Saúde e Bem Estar

O que é ebola?

É uma doença viral transmitida pelo vírus do mesmo nome. Surtos esporádicos do ebola ocorrem na África.

O principal sintoma do ebola é a febre hemorrágica, que provoca sangramento nos órgãos internos. Os primeiros sinais têm início entre duas e três semanas da infecção e caracterizam-se por dores musculares, nas articulações, de garganta e de cabeça, seguidos por vômitos, náuseas e diarreia e, nos homens, inflamação nos testículos. Outras características da doença são as insuficiências hepática e renal. Sem tratamento adequado, aparecem as perdas de sangue através dos orifícios do corpo.

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O vírus causador do ebola é nativo do continente africano. Os surtos são cíclicos e têm início quando uma pessoa entra em contato com o sangue ou os fluidos corporais de um animal infectado vivo ou recém-abatido– os principais vetores são algumas espécies de macacos, os porcos domésticos e os morcegos-da-fruta.

A partir de então, a doença é transmissível de humanos para humanos (inclusive através do contato entre cadáveres), sob as mesmas condições. Nunca foram encontrados casos de ebola fora da África subsaariana, mas vírus já foram identificados em macacos importados pela Itália e pelos EUA.

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Antílopes e porcos-espinho também são suscetíveis à enfermidade, mas não há estudos concludentes sobre a introdução do ebola em comunidades humanas a partir destes animais.

Um pouco de história

O nome da doença é derivado do rio Ebola, que corta o território da República Democrática do Congo (antigo Zaire), no centro-oeste do continente, onde o vírus foi encontrado pela primeira vez, por pesquisadores do Laboratório de Microbiologia do Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, sediado na Bélgica.

Existem cinco subtipos do vírus ebola: Zaire, Sudão, Costa do Marfim, Bundibugyo e Reston. Este último foi encontrado nas Filipinas, sudeste da Ásia, e só infecta animais (principalmente porcos), sendo inofensivo para humanos. Os vírus. No entanto, são seres extremamente simples e vivem em constantes mutações.

Este primeiro surto do ebola ocorreu em 1976. Desde então, o número de vítimas nunca foi superior a mil pacientes diagnosticados. Em 2014, no entanto, já foram verificados mais de 1.300 óbitos. Além disto, o Congo registra 15 vítimas fatais de outra febre hemorrágica de origem não identificada. Isto fez com que autoridades internacionais determinassem o estabelecimento de barreiras sanitárias na África, especialmente nas fronteiras com a Guiné, Libéria, Serra Leoa e Nigéria, países do ocidente africano que registraram o maior número de casos.

Em todo o mundo, aeroportos internacionais vêm se munindo com instruções e mantendo equipes para orientar e avaliar turistas procedentes do golfo da Guiné, especialmente os que apresentem sintomas indicativos do ebola, que, desta vez, pode provocar uma epidemia e graves danos ambientais, espalhando-se pelo mundo. A maioria das tripulações que voam para estes países está recebendo treinamento para identificar os sintomas e isolar passageiros.

O Centro de Controle de Doenças dos EUA avalia que os riscos de pandemia são muito baixos, mas “a situação evolui rapidamente”. Os órgãos públicos de saúde, portanto, precisam ficar prontos, para o caso de que o ebola se manifeste em outros locais.

Trata-se de uma doença bastante grave, com uma taxa de letalidade que chega até os 90%. O vírus é extremamente resistente: um homem infectado que sobreviva ao ebola pode ser capaz de continuar infectando pessoas por até dois meses, através de relações sexuais.

O diagnóstico

Os primeiros exames servem para eliminar a possibilidade de outras enfermidades com sintomas semelhantes, como malária, cólera e outras febres hemorrágicas, como o mal de Lassa, a doença de Marburg e a febre arbovírus.

Para a confirmação do diagnóstico, são realizados exames de sangue para detectar a presença de anticorpos do vírus, de RNA (ácido ribonucleico) viral ou do próprio ebola. O principal problema é que o diagnóstico das febres hemorrágicas é muito difícil no início da doença, da mesma forma que ocorre no Brasil, com doenças como dengue, malária, febre tifoide, hantavirose, leptospirose e meningite meningogócica. A demora no tratamento é a principal causa das mortes.

Durante um surto de ebola, as pessoas com maior risco de contrair a doença são os profissionais de saúde, missionários religiosos, familiares e outras pessoas que mantiveram contato com doentes e pacientes falecidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que todos sejam submetidos a exames, fato que nem sempre acontece devido às más condições de saúde.

O tratamento

Não existe um tratamento específico para o ebola: os médicos recorrem a diversos métodos, de acordo com as condições dos pacientes. Como regra geral, todos precisam de hidratação oral ou venosa e de anticoagulantes nas fases iniciais e posteriores, para controlar as hemorragias.

Além de analgésicos e anti-inflamatórios para combater as dores, os pacientes podem necessitar de antibióticos e antimicóticos para combater as infecções secundárias, provocadas por bactérias e fungos. Em alguns casos, o suporte respiratório é aconselhado.

Os pacientes que conseguem superar o ebola podem desenvolver esfoliações da pele, perda de cabelos e sintomas oculares, como cegueira, fotossensibilidade (sensibilidade extrema à luz), epífora (perda da drenagem das lágrimas), uveíte (inflamação da íris, coroide e corpo ciliar) e coriorretinite (inflamação da retina e da coroide).

Prevenção e diminuição

As principais formas de prevenção se baseiam em alterações comportamentais, como o abandono de carnes de caça como fontes de alimentação, providência bastante difícil, já que contraria hábitos milenares. Muitos grupos da África mantêm a tradição de lavar os corpos de familiares falecidos em cerimônias públicas (em alguns locais, é praticado o embalsamamento, com a retirada das vísceras), o que também é contraindicado.

As técnicas para evitar as infecções incluem evitar o contato com secreções e sangue de animais e humanos (inclusive dos mortos). A organização de campanhas públicas para esclarecer a população e incentivá-la a buscar atendimento médico logo aos primeiros sintomas daria certo, mas esbarra na carência de serviços médicos no centro africano.

A ausência ou insuficiência de redes de saúde eficazes muitas vezes impede que as equipes médicas utilizem luvas, máscaras, toucas, óculos e aventais, fundamentais para reduzir a transmissão do vírus. Em alguns locais, a falta de água impede a correta esterilização dos instrumentos e mesmo a trivial lavagem das mãos.

A quarentena tem sido a providência mais adotada durante os surtos de ebola, por reduzir a velocidade de propagação. Autoridades locais geralmente colocam em quarentena aldeias, cidades e regiões inteiras onde possa haver pessoas infectadas. Em agosto de 2014, a Libéria suspendeu as aulas de todas as suas escolas por um período não inferior a 30 dias.

As vacinas

Diversos laboratórios vêm pesquisando vacinas para combater o ebola, atualmente inexistentes. As probabilidades mais promissoras estão no uso de vacinas ADN ou derivadas de adenovírus, do vírus da estomatite vesicular ou de partículas semelhantes a vírus (VLP).

Os resultados obtidos aqui mostram a capacidade de imunização em primatas não humanos. Há um problema, no entanto: o prazo para imunização é de seis meses. Assim, estas vacinas não poderão ser usadas para combater os surtos de ebola.

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