O que é daltonismo?

Por: Amaury de Almeida Costa

Também chamado de discromatopsia, o daltonismo se caracteriza pela dificuldade de perceber algumas ou todas as cores.

A maior parte dos portadores de daltonismo não consegue diferenciar o verde e o vermelho. A perturbação é genética, relacionada ao cromossomo X, mas pode manifestar-se a partir de alguns traumas nos órgãos visuais e lesões neurológicas. O distúrbio, que é recessivo, foi identificado no século XVII, é mais comum entre os homens e sua primeira descrição científica surgiu no século XIX, quando John Dalton, químico e físico inglês, após o estudo de diversas anomalias da visão.

O que é daltonismo?

Dalton descreveu a cegueira congênita para cores; o próprio cientista padecia deste mal. Nos homens, basta que seu único cromossomo X seja recessivo (o outro é o Y, transmitido pelo pai), para que ele seja daltônico. Entre as mulheres, é preciso que os dois cromossomos recessivos X (transmitidos pelo pai e a mãe), para que sejam daltônicas. Este fato explica a maior incidência de daltonismo entre pacientes do sexo masculino.

Tipos de daltonismo

Existem três tipos de daltonismo: monocromacias, dicromacias e tricromacia anômala. Na monocromacia, ou visão acromática, o indivíduo enxerga apenas em preto, branco e tons de cinza. Os motivos podem der a não formação dos cones, responsáveis pela captação das cores, ou pela formação de apenas um tipo de cone. Cachorros e pinguins são naturalmente monocromatas.

As dicromacias são as seguintes: protanopia, em que não há formação de cones vermelhos, o que impede a discriminação das cores no espectro vermelho/ laranja/ amarelo/ verde. Na deuteranopia, há ausência de cones verdes e as cores médias do espectro verde /amarelo/ vermelho. Na tritanotopia, os cones azuis estão ausentes, impedindo a identificação das cores entre o amarelo e o azul.

São três os tipos de tricromancias: a protanomalia, que resulta na impossibilidade de enxergar o vermelho e às vezes na confusão entre as cores de faixas mais longas, entre o vermelho e o preto. A deuteranomalia, a dificuldade é de enxergar a faixa central do espectro, impedindo que a pessoa veja o verde. Representa cerca de metade dos casos de daltonismo. A tritanomalia afeta a visualização das ondas mais curtas, prejudicando a visualização do espectro entre o amarelo e o azul. Neste último caso, a alteração ocorre no cromossomo 7, ao contrário de todos os demais, sempre associados ao cromossomo X.

O diagnóstico

Existem três métodos para identificar o daltonismo. O primeiro é o anomaloscópio de Nagel, em que o paciente tem o campo de visão dividido em duas partes. Numa delas, é projetada luz amarela, enquanto na outra são alternadas luzes verdes e vermelhas. O daltônico não consegue reconhecer as cores na parte de luzes alternadas.

As lãs de Holmgreen são um método bastante simples, em que os pacientes são convidados a separar – pela cor – diversos fios de lã, todos com o mesmo comprimento, outra tarefa impossível para os portadores de daltonismo.

No teste de Ishihara, um dos mais adotados em consultórios oftalmológicos, são apresentados cartões pontilhados com cores diferentes. A figura central representa uma letra ou número. O diagnóstico para crianças em idade pré-escolar utiliza cartões com figuras geométricas, como quadrado e redondo.

O tratamento

O daltonismo é uma condição genética, e não exatamente uma doença. No entanto, seus portadores podem ter dificuldades em desenvolver certas atividades, como, por exemplo, dirigir um carro: se são incapazes de distinguir o verde e o vermelho, certamente ficam em apuros ao se deparar com um semáforo, especialmente se o cruzamento estiver vazio.

O obstáculo é ainda maior nos sinais com apenas duas lâmpadas ou são posicionados na horizontal, ao contrário da posição tradicional, que permite aos daltônicos memorizarem a sequência: quando a lâmpada mais alta está acesa, é sinal de “pare”, etc.

Assistir TV ou navegar na internet também pode se tornar uma atividade desagradável. Textos e legendas podem ser invisíveis para eles, e os pop-ups podem atrapalhar a visualização. Uma empresa americana está desenvolvendo óculos com lentes seletivas para as ondas de luz. Muitos especialistas, no entanto, fazem restrições à técnica, afirmando que a melhor opção é permitir que o daltônico faça suas próprias adaptações ao mundo.

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