Curiosidades

O que é eubiose?

A palavra vem do grego. O significado de “Eu” é bom, belo. O de “Bios”, vida. A eubiose pretende ser a vivência do bem.

Organização relacionada ao esoterismo, teosofia e ocultismo, a eubiose surgiu no Brasil. Seus fundadores são o casal Henrique José de Souza e Helena Jefferson de Souza, que, em 1921, fundaram o que viria a ser a Sociedade Brasileira de Eubiose em São Lourenço, cidade do circuito das águas de Minas Gerais (formalizada em 1969).

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Inicialmente, foi criada a Sociedade Mental e Espiritual (Dhâranâ), que posteriormente deu lugar à Sociedade Teosófica Brasileira, seguindo as linhas definidas pela mística russa Helena Blavatsky. Assim, seus fundadores começaram estudando a teosofia; com o desenvolvimento dos estudos, surgiu a eubiose, que atualmente reúne dois mil membros ativos no país.

Líderes da doutrina, no entanto, afirmam que a origem é bem mais antiga, datando da Grécia antiga. A eubiose faz parte dos conhecimentos esotéricos e assenta-se sobre três pilares: a escola (para desenvolver o intelecto), o teatro (para cultivar as emoções) e o templo (para transcender da condição humana). A divisa da doutrina, presente no brasão da Eubiose, é “Spes messis in semine” (a esperança da colheita reside na semente).

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Existem três grandes templos de eubiose no Brasil: Maitreia (em São Lourenço), Templo Obelisco (Itaparica, na Bahia) e Roncador (Xavantina, em Mato Grosso).
Além disto, muitos departamentos e representações (que são grupos com menos de sete pessoas) estão espalhados por diversas cidades do país. Em Portugal, foi fundado em 1965 o Priorado Sinárquico da Lusitânia, a comunidade de eubiose do país (sinarquia significa administração ou governo partilhado). A doutrina também está presente no Chile, Venezuela, Dinamarca, Inglaterra e Itália.

Maitreia (ou Maytreia) é um dos nomes do Buda, avatar fortemente relacionado à doutrina; o templo em São Lourenço está fortemente relacionado à força espiritual de Maitreia e Roncador, à sua força terrena. De acordo com os eubiotas, o Buda ocidental – um ser encarregado de trazer novas revelações – já estaria encarnado no Brasil há alguns anos; o mundo está passando por um momento de transformações e renovação. Será um período de transformação da consciência.

O significado de eubiose – vivência do bem e do belo – parece muito abrangente, mas, para esta seita, que, de acordo com seus adeptos (os eubiotas), é uma síntese de religião, filosofia e ciência que leva à gradual evolução humana. Para esta doutrina, evoluir significa transformar energia em consciência. Vale lembrar que, na natureza, tudo é energia; consubstanciada, ela se transforma em matéria e vice-versa.

A diferença entre a eubiose e as religiões tradicionais é que não existem dogmas (verdades que devem ser aceitas pelos fiéis; por exemplo, o dogma da Trindade – Deus pai, Deus filho e Espírito Santo – o deus uno e trino da maioria das igrejas cristãs, que se revela como três pessoas distintas).

Cada eubiota, através dos ensinamentos e vivências obtidos através do estudo da doutrina (palestras públicas, meditações, seminários, leituras), desenvolve seu próprio roteiro para o autoconhecimento. A eubiose também utiliza algumas técnicas de ioga para chegar ao relaxamento.

Ritos e crenças

A eubiose, de acordo com os adeptos, é tão antiga como a humanidade. Os seres iluminados – os mestres da sabedoria – são a manifestação da consciência cósmica. Eles acompanham os seres e trazem ensinamentos transcendentais de acordo com a evolução dos homens. Assim, os conhecimentos esotéricos de egípcios e gregos, a alquimia, as novas revelações a partir do século XVIII, teriam partido destes avatares.

O conhecimento da verdade espiritual, do bem e do belo, desta forma, é cíclico, e concentra-se em determinadas regiões do planeta em cada período da civilização. Nos dias atuais, a eubiose está centrada na América – especialmente no Brasil.

A cerimônia principal é uma irradiação de energias cósmicas em benefício do planeta (ao menos em São Lourenço, é realizada todos os dias). No salão, atrás de um cortinado, um grande cálice – o Santo Graal, o mesmo em que Jesus teria dado vinho para seus apóstolos na última ceia – representa o sangue de Cristo. Sons semelhantes a mantras – fórmulas místicas entoadas repetidamente, comuns no Budismo e Hinduísmo. Entre as orações, surge a católica “Ave, Maria”.

De acordo com a eubiose, algumas preces têm o poder de resolver os problemas humanos, gerando energias específicas para isto. Para atingir o objetivo, os fiéis evocam todos os seres do universo, inclusive os que habitam o interior da Terra – um conjunto de teorias, criadas desde a Antiguidade, especula que o planeta teria vastos salões em seu interior, habitados por diversos seres, de acordo com uma das hipóteses (não partilhada pela eubiose), os dinossauros não teriam sido extintos, mas se abrigado em uma destas regiões para continuar sua evolução.

De acordo com a eubiose, os seres intraterrenos fazem parte da humanidade. Não são espíritos, mas seres encarnados como nós, em diferentes níveis de evolução. Não se pode avistá-los porque eles vivem em outra dimensão; portanto, seria impossível que uma escavação os revelasse aos que vivem na superfície. Este é um dos segredos da doutrina, só revelados para os membros do grupo.

O rito é bastante solene. Um dirigente informa, logo no início da reunião, que as forças do céu e da Terra se congregam no templo. Literalmente, ele afirma que os governos do Alto e do interior são evocadas para canalizar as forças necessárias para a saúde, prosperidade, harmonia, etc. Depois deste momento, os não membros são retirados: as demais atividades são privativas dos iniciados (ou iniciandos).

Para a eubiose, , que admite a reencarnação, a evolução segue o padrão setenário: todos os seres vivos estão classificados em sete graus cumulativos: físico, vital, emocional, mental racional, mental abstrato, mental búdico e crístico. Os seres humanos, na Terra, são os que mais conseguiram desenvolver o grau mental, também presente, mas em menor grau, em outros animais. A humanidade atingiu o quarto item (mental racional). A doutrina não acredita que Deus seja um ser elevado e afastado da criação: todos tendem à perfeição: o grau crístico.

O curso

Quem pretende se aprofundar na eubiose deve fazer um curso específico, que está organizado em cinco níveis: Peregrino, Manu, Yama, Karuna e Astaroth. O grau básico (Peregrino) tem duração de um ano e aborda os princípios básicos da doutrina. Os demais têm duração de seis meses. As aulas, ministradas nos templos e departamentos, são semanais. É preciso pagar taxas de inscrição e manutenção, valores utilizados para custear o material de suporte ao curso.

Desde o primeiro nível, os alunos praticam ioga, como forma de equilibrar corpo e alma. Do contrário, de acordo com os eubiotas, os estudantes tendem a privilegiar apenas um lado: tornam-se sábios ou emocionais demais. O curso se estrutura nas três bases da doutrina: a escola (o conhecimento transmitido), o teatro (a vivência do ensinos na vida diária) e o templo (que aumenta a capacidade de assimilação).

O Manu trabalha a alma no sentido mental; o Yama, o sentido emocional; o Karuna propõe uma síntese, necessária para o equilibro entre mental e o emocional; por fim, no Astaroth, os alunos recebem uma introdução às cartas de revelações – textos de Henrique José de Souza entre 1924 e 1963, contendo as diretrizes da eubiose e instruções para o desenvolvimento até o século XXI. Os originais estão na biblioteca do Templo de São Lourenço, com consulta privativa aos membros.

Mas, para os interessados, existe farto material na internet.

A Sociedade Brasileira de Eubiose (www.eubiose.org.br) oferece o curso a distância (virtuais ou por correspondência), realizado em quatro anos, até o terceiro grau. Se o aluno tiver bom aproveitamento, é convidado a continuar os estudos em um departamento da doutrina; a partir deste nível, as aulas são obrigatoriamente presenciais.

Além do curso específico, alguns departamentos oferecem aulas de astrologia e ocultismo, além de palestras sobre assuntos relacionados à eubiose e à evolução. No site oficial, é possível ler diversos artigos; toda a coleção da revista eletrônica Dhâranâ (quadrimestral) também está disponível.

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