Artes e Cultura

O que é filatelia?

A filatelia é o estudo e coleção de selos postais e artigos relacionados, como os cartões postais.

O objetivo da filatelia é a organização de coleções gerais e temáticas. Em alguns casos, além dos selos, os filatelistas reúnem informações sobre a época em que eles foram lançados e um panorama sociocultural envolvido em sua emissão.

Publicidade

o-que-e-filatelia

Neste hobby, no entanto, “coleções gerais” não são apanhados genéricos e desordenados de qualquer tipo de selo. Quase sempre, elas representam um período histórico ou uma região do planeta. As coleções sem nenhum critério geralmente são as primeiras experiências em filatelia, que, de qualquer forma, não deixa de ser fascinante.

A etimologia da palavra é curiosa: o termo “filatelia” é a aglutinação das palavras gregas “philos” (que significa amigo) a “ateleia” (isenção de impostos). Na Grécia antiga, os comprovantes de pagamento das taxas públicas deram origem aos primeiros selos postais. O país não tinha unidade política e as trocas comerciais entre cidades como Atenas, Esparta, Tebas, etc. eram bastante comuns.

Publicidade

A origem da Guerra de Troia (1300 – 1200 a.C.) foi a tentativa de controle dos estreitos de Dardanelos e Bósforo, que ligam o mar Negro e o mar Egeu, importantes rotas comerciais. Até 1936, turcos, gregos e outros povos europeus lutavam pela hegemonia na região, até que a Convenção de Montreux passou a considerar o caminho marítimo como “águas internacionais”.

Os tipos de coleções

A filatelia abrange várias áreas de estudos. A Federação Internacional de Filatelia (FIF) reconhece, para exposições filatélicas, as seguintes categorias:

• filatelia tradicional: é a coleção de quaisquer peças relacionadas aos selos postais. A organização é feita com base na cronologia e na região geopolítica, sem limitação a temas. Para efeitos práticos, qualquer coleção de selos organizada de acordo com estes critérios é considerada “tradicional”, a menos que ela se enquadre em outra classe;

• filatelia temática: esta classe apresenta algumas restrições ao sistema tradicional. Os colecionadores podem se dedicar a um período histórico específico, à fauna e flora de certas regiões, a uma galeria de governantes de determinado país, etc. As coleções organizadas no período Pós-Segunda Guerra Mundial (a partir de 1945) são classificadas como integrantes da filatelia moderna;

• inteiros postais: são envelopes (ou fragmentos deles) com os selados colados e registrados pelas empresas de correios, demonstrando que a peça efetivamente serviu para o envio de correspondência. Os selos destas coleções apresentam o valor das tarifas praticadas ou indicações de pré-franqueamento. Além dos envelopes, são considerados inteiros postais os bilhetes, cartas-bilhete, cartas pneumáticas (enviadas por tubos de ar pressurizado) e aerogramas;

• selos fiscais: são uma especialização da filatelia temática. Os colecionadores recolhem apenas peças e documentos relacionados à cobrança de taxas e tributos.

Nas coleções de história postal, são incluídos documentos sobre a situação socioeconômica que envolveu a emissão dos selos. A literatura filatélica engloba todos os textos produzidos em determinado período que tenham qualquer relação com os adesivos dos correios.

Em aerofilatelia, são considerados apenas os papéis relacionados a remessas em aeronaves. A astrofilatelia é uma seção desta especialidade, dedicada apenas a selos e correspondências sobre a pesquisa espacial e suas implicações na geopolítica mundial.

Os selos mais procurados pelos filatelistas são os seguintes:

• bissectados: são selos cortados ao meio pelos serviços de correio, geralmente de forma transversal. No Brasil Império, não havia selos de 100 réis; os funcionários utilizavam apenas metade, devolvendo o restante da peça ao remetente;

• comemorativos: eles se relacionam a qualquer evento marcante na história de um país, como a posse de um novo presidente. Estes selos têm a circulação limitada a curtos períodos, o que explica sua raridade. No Brasil, empresas, clubes, entidades religiosas e organizações não governamentais podem encomendar tiragens limitadas em ocasiões importantes, como um jubileu de prata, por exemplo. Os selos comemorativos são erroneamente chamados de “filatélicos”, já que, por definição, qualquer selo oficial é necessariamente filatélico;

• tête-bêche: a expressão é francesa e significa “frente a frente”. São selos com efígies opostas, geralmente representando personagens importantes da história, ou o fato histórico e seu principal expoente;

• condenados: eles são emitidos com o propósito declarado de explorar os filatelistas. A FIF mantém catálogos com estas peças, que podem ser consultadas no site da federação ou nos clubes de filatelistas de todo o mundo. Eles têm apenas o valor de uma figurinha especial, comum nos álbuns sobre esportes, jogadores, artistas, etc.;

• beneficentes: estes selos são lançados quase sempre em períodos de calamidade pública, como guerras ou cataclismas naturais. Entidades como a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho, entre outras, lançam mão deste recurso para angariar fundos. Quase sempre, a postagem com estas peças é facultativa;

• desmonetizados: são selos retirados de circulação e, por isto, perderam seu valor de face e não podem ser usados para a remessa de correspondências. Quanto mais raros, maiores valores atingem no mercado da filatelia.

Os chamados selos reparados são peças submetidas a algum tipo de reparo. Especialistas conseguem identificar este procedimento por meio do filigranoscópio ou de lâmpadas de quartzo. Estas peças não chegam a perder a importância para os filatelistas, mas têm seu valor de mercado sensivelmente reduzido.

Os cuidados

Como qualquer peça histórica, uma coleção de selos requer cuidados na conservação e exposição. Um dos principais problemas dos filatelistas é a ferrugem, que pode se espalhar sobre as efígies dos selos, danificá-los e até destruí-los.

A ferrugem é um indicativo de que as peças não foram mantidas em ambiente seco. O problema pode ser corrigido por banhos de imersão (por especialistas). Submetidos a este procedimento, os selos passam a ser chamados “selos lavados”. O método também é utilizado para retirar manchas de tinta de carimbos e sobrecargas.

Os selos no Brasil

Em 1843, o Brasil lançou seu primeiro selo postal (o segundo do mundo contemporâneo). Ao contrário do que ocorreu na maioria dos países, o imperador Dom Pedro II não permitiu que sua face fosse impressa nas peças, para impedir que sua imagem fosse maculada pelos carimbos dos correios. Assim nasceu o famoso “olho-de-boi”.

Outras três séries foram emitidas apenas com o valor de face inclinado, vertical ou colorido: são os “olhos-de-cabra” e “olhos-de-gato”, entre 1844 e 1854.

O imperador, no entanto (que ainda permaneceria no poder até 1889), foi advertido de que a sua efígie poderia ser um excelente instrumento de propaganda e de prestígio no país e no mundo. Em 1866, o rosto do soberano finalmente começou a ilustrar os selos postais. Os selos com o rosto de Pedro II foram os primeiros picotados a circular no Brasil.

Ainda durante o Segundo Império, em 1882, Luís Levi lançou, em São Paulo, o “Brasil Filatélico”, a primeira publicação regular sobre o assunto no país. A primeira sociedade de colecionadores surgiu em 1886, no Rio de Janeiro. Com o advento da República, em novembro de 1889, várias novas séries foram emitidas. Em abril de 1900, foi lançada uma edição comemorativa, composta por quatro selos, alusiva ao quarto centenário do Descobrimento.

Em 1906, Afonso Pena foi o primeiro presidente da República a estampar um selo no país. Manuel Deodoro da Fonseca, que proclamou a República e tornou-se o primeiro mandatário, teve que esperar até 1939, cinquentenário da República, para figurar em um selo. Um ano antes, foi lançado o primeiro bloco postal brasileiro, com dez selos no valor de 400 réis, com a estampa de Rowland Hill, professor britânico, idealizador do selo postal.

Em 1974, o Brasil também inovou, com a primeira emissão de selos com inscrições em Braille, emitido em homenagem à 5ª Assembleia Geral do Conselho Mundial para o Bem-Estar dos Cegos. Os selos chegaram à sustentabilidade ambiental em 1999, com o lançamento da série “Parques Nacionais – Prevenção a Incêndios Florestais”. Os selos exalavam aroma de madeira queimada.

Em 2002, a emissão da série “Campeões do Mundo de Futebol no Século XX”, a primeira com formato redondo do país (parece que a coleção deu sorte, pois o país sagrou-se campeão nesse ano). Em 2010, para homenagear o centenário do Corinthians, um dos clubes mais populares do Brasil, os correios lançaram o primeiro selo em tecido serigrafado e bordado. Definitivamente, aqui é o país do futebol.

Publicidade

Deixe uma resposta