosofia entende que Deus criou céus e terra, concebeu o homem “à sua imagem e semelhança”. Esta criatura habitou o paraíso terrestre por algum tempo e mantinha contato direto com a divindade. Neste período, a Cabala teria sido transmitida para a humanidade.

A Cabala não é uma religião, nem uma forma de bruxaria ou sociedade secreta. Não se trata de um sistema premonitório, interpretação de sonhos, hipnose, nem espiritismo. É um conhecimento estruturado para explicar a criação da vida e da consciência, um conhecimento espiritual que permite retomar o elo entre nós e a nossa origem.

Existem muitos pontos de contato entre a Cabala e o Sufismo (o misticismo islâmico) e o Gnosticismo (o misticismo cristão). Este raciocínio, no entanto, não vale apenas para as religiões abraâmicas, mas também para o Zoroastrismo persa, o Hinduísmo, Taoísmo e Budismo.

O misticismo significa a vontade de entrar em contato com uma realidade superior. Desta forma, todas as religiões apresentam um aspecto místico. As tradições místicas fornecem métodos específicos para o contato com a divindade – e a Cabala é uma destas tradições.

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