Saúde e Bem Estar

O que é distimia?

Também chamada de “doença do mau humor”, a distimia é uma forma de depressão.

Não existe nenhum ser humano que, mesmo sem motivos aparentes, certo dia não tenha acordado mal-humorado. Os pequenos nadas da vida podem se acumular e gerar um “dia de cão” para qualquer pessoa. Isto é normal e saudável, já que as contrariedades do cotidiano não podem gerar alegria e satisfação em ninguém que seja minimamente ajustado. Quem sofre de distimia, no entanto, vive permanentemente ansioso, irritado.

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Para um distímico, não existem aspectos positivos em nenhuma ocasião. Quando é convidado para uma festa, só consegue pensar “naqueles colegas chatos que estarão lá”. Depois de uma sessão de cinema, começa a reclamar do roteiro, dos atores, do sistema de som da sala, da pipoca fria. Um livro é abandonado logo após a leitura das primeiras páginas, queixam-se de que o tema é batido, o autor não escreve corretamente, a tradução é péssima. E, assim, a vida continua.

Os prejuízos da distimia

A distimia é um transtorno mental, um subtipo da depressão, presente em 3% a 5% da população (afeta igualmente homens e mulheres). Mesmo assim, é muito difícil conviver com pessoas que exibem estas condutas. Amigos e parentes começam a se afastar, colegas de trabalho nem mesmo pensam se aproximar. Afinal, da mesma forma como ocorre com pessoas sempre tristes, o comportamento irritadiço e a personalidade complicada são fatores naturais de isolamento.

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Com isto, o portador tem a qualidade de vida prejudicada: não consegue estabelecer relacionamentos duradouros, tem dificuldade para conquistar ou manter um emprego, não obtém bom rendimento escolar ou acadêmica. A distimia pode evoluir para outras condições psicopatológicas.

O distímico, em muitos casos, recorre ao uso de drogas lícitas e ilícitas e também ao abuso de tranquilizantes. Especialistas avaliam que este comportamento é uma forma de autotratamento, de tentativa de superar alguns companheiros inseparáveis, mas bastante indesejáveis: o mal-estar, a angústia e a irritação.

As características da distimia

Para o diagnóstico da distimia, é necessário que o mau humor permaneça instalado por longos períodos, entre 12 e 24 meses. O transtorno não apresenta fases alternadas de pensamento e conduta: o distímico é um “carrancudo por natureza”, o espalha-rodinhas das festas. Ao menos, é esta a avaliação das pessoas próximas.

A distimia pode se manifestar em qualquer fase da vida, inclusive na infância. Os sintomas surgem gradualmente e, por isto, muitas vezes são ignorados. Entre os jovens, ocorre o chamado início tardio do transtorno – e, nestes casos, os sinais se agravam rapidamente. Seja como for, já foram relatados casos de distimia surgida apenas na terceira idade.

Com relação ao estado de ânimo, o portador apresenta profunda tristeza, revelado durante a maior parte do dia. Este sentimento quase sempre é acompanhado por baixa autoestima, dificuldade de concentração, distúrbios do apetite (fome exagerada ou inapetência, com evidente perda ou ganho de peso) e do sono (insônia ou hipersonia, a necessidade de permanecer na cama por longas horas).

A falta de energia é outro sintoma frequente. Progressivamente, atividades antes prazerosas passam a se mostrar cansativas ou repetitivas para o distímico. Este fator, por outro lado, gera uma sensação de inutilidade e o indivíduo começa a se desvalorizar.

Na distimia, o indivíduo se mostra sempre mais e mais triste, desanimado, sem vontade de agir. O pedantismo é outro traço do transtorno, especialmente em pessoas com boa bagagem cultural: elas não conseguem identificar nada que mereça a sua atenção, nada é original, o mundo precisa ser reinventado de maneira mais criativa.

Diagnosticando a distimia

O diagnóstico só pode ser feito por um especialista (psicólogo ou psiquiatra), que precisa investigar a possível existência de episódios maníacos, hipomaníacos ou mistos ocorridos antes do estabelecimento do mau humor constante. Neste caso, é mais possível que o portador sofra de transtorno bipolar.

Outro fator que pode descartar a possibilidade da distimia é o conjunto de efeitos do ambiente sobre a personalidade (aqui entendida como a fusão do temperamento, de caráter inato e provavelmente genético, e o caráter, que são os valores morais e a educação adquiridos no convívio familiar e social).

Por exemplo: uma pessoa que trabalhe em um ambiente hostil, submetida a um chefe tirânico e parcial, pode ter a irritabilidade ampliada, transferindo-a para outros setores da vida, desta forma prejudicando relacionamentos com o cônjuge e os amigos.

Este comportamento, no entanto, tende a desaparecer quando surge uma oportunidade profissional positiva. Nos casos dos portadores do transtorno, no entanto, o derrotismo e a irritabilidade permanecem, independente dos estímulos do meio. Quem sofre de distimia só consegue antever as nuvens negras que se aproximam, mesmo na mais agradável festa de réveillon.

O comportamento explosivo, que impede a aproximação de outras pessoas, é outra característica da distimia. Apesar de não haver um limite concreto, já que existem muitas pessoas descritas como “dinamite pura”, o portador do transtorno está sempre “à beira de um ataque de nervos”, mesmo em situações descontraídas e relaxantes. Este comportamento, entre os distímicos, tende a se manifestar quando ainda são bastante jovens.

O tratamento para distimia

Apesar de ser classificada como uma forma mais branda de depressão, a distimia, não apresenta a ruptura. O indivíduo depressivo pode estar falante e produtivo em um dia para, na manhã seguinte, acordar sem vontade de sair da cama, cheio de desejos de morrer. No distímico, a irritação é constante em qualquer situação.

A diferença entre depressão e distimia é mais acadêmica do que clínica, apesar de especialistas já terem descrito casos incontestes que diferenciam os dois transtornos. O tratamento, nas duas situações, consiste em acompanhamento psicoterapêutico e, na imensa maioria dos casos, na ministração de antidepressivos. Uma vez que os dois distúrbios são crônicos (não têm cura), o acompanhamento médico e psicológico deve permanecer pelo restante da vida.

Em geral, a procura de ajuda especializada ocorre apenas pela insistência da família. O portador do transtorno quase sempre considera que amigos e parentes estão exagerando, que ele é “deste jeito, mesmo”. Com o avanço do tratamento, no entanto, o distímico passa a se sentir mais leves e tranquilas.

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