Gravidez e Maternidade

O que é gravidez ectópica?

Quando um feto não chega ao útero, permanecendo em uma das trompas, ocorre a gravidez ectópica.

A gravidez ectópica é uma gestação anômala. A cada mês, em média, um dos ovários libera um óvulo (célula sexual feminina), que estaciona na tuba (ou trompa) ovariana à espera de ser fecundado. O organismo feminino, desde a primeira menstruação, se prepara para conceber. Para isto acontecer, um dos espermatozoides (células sexuais masculinas) liberados na ejaculação durante a relação sexual precisa encontrar o óvulo maduro e fundir-se a ele, formando o blastocisto, que vai originar o embrião.

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Em cerca de uma semana, o futuro bebê é levado para o útero, onde se fixará à parede (a chamada nidação) para completar seu desenvolvimento. Mas nem sempre isto ocorre: em 1% dos casos, o blastocisto não migra para o útero: é a chamada gravidez ectópica (também chamada de tubária, abdominal e cervical), quando a gestação ocorre na própria tuba (em casos raros, pode ocorrer no ovário, colo do útero e região do estômago).

Causas

A gravidez ectópica ocorre quando algum obstáculo impede ou retarda o movimento do óvulo fertilizado para o útero. Isto pode ocorrer por questões anatômicas, como má-formação da trompa, cicatriz provocada por cirurgia ou trauma, bloqueios definidos por infecções ou tumores.

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Causas menos comuns da gravidez ectópica são infecções determinadas por apendicite, tumores pélvicos e endometriose. O endométrio é uma membrana mucosa que reveste o útero internamente e dá suporte ao feto em gestação. Em algumas mulheres, esta membrana se espalha pelas tubas (podendo chegar aos ovários) e pode impedir uma gravidez normal.

O uso do dispositivo intrauterino (DIU) também pode provocar a gravidez ectópica. Trata-se de um contraceptivo mecânico, cuja função é impedir o encontro das células sexuais, criando um ambiente hostil para os espermatozoides no sistema genital feminino. O DIU deve ser introduzido por um ginecologista, no consultório, para garantir a inserção correta.

Primeira gestação após os 35 anos, fatores ambientais (como a poluição do ar) e maus hábitos, como o tabagismo, também estão relacionados à gravidez ectópica. Mais raramente, mulheres que tenham se submetido à esterilização por laqueadura podem desenvolver o problema (a maioria dos casos surge entre dois e três anos da cirurgia).

As doenças sexualmente transmissíveis também são causas. Por isto, restringir o número de parceiros sexuais e sempre usar preservativo nas relações sexuais é fundamental para reduzir os riscos.

Sintomas

A maioria dos sintomas é idêntica ao da gravidez normal: aumento da sensibilidade dos seios, náuseas e enjoos matinais, amenorreia, etc. No entanto, alguns sinais servem de alerta: cólicas em apenas um dos lados da pélvis, dores no baixo abdômen e na região pélvica e dores lombares logo no início podem indicar problemas no desenvolvimento fetal.

Algumas mulheres apresentam sangramentos anormais e muitas debitam as hemorragias à chegada da menstruação. Outras sofrem desmaios (ou apenas a sensação rápida de perder os sentidos), pressão intensa no reto (a porção final do intestino) e dores nos ombros.

Infelizmente, a gravidez ectópica não é viável. Estudos indicam que a chance de mãe e filho sobreviverem é de uma em três milhões. Partos bem sucedidos transformam-se rapidamente em notícia. Não há estatísticas no Brasil, mas, na Inglaterra, apenas três bebês gerados nesta condição nos últimos 20 anos sobreviveram.

O diagnóstico

Só um especialista pode identificar uma gravidez ectópica e determinar os procedimentos a serem realizados. Ele realiza um exame clínico para verificar a sensibilidade da região pélvica e pode solicitar uma série de exames (níveis hormonais, contagem de hemácias e leucocitose e, claro, teste de gravidez).

O teste de gonadotrofina coriônica humana (HCG), por exemplo, revela níveis diferentes para uma gravidez normal e uma ectópica. Quando o nível está muito alto, uma ultrassonografia transvaginal verifica o andamento da gestação e confirma o diagnóstico.

Na maioria dos casos, entre seis e 12 semanas de gravidez ectópica, é aconselhada a realização de um aborto terapêutico, uma vez que a vida da mãe está em risco. O útero, de poucos centímetros de diâmetro, é um órgão desenvolvimento durante centenas de milênios para abrigar um feto nos nove meses de gestação. Ele tem capacidade de se ampliar e atingir 32 centímetros nos dias que antecedem o parto.

As tubas, no entanto, não apresentam esta capacidade, já que sua função é unicamente transportar os óvulos do ovário ao útero, a cada ciclo menstrual. Por isto, com o desenvolvimento do feto, existe o risco de ruptura do órgão: é uma urgência médica. A mulher apresenta aceleração dos batimentos cardíacos, dores nas costas, fortes sangramentos e, em muitos casos, entra em choque. O tratamento pode demandar transfusões de sangue, medicamentos e ventilação assistida. A paciente é mantida aquecida e com as pernas para cima, para aumentar o fluxo do sangue no tórax, abdômen e pélvis.

Uma vez estabilizada, deve ser submetida a uma laparotomia (incisão da parede abdominal), para interromper a hemorragia. A cirurgia confirma a gravidez ectópica, repara danos na tuba e nos tecidos adjacentes e remove a gravidez anormal. Em alguns casos, de acordo com a gravidade do quadro, é preciso retirar toda a trompa.

Antes do rompimento da trompa, pode ser realizada uma minilaparotomia ou laparoscopia (uma pequena incisão junto ao umbigo, com a introdução de um instrumento de fibra óptica – o laparoscópio – para analisar os órgãos). Se o problema tiver sido diagnosticado precocemente e o médio entender que não há riscos imediatos para a integridade da trompa, pode prescrever medicamentos para induzir a um aborto.

Mulheres que tiveram gravidez tubária podem voltar a engravidar em um terço dos casos (e, destes, estima-se que 30% sejam novamente anormais). A probabilidade de êxito depende de fatores como a idade da gestante, se já é mãe e especialmente os motivos que provocaram a gestação ectópica.

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