Comportamento

O que é lavagem cerebral?

Também conhecida como reeducação do pensamento, a lavagem cerebral procurar alterar comportamentos.

A lavagem cerebral é qualquer esforço para estabelecer valores, atitudes ou crenças em uma pessoa, que podem ser inclusive frontalmente opostos à conduta original.

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As primeiras técnicas surgiram visando à eliminação de comportamentos considerados marginais, indesejáveis, fora dos sistemas considerados adequados à sociedade.

Em geral, os resultados obtidos com a lavagem cerebral são insuficientes para justificar seu uso, por exemplo, no tratamento de pacientes portadores de transtornos mentais. Muitas vezes, ela está relacionada a teorias conspiratórias, em que igrejas, empresas e até governos buscariam influenciar a população para favorecer seus próprios objetivos. A Associação Americana de Psicologia recusou o reconhecimento da lavagem cerebral, até que surjam novas evidências científicas. O debate continua.

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O termo reeducar surgiu no início do século XIX, quando começaram a ser pesquisadas relações entre as respostas visuais e cerebrais. Nos anos 1940, no entanto, surgiram os primeiros registros de uso político da lavagem cerebral, que pode ter sido usada durante o período da Caça às Bruxas, quando comunistas americanos foram perseguidos, perderam seus empregos, etc. A CIA, a agência de inteligência dos EUA, teria usado técnicas para “reprogramar” revolucionários e assim reduzir o risco de implantação de um regime nos moldes soviéticos.

Mas a lavagem cerebral não teria sido uma ferramenta apenas para os capitalistas. Na União Soviética, durante os julgamentos dos “inimigos da Revolução” – praticamente todos os que não concordavam com os desmandos do ditador Joseph Stálin, na mesma época em Joseph McCarthy, chefe da CIA, reprimia e humilhava seus desafetos políticos.

Na China, o termo foi usado primeiramente para designar as técnicas de “regeneração” dos camponeses durante a implantação da Revolução. O termo se popularizou com a Guerra da Coreia (1950-1953), em que americanos e chineses se enfrentaram indiretamente, para impor suas convicções ideológicas. O resultado foi a divisão em Coreia do Norte, comunista, e Coreia do Sul, capitalista.

Os métodos

Em tempos de guerra ou perseguição política, a lavagem cerebral pode incluir privação do sono, exposição permanente à luz e outras formas de tortura, visando debilitar a autonomia dos adversários. Na guerra citada, os dois lados abusaram destes métodos, inclusive para rebaixar o moral das tropas inimigas. Durante a Guerra Fria, período em que EUA e URSS tentaram ampliar sua hegemonia no mundo, programas e campanhas enviados para países do Terceiro Mundo estavam repletos de propaganda política.

Mas existem formas mais sutis. O olho humano consegue captar 24 imagens por segundo: acima deste número, a capacidade de o cérebro registrar conscientemente fica reduzida. Alguns historiadores afirmam que, no período pré-guerra, Adolf Hitler mandava incluir mais alguns fotogramas na exibição de filmes dirigidos ao público masculino, com mensagens concitando os jovens a alistar-se nas forças armadas.

Ainda nos anos 1950, um fabricante de refrigerantes foi acusado de utilizar a mesma técnica de mensagens subliminares, para aumentar as vendas, que, de acordo com algumas estatísticas, subiram 56%. Já no finalzinho do século a emissora MTV teria incluído imagens pornográficas na exibição de seus clipes, para manter os espectadores.

Um método bastante utilizado por alguns religiosos mal-intencionados é o da repetição e reprogramação, especialmente útil para ouvintes desatentos. Trata-se da repetição “ad nauseam” de pequenas mentiras no discurso, que gradualmente passam a ser percebidas como verdades. Especialistas garantem que os resultados são mais positivos quando a mentira é apresentada num momento catártico, como uma alteração da linha seguida pelo orador (por exemplo, com uma piada, que muda a reação dos membros da reunião).

A repetição e reprogramação também são utilizadas baixando inicialmente a autoestima (dos fiéis, neste exemplo). São realçados os erros, os defeitos, os “pecados”, com muitos olhares diretos. Posteriormente, apresenta-se a “superação”: a comunhão perfeita com Deus se dá com o aumento da frequência ao templo, a aquisição de livros e outros materiais, doações em dinheiro, etc. O discurso é mesclado entre as necessidades materiais da igreja e trechos de textos religiosos.

Frases impactantes são mais um recurso. De acordo com a neurolinguística, a inserção de frases impactantes no discurso atrai a atenção: ao menos 50% do público se deixa influenciar por estas frases, ao menos por alguns momentos. Se a fala for genérica, com frases que podem ser aplicadas a diversas situações, os resultados são mais positivos.

A música pode ser utilizada para despertar sentimentos. Uma música leve, de fundo para uma voz ritmada e pausada, leva o ouvinte a concordar com o orador. A “santa ira” também serve para concentrar atenções: o palestrante começa com voz leve e delicada, elevando-a nos momentos em que quer despertar indignação ou fúria. Estas são técnicas de ritmo e progressão.

Mesmo na TV paga, a inserção de anúncios comerciais é muito comum. São filmetes demonstrando a superioridade de seus produtos, inclusive em relação à versão anterior: “novo sabão X, agora com enzimas proativas”, ou qualquer besteira do gênero.

O que a maioria do público não percebe é que a propaganda está embutida no filme, jogo ou documentário. Durante um jogo de futebol, os torcedores são submetidos a dezenas de placas de estádio e animações computadorizadas, anunciando os mais diversos produtos. Nas telenovelas, especialmente nos capítulos “imperdíveis”, os produtos surgem casualmente nas cozinhas, banheiros e até nas cenas gravadas em externas, quando o protagonista passa em frente ao “Banco Y”. É o merchandising usando técnicas de reeducação cerebral.

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