Saúde e Bem Estar

O que é hipermetropia?

A hipermetropia é uma anomalia refrativa (ou ametropia) que provoca dificuldade na visão nítida de objetos próximos. Consideremos que o olho humano é uma câmera fotográfica: para que a imagem fique perfeita, é preciso que os raios luminosos refletidos por um objeto qualquer atravessem nossa “lente convergente biconvexa” (cristalino e córnea, estruturas oculares) e formem a imagem exatamente sobre a retina.

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Todo olho normal é emétrope, enquanto os que apresentam erros refrativos são amétropes. Uma curiosidade: a retina forma uma imagem real e invertida (de cabeça para baixo), que é enviada para o córtex através do nervo óptico, onde é interpretada de acordo com as informações armazenadas; um recém-nascido, por exemplo, só consegue entender a imagem materna; o repertório visual vai se ampliando à medida que a criança se desenvolve.

As causas da hipermetropia

Enxergar, portanto, é captar os raios luminosos refletidos por determinado objeto. Quando estes raios, que chegam a nós em feixes paralelos são captados atrás da retina (na miopia, são captados à frente desta película nervosa), ocorre o embaçamento da imagem de objetos próximos à pessoa; os que estão a determinada distância são captados normalmente, sem distorções.

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Quando o objeto se aproxima, no entanto – como uma pessoa que esteja chegando para cumprimentar o hipermétrope – a imagem vai se tornando cada vez mais embaçada, porque a imagem se desfoca progressivamente. Quanto mais grave for o problema (quanto mais graus forem necessários para corrigir a visão), mais prejudicada se torna a visão, tanto de perto, quanto de longe.

Muitas pessoas apresentam visão embaçada tanto de perto, quanto de longe. Elas sofrem de astigmatismo, que prejudicam o foco tanto na horizontal, quanto na vertical.

Os olhos criam mais de um ponto focal. O astigmatismo pode estar associado à hipermetropia ou à miopia.

A hipermetropia ocorre em função de alterações no cristalino ou na córnea, que diminuem o poder refrativo destas estruturas (como a megalocórnea, em que a córnea fica mais plana), no caso de más-formações congênitas que provocam o encurtamento do globo ocular, ou quando a estrutura ocular é pequena em relação à cabeça. Isto é comum em crianças (até 12 anos), em que os olhos ainda estão em desenvolvimento. O diagnóstico, em geral, ocorre no início da vida escolar.

No entanto, crianças e adolescentes possuem o cristalino ainda flexível, o que permite compensar a hipermetropia com mais facilidade (a menos que haja outras causas). É comum que crianças a quem foi prescrito o uso de lentes corretivas precocemente possam abandoná-las durante a adolescência ou logo no início da vida adulta.

Nos casos leves, é possível ao hipermetrope compensar a anomalia, forçando os olhos pra fixar as imagens: é a chamada acomodação do cristalino, que aumenta a potência desta lente intraocular, levando a formação da imagem para o plano focal da retina.

À medida que a hipermetropia progride, no entanto, o esforço resulta em dores de cabeça, sensação de inchaço ou peso ao redor dos olhos, ardor, vermelhidão da conjuntiva (membrana que reveste a parte interna da pálpebra e a superfície exposta da córnea) e lacrimejamento, principalmente ao ler e usar o computador. Os incômodos também são relatados no final do dia, depois da escola ou do trabalho.

O tratamento

A maioria dos pacientes com hipermetropia utiliza lentes de correção (óculos ou lentes de contato) para ler, costurar e outras atividades que exijam a visualização de objetos próximos. Em casos mais graves, o uso das lentes é necessário para focar objetos a dois metros de distância.

A cirurgia refrativa permite mudar a curvatura da córnea, tornando-a mais arredondada, aproximando-a do formato do olho normal. A córnea é alterada a laser, em um procedimento ambulatorial. Os métodos mais utilizados são o LASIK e PRK. O cirurgião utiliza o laser para tornar a borda externa da córnea mais plana, fazendo com que a porção central se projete, aumentando o grau desta lente natural.

A presbiopia

No já citado processo de acomodação do cristalino, pequenos músculos intraoculares (os músculos ciliares) se contraem naturalmente para fixar uma imagem próxima.

Um olho normal, para a leitura a 33 centímetros de distância, aumenta três graus para ver o texto com nitidez.

Com o avanço da idade, no entanto, os olhos perdem progressivamente esta capacidade de contração. Os míopes e pessoas com olhos normais começam a identificar a presbiopia a partir do 40 anos. Para quem sofre de hipermetropia, o problema surge por volta dos 35 anos (o mesmo ocorre com pessoas que sofrem de diabetes mellitus).

É a chamada vista cansada. A presbiopia tende a se estabilizar aos 60 anos. Para míopes e hipermetropes, é a hora de começar a usar lentes de correção multifocais ou bifocais (estas últimas, de mais difícil adaptação), já que a visualização se torna gradualmente mais difícil tanto para perto, como para longe. Mesmo pessoas com visão normal podem ter de recorrer ao uso de óculos para leitura no decorrer do processo de envelhecimento.

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