Negócios e Finanças

O que é inflação?

Em economia, inflação é a queda de poder de compra do dinheiro.

A população em geral entende a inflação como o aumento geral dos preços, mas não é exatamente isto. Na verdade, ela é um cálculo complexo da alta em um período determinado, em que cada segmento dos produtos e serviços consumidos no país tem um peso. Desta forma, a forma como a inflação afeta cada região – e também cada estrato socioeconômico – de forma leve ou severamente diferente.

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Por exemplo, o consumo de alimentos consome um percentual maior da renda salarial das classes D e E. Assim, se a produção alimentícia sofre aumentos maiores, a percepção de que a inflação está subindo ou mesmo em descontrole. As classes A e B, ao contrário, são menos afetadas.

Alguns produtos e serviços, no entanto, afetam a inflação de maneira geral. A alta dos combustíveis afeta toda a cadeia produtiva e os serviços. Um reajuste na gasolina e álcool provoca um efeito dominó: o aumento dos custos é repassado para os fretes de todos os produtos. Máquinas agrícolas também passar a gastar mais.

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Os aumentos são repassados do distribuidor até o ponto de venda: o bolso do consumidor.

Por isto, é necessário criar estratégias para manter a inflação sobre controle. No país, a tarefa esta a cargo do Banco Central do Brasil, mais exatamente do Comitê de Política Monetária, que se reúne mensalmente para definir os rumos da política econômica. Em geral, o principal instrumento para refrear a inflação é o aumento da Taxa SELIC (a taxa básica de juros). Mas é preciso definir outras políticas de controle: é o trabalho dos Ministérios da Fazenda e Planejamento, da Casa Civil e da própria Presidência da República.

Os índices

Existem vários índices que calculam a inflação no país. Os principais são o IGP (Índice Geral de Preços, calculado pela Fundação Getúlio Vargas), IPC, (Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), IPCA e INPC (Índice de Preços ao Consumidor Amplo e Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As taxas obtidas mensalmente (alguns órgãos fazem prévias semanais ou quinzenais, para prever tendências) variam de acordo com a instituição, em função das localidades em que os preços foram pesquisados, dos itens considerados, renda da população, etc.

As causas

A inflação pode ser determinada por diversos motivos: emissão exagerada de moeda (que faz o dinheiro manter o valor de face, mas perder o valor real), aumento nos custos de produção (máquinas, equipamentos, matéria prima, mão de obra, insumos, etc.) ou da demanda por determinados produtos, sem o consequente aumento da produção: este é um conceito clássico em economia: quando a procura aumenta, os preços sobem (e vice-versa).

Assim, o planejamento macroeconômico precisa observar diversas frentes, como gerenciar o crescimento das vendas (com a estabilidade, mais pessoas estão consumindo).

Os males da inflação

Muitos economistas defendem que uma taxa de inflação mínima (as opiniões variam entre 3% e 5% ao ano) é um sinal de vigor do crescimento de uma economia, enquanto o seu contrário – a deflação – pode indicar redução da atividade produtiva, que leva ao desemprego, etc.

No entanto, o pior cenário definido pelos especialistas é a estagflação: é a combinação de altas taxas de inflação com crescimento mínimo da produção. Isto geralmente ocorre quando as autoridades econômicas perdem o controle. Em casos graves, o próprio mercado perde a capacidade de formar preços (identificar os custos do produto ou serviço e a eles incluir a marcha de lucro).

Os preços se elevam quase homogeneamente, os salários precisam ser reajustados, para garantir ao menos a reposição de parte da capacidade aquisitiva da população e isto se torna uma bola de neve.

A inflação brasileira

O Brasil sempre foi um exemplo clássico de inflação alta nas faculdades de Economia. Nas décadas de 1960 e 70, os índices nacionais nunca ficaram abaixo de 35% (com uma breve exceção no início do regime militar). Com a crise do petróleo, a situação ficou bem pior.

Em 1973, depois de uma guerra em que Israel invadiu vários territórios árabes, o preço internacional do petróleo começou a disparar. Neste ano, os preços dos barris subiram até 300%. Em 1979, a deposição do xá iraniano Reza Pahlevi e a subsequente guerra entre Irã e Iraque, o aumento atingiu 1.000%. Gasolina barata, nunca mais, e isto desorganizou a economia mundial.

Em 1980, a inflação brasileira ultrapassou a barreira dos 100% anuais e continuou em ascensão. Em 1985, a situação era tão caótica que foi estabelecido o “gatilho salarial”: a cada vez que a inflação atingisse 20%, os salários eram reajustados. No ano seguinte, a governo Sarney editou o Plano Cruzado: cortou três zeros da moeda: mil cruzeiros passaram a valer um cruzado. Mas a situação de estabilizou por alguns meses. Talvez o plano, desenvolvido pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro, tivesse chances de dar certo, mas era ano eleitoral.

Eram necessárias algumas correções, que não foram feitas para não prejudicar as pretensões políticas dos aliados do governo. Os preços permaneceram estáveis durante todo o ano (estavam congelados), mas não se encontrava carne no açougue, nem cerveja no bar. O desabastecimento foi generalizado.

Vieram outros pacotes econômicos: Cruzado II (logo após as eleições), Plano Bresser (1987) e Verão (1987): nada continha a inflação. Em janeiro de 1990, no início do governo Collor, a taxa mensal superou os 80%. Collor continuou com os cortes de zeros, em março de 1990 e janeiro de 1991 (o melhor resultado foi 20,71%, no mês de lançamento do Collor II). O governo estabelecia metas para a inflação, mas o primeiro percentual definido foi 0%. Ousado demais para poder dar certo.

Foi mais de uma década convivendo com índices altíssimos, novas moedas e cortes de zeros (foram tantos que a maioria dos brasileiros não deve conseguir se lembrar de todos). A crise só começou a chegar ao fim com a edição do Plano Real, no governo Itamar Franco, em 1994. Em janeiro do ano seguinte, mês em que Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência, a inflação atingiu 1,7%, nível tão baixo que nem o mais otimista poderia sonhar com ele apenas um ano antes.

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