Saúde e Bem Estar

O que é ejaculação precoce?

É o problema sexual mais comum entre os homens. A ejaculação precoce atinge de 20% a 30% da população masculina.

A ejaculação precoce é caracterizada pela incapacidade de controlar o desempenho sexual. O orgasmo acontece rápido demais, antes de possibilitar uma relação prazerosa para ambos os parceiros. Muitos terapeutas já tentaram definir o que é ejaculação precoce: Masters e Johnson, em seu famoso estudo sobre a sexualidade humana (1966), consideram que o problema ocorre quando o homem ejacula antes de proporcionar o orgasmo da parceira (ou parceiro) em mais da metade das relações sexuais.

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Antes disto, havia um consenso de que a ejaculação precoce era caracterizada pelo orgasmo em apenas dois minutos após a penetração, mas Alfred Kinsey, um entomologista americano que começou a pesquisar a sexualidade após verificar que a vida sexual dos insetos era extremamente variada – assim como a de todos os animais, inclusive o Homo sapiens – demonstrou, nos anos 1950, a partir de pesquisas, que 75% dos homens se enquadram no critério dos 120 segundos.

Atualmente, os terapeutas sexuais consideram que a ejaculação precoce é caracterizada pela dificuldade de controle sobre o orgasmo, prejudicando o bem estar sexual e a vida amorosa. Um homem em condições físicas e psicológicas adequadas, demora de dois a quatro minutos para gozar. O problema pode estar também na parceira, que pode precisar de mais tempo para atingir o clímax sexual.

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Causas

A principal causa é a ansiedade. Medo de engravidar a parceira, de contrair uma doença sexualmente transmissível, de não ser considerado “bom de cama”. A grande maioria dos ejaculadores precoces apresenta um efeito cumulativo: estes homens temem gozar rápido demais, o organismo produz adrenalina em excesso, fato que provoca o orgasmo antes da hora.

Na adolescência, nas primeiras relações sexuais, a ansiedade é natural, em função da inexperiência, do medo do mau desempenho ou de ser “pego em flagrante”. Mais uma vez, a adrenalina aumenta os batimentos cardíacos, reduz o fluxo sanguíneo no tronco – e o pênis está ereto justamente porque os vasos estão repletos de sangue – e aumenta o fluxo nos braços e pernas: este hormônio é produzido em momentos de raiva ou medo, quando o corpo se prepara para lutar – ou fugir.

Com o tempo, a confiança aumenta para a maioria dos homens, mas, por qualquer motivo, como um divórcio e a retomada das conquistas amorosas, ou um infarto e o medo de sobrecarregar o coração, pode provocar o problema: é a chamada ejaculação precoce secundária.

Não há estudos que comprovem a influência de causas orgânicas sobre a ejaculação precoce. No entanto, sabe-se que algumas doenças neurológicas provocam o distúrbio, assim como inflamações na próstata, hipertireoidismo (que aumenta as contrações da vesícula seminal, causando a expulsão rápida do esperma) e varicocele (varizes nas veias dos testículos, que represam o sangue, estimulando os mecanismos de ereção).

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é clínico, feito com base no histórico do paciente. A principal queixa relatada é a dificuldade (ou incapacidade) de satisfazer a parceira. Em alguns casos, pode ser utilizado o pletismógrafo, aparelho que avalia a constrição e dilatação dos vasos sanguíneos, para verificar eventuais problemas vasculares.

Com exceção de problemas no sistema genital (na próstata, testículos, etc.), o tratamento se baseia em psicoterapia, que pode ser coadjuvada com antidepressivos. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina são especialmente indicados para as síndromes depressivas e os transtornos de ansiedade.

A tensão muscular está associada à ejaculação precoce. Portanto, exercícios físicos, alongamento e meditação podem melhorar o quadro. Investir nas preliminares é outra boa dica. Permitir que a parceira faça uma boa massagem antes do sexo propriamente dito ajuda a relaxar e consequentemente a melhorar o desempenho.

A masturbação, com algum treino, ajuda a controlar a ejaculação precoce. Com disciplina, o homem pode se excitar até sentir a aproximação do orgasmo e então parar a estimulação e relaxar. A técnica permite que o corpo “aprenda” a prolongar a excitação e aumenta a autoconfiança. Vale o mesmo para o sexo oral, que pode ser utilizado apenas como preliminar.

O médico americano Arnold Kegel desenvolveu exercícios para fortalecer e dar controle voluntário ao músculo pubococcígeo (PC, entre o osso público e o cóccix). Na verdade, ele apenas atualizou práticas taoístas desenvolvidas na China há milênios. Inicialmente, eram indicados para combater a incontinência urinária, prolapso vaginal e uterino, mas se revelaram úteis para retardar o orgasmo masculino. Para encontrar este músculo, basta interromper a micção: o PC é quem aciona a interrupção do jato de urina. Depois disto, faça contrações durante o dia, sempre que se lembrar disto.

O importante é não ter vergonha da situação e procurar apoio médico e terapêutico. O sexo ainda é um grande tabu no Ocidente, mas é fundamental para uma vida saudável; a má qualidade da vida sexual é responsável pela desarmonia conjugal (ou de namorados) e até por insucessos na vida pessoal e profissional.

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