Curiosidades

O que é o Apocalipse?

Último livro do Novo Testamento, o Apocalipse descreve, para os fiéis cristãos, os “últimos tempos”.

A palavra apocalipse vem do grego e significa revelação (literalmente, “apo”, tirado, e “kalumna”, véu). Para os religiosos, o Apocalipse é a revelação divina de coisas que estavam ocultas. Em resumo, o livro descreve os últimos fatos que ocorrerão na Terra antes da segunda vinda de Cristo, para implantar definitivamente o Reino dos Céus e separar “ovelhas e bodes” (na alegoria bíblica, os bons e maus e, para algumas religiões cristãs, os seus profitentes piedosos e todo o restante da humanidade).

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Legenda: São João em Patmos (o apóstolo recebe as revelações).

O livro começa com a descrição de sete cartas enviadas às congregações cristãs da Ásia Menor (atual Turquia), com orientações e advertências, de acordo com as práticas desenvolvidas por estas igrejas. A autoria do Apocalipse, escrito provavelmente no final do século I, é atribuída ao apóstolo João (que também teria escrito um dos quatro evangelhos), mas historiadores e linguistas divergem da tradição, em função das diferenças de narrativa e também por causa do contexto histórico: o remetente parece exercer forte domínio sobre as lideranças cristãs e não há narrativas de que o discípulo de Jesus tenha exercido este papel.

Na época, os cristãos acreditavam no iminente fim do mundo. O apóstolo Paulo, em sua Carta aos Romanos, narra o desejo de evangelizar a Espanha. De acordo com os evangelhos, o “Evangelho do reino” deveria ser pregado por todos os cantos da terra e, na fantasiosa geografia do início da Era Cristã, a Espanha era um dos cantos do mundo, além da qual se situava o abismo (o oceano Atlântico).

As previsões sobre a época em que o Apocalipse sobrevirá são divergentes. Passados os primeiros séculos, os cristãos deixaram de crer no retorno imediato do Messias, para situá-lo num futuro mais ou menos remoto. Diversas previsões foram estabelecidas, a principal dela às vésperas do ano 1000, já que alguns estudiosos do Novo Testamento analisaram os textos e definiram o fim do milênio como o fim dos tempos.

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Neste futuro impreciso, serão liberadas as quatro bestas do Apocalipse, que surgem à medida que o Messias rompe selos com as determinações divinas. Na abertura do primeiro, surge um cavaleiro montado num cavalo branco, que simboliza a falsa paz: é o Anticristo, que governará o mundo por um período. O segundo cavaleiro surge num cavalo vermelho e significa a guerra, quando todos se matarão uns aos outros. Num cavalo preto, o cavaleiro passa a fazer propostas exorbitantes, interpretadas como um período de escassez e preços altos. O último representa a morte, com sua destruição, fome e peste. Estes são sinais de que o fim está próximo.

Legenda: Os quatro cavaleiros do Apocalipse.

Com a abertura do quinto selo, João tem visões dos mártires que sucumbiram por pregar a palavra de Deus. No sexto, um forte terremoto abala a Terra e surgem sinais no céu. Por fim, o sétimo selo determina o surgimento de sete anjos, que anunciam o Juízo Final com o soar de suas trombetas. Tem início o Armagedon.

É a batalha final, cujo palco seria o vale do Megido, em Israel, quando começa a segunda Grande Tribulação: é a luta entre o bem e o mal, entre Cristo e Lúcifer, com a evidente derrota deste último. De acordo com Paulo, devassos, idólatras, adúlteros, efeminados, ladrões, avarentos, bêbados e maledicentes “não herdarão o Reino dos Céus” e serão definitivamente encerrados no Inferno, com o Diabo e suas legiões.

Algumas correntes religiosas interpretam que, com este fim, os mortos retomarão seus corpos e serão felizes, ao lado de Jesus, ou infelizes, ao lado dos impiedosos e pecadores. Apesar da impossibilidade científica – cadáveres são decompostos em poucos anos e suas moléculas migram para outras estruturas orgânicas e inorgânicas –, esta é uma crença bastante disseminada.

Legenda: Jesus abre um dos sete selos.

Outros grupos (especialmente entre as igrejas pentecostais) acreditam que os bons serão retirados da Terra antes do início da tribulação: é o arrebatamento. Com a retirada das igrejas e de seus fiéis do planeta, a ação dos maus permitiria que o Diabo tomasse o poder por um período finito.

Historiadores estudiosos do período, no entanto, não acreditam nas interpretações simbólicas e religiosas do Apocalipse. Para muitos, o autor, apesar de acreditar nas previsões messiânicas de instalação quase imediata de um reino de paz na Terra, quis apenas incentivar algumas comunidades a perseverar em suas crenças e advertir outras para que não se aproximassem do poder de Roma.

É tudo uma questão de crença. Cientistas exigem provas e avaliações críticas. Os crentes aceitam os símbolos e as interpretações tradicionais de suas igrejas. Cada um pode escolher a sua opção.

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