Saúde e Bem Estar

O que é hipocondria?

Hipocondria é um distúrbio psiquiátrico que apresenta vários níveis. Em alguns casos, o paciente nunca se convence de que não está doente.

Nos hospitais particulares, estudos indicam que apenas 5% das pessoas que procuram ajuda médica estão efetivamente doentes. Muitos deles podem ser hipocondríacos, pessoas que acreditam sofrer de enfermidades graves.

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Evidentemente, os cuidados com a saúde são necessários: check-ups regulares, cuidados com a alimentação e a prática de exercícios melhoram a qualidade de vida e sintomas persistentes, como tosse, dores, pressão no peito, formigamento, dificuldade para falar, entre outros, precisam ser investigados.

O problema começa quando uma pessoa começa a sentir os sinais de um infarto porque um parente ou conhecido sofreu um ataque cardíaco. Ele pode sofrer de hipocondria, doença que faz o paciente associar sintomas desprezíveis a problemas graves de saúde.

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A origem da palavra

A palavra vem do grego e significa “abaixo (hipo) do tórax (chondros)”, região onde ficam a vesícula, os rins e o baço, órgãos que os gregos antigos acreditavam estar relacionados à produção da bílis negra, substância que, por muito tempo na história da medicina, esteve associado à melancolia.

Como muitos pacientes depressivos dedicavam boa parte do tempo preocupando-se com a saúde, o termo passou a ser utilizado a todos os pacientes que se preocupam excessivamente com a saúde.

As características da doença

O hipocondríaco, com alguns dias de tosse, já se imagina com tuberculose ou câncer de pulmão. Dores de cabeça, que podem resultar do tempo excessivo à frente de um monitor, significam tumores cerebrais. A simples escalada de alguns lances de escada, que prejudica o fôlego de qualquer pessoa, indica problemas cerebrais.

Também teme vetores e transmissores: um mosquito que apareça na janela certamente já transmitiu dengue e a febre, mal-estar e dores no corpo surgem instantaneamente. Uma minúscula aranha, tecendo tranquilamente sua teia num canto qualquer, certamente é peçonhenta e provocará a morte.

Quem sofre com hipocondria não tem apenas medo de doenças. O temor ocupa boa parte dos seus pensamentos e ele identifica sintomas sempre que alguém relaciona dores e limitações. O hipocondríaco tem dificuldades de relacionamento: ele concentra a atenção em si mesmo, no seu corpo, nos “sinais” que o organismo está enviando.

Com isto, quase sempre perde as oportunidades de relacionar-se e estabelecer amizades e relações amorosas.

Com tantos problemas fictícios de saúde – mas reais na imaginação – é natural que muitos pacientes desenvolvam problemas paralelos, como a síndrome do pânico, o que agrava o quadro psiquiátrico.

Os principais problemas

A hipocondria pode parecer uma piada, mas os portadores do transtorno sofrem com a sua condição. Angústia e ansiedade acompanham o dia a dia do hipocondríaco, na procura incessante de uma clínica, hospital ou posto de saúde que finalmente consiga diagnosticar e tratar seus males, apesar de, em alguns casos, o doente ter certeza absoluta de que está em estado terminal: a morte é certa e ocorrerá em questão de meses.

Em casos graves, isto prejudica bastante a qualidade de vida, as atividades profissionais, os relacionamentos. O hipocondríaco consome seu tempo em consultas médicas inúteis ou em pesquisas exaustivas na internet, para “confirmar” os sintomas, que, mesmo sem causas fisiológicas, são reais: o doente realmente sente dor, falta de ar, taquicardia, alergia.

No entanto, mesmo em casos leves, existem riscos. A automedicação é um deles. Quem sofre de hipocondria pode desenvolver os mesmos sintomas de um parente próximo e decidir, num impulso, tomar os medicamentos receitados. Mesmo quando todos da família estão saudáveis, o hipocondríaco mantém sempre à disposição uma “farmacinha” com analgésicos, antitérmicos, antieméticos, miorrelaxantes, antibióticos. O resultado menos pior é um comprometimento alto dos rendimentos nas drogarias. Alguns doentes podem chegar à overdose de medicamentos – e alguns auto-justificam o procedimento por não serem, por exemplo, remédios controlados, com as tarjas vermelhas e pretas.

O tratamento

Todo hipocondríaco é ansioso. Pais que se preocupam demais com tarefas, horários e compromissos, negligenciando o cuidado com os filhos. A criança que sofre de ansiedade pode imaginar que só receberá atenção se estiver doente ou machucada. Verifica-se assim que a hipocondria é um comportamento adquirido, sem causas genéticas.

Problemas pontuais também podem intensificar o distúrbio. Ao perceber que não tem controle sobre situações externas, como a pressão profissional, a competição diária e as cobranças familiares, o paciente pode centrar a atenção em si mesmo, no seu corpo e, neste caso, qualquer sinal mínimo é potencializado. A hipocondria torna-se, assim, uma escolha voluntária e inconsciente, para não ter que lidar com os problemas do cotidiano.

O tratamento é iniciado com a conscientização do problema real. Isto geralmente é feito com a terapia comportamental cognitiva, que vai ajudar o paciente a reinterpretar os sintomas e oferecer respostas mais adequadas para as dúvidas.

Durante a terapia, é possível identificar as causas que geraram a hipocondria e perceber que o distúrbio foi necessário para superar ou contornar problemas. O passo seguinte é construir instrumentos internos para lidar com os motivos que geraram a hipocondria.

É um exercício de autoconhecimento sem prazo determinado: tudo depende da resposta do paciente à intervenção terapêutica. Raramente o uso de medicamentos é indicado.

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