Curiosidades

O que é pacto com o Diabo?

Obter inteligência, fama e riqueza. Estes são os objetivos de um pacto com o Diabo.

Comum desde a Idade Média, o pacto com o Diabo é um acordo com o princípio do mal, no qual o mortal contratante vende a alma em troca de renome na Terra enquanto estiver vivo. Em contrapartida, quem negocia com o Diabo – mais propriamente, com um demônio, já que não se trata diretamente com o príncipe do inferno – tem seu destino selado: pela eternidade, sofrerá as penas da danação.

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O pacto com o Diabo está relacionado especialmente à feitiçaria europeia, um conjunto de práticas religiosas pré-cristãs, praticado especialmente pelos povos que habitavam as Ilhas Britânicas e a Escandinávia antes da chegada dos catequizadores católicos. A feitiçaria (ou bruxaria) continuou mantendo adeptos, mesmo com a perseguição religiosa, que se tornou ainda mais ativa com a instalação da Inquisição, entre 1184 e 1834.

Fausto

Mesmo sem evidências de que possa dar certo, o pacto com o Diabo inspirou diversas obras literárias e cinematográficas. Talvez a mais conhecida seja “Fausto”, lenda alemã sobre o médico e mago Johannes Georg Faust escrita por vários autores (os mais famosos são os livros de Johann Wolfgang Von Goethe e Thomas Mann). Desiludido com os conhecimentos do seu tempo (ele viveu entre 1480 e 1540), Fausto fez um pacto com o demônio Mefistófeles (“aquele que não ama a luz”, personagem inclusive de videogames, como “Diablo II”), que, com vitalidade satânica para que as pesquisas do cientista redundassem em sucesso.

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Fausto negociou com o demônio e teria vivido 24 anos sem envelhecer, em um contrato assinado com o seu próprio sangue. Passou este tempo entre estudos e prazeres, até se apaixonar por Margarida. Com o despertar do amor, tentou obter a salvação da alma, mas o destino com que se comprometeu era inexorável. Ao final da trama, o protagonista é arrastado para o inferno.

A história foi adaptada para a ópera pelos autores Berlioz, Wagner, Liszt, Gounod e Schumann. Fausto se tornou tão conhecido que surgiu até em um episódio do seriado mexicano “Chapolim”, em uma versão cômica. Fernando Pessoa escreveu “Fausto: uma Tragédia Subjetiva”, narrando o drama em primeira pessoa. A brasileira Regina Baptista revisitou o mito em “Ato Penitencial”, transpondo o drama para o século XXI.

O Diabo

O Diabo (o termo vem do grego e significa caluniador ou acusador) é a entidade sobrenatural maligna da tradição cristã. Em sua origem, teria sido um querubim – na hierarquia celeste, os querubins são os anjos responsáveis por trazer as mensagens de Deus para os homens e pelo cumprimento da justiça divina; dos nove coros angélicos, estão abaixo apenas dos serafins, que refletem a majestade e a grandeza da divindade.

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Lúcifer (“feito de luz” – este é o nome original do Diabo) comandou uma rebelião contra Deus, com o intuito de tomar seu trono. O motivo da revolta teria sido uma revelação divina: o ser supremo contou aos anjos que formaria outra criatura – o homem – que, por sua natureza, cometeria o pecado original e se apartaria da vida eterna. Para salvá-lo, o próprio Deus se ofereceria em sacrifício. Lúcifer entendia que o sacrifício deveria ser feito por um anjo, e não pela própria divindade.

Na verdade, Lúcifer, a estrela da manhã, só é citado uma vez no Antigo Testamento, no Livro de Isaías, em uma provável alusão ao rei da Babilônia (derrotado pelos persas, que permitiram o retorno dos judeus à Palestina). Os primeiros autores cristãos, no entanto, identificaram-no como o Diabo. O trecho é o seguinte: “Como caíste, Lúcifer, estrela da manhã? (…) Eis que estás precipitado no inferno, na profundidade dos abismos”.

Seja como for, de acordo com o mito, Lúcifer perdeu a guerra no céu. Ao tentar escalar as nuvens para se aproximar do trono divino, o querubim foi derrotado por Miguel (“quem pode ser como Deus”, em hebraico, o São Miguel Arcanjo da Igreja Católica). Lúcifer, transformado em Diabo, e a terça parte dos anjos que tomaram o seu partido foram derrubados do céu ainda antes da criação do homem e permanecem tentando a raça humana, até o juízo final.

O pacto

Existem várias formas de celebrar um pacto com o Diabo, relatadas em livros de magia desde a Idade Média. O ritual aqui apresentado foi criado pela Brotherhood of Satan (Irmandade de Satã, em inglês), uma seita satânica radicada nos EUA, com o intuito de obter fama, riqueza e poder em troca da alma. Há relatos de diversas celebridades que teriam celebrado o pacto.

O pacto com o Diabo deve ser planejado com uma semana de antecedência, no dia da Lua Crescente, para que seja realizado na noite de Lua Cheia (consulte o calendário para saber o horário exato em que a Lua está em sua máxima expansão). Neste período, é preciso mentalizar as entidades satânicas sempre que possível.

Três dias antes do ritual, relações sexuais, masturbação e o consumo de drogas e bebidas alcoólicas são interditados. Um dia antes, deve-se escolher uma roupa totalmente preta e lavá-la com água e abundância. No dia do pacto, é preciso limpar completamente o local em que o pacto será realizado.

É preciso fazer um ritual de purificação: meditação, banhos de ervas ou sal grosso, etc. A forma de retirar as energias negativas fica a critério do pactuante, para que seja o mais adequado. A cerimônia necessita dos seguintes itens: três velas (branca, preta e vermelha), uma folha de pergaminho, pena para escrever, uma agulha, incenso de sândalo, uma imagem do pentagrama invertido, uma esferográfica preta, um sino, um prato resistente ao fogo e uma taça de vinho tinto. Todos os objetos devem ser utilizados pela primeira vez para o pacto.

Uma mesa pode servir de altar para o rito. Coloque o pentagrama no centro, em pé (ou na parede, voltado para o altar). Em seguida, as velas. Da esquerda para a direita, a branca, a negra e a vermelha, com o incenso ao lado. As velas devem formar um triângulo com a base voltada para o celebrante. O prato fica no centro da mesa e a taça, ao seu lado direito.

Em seguida, toca-se o sino nove vezes e é feita a invocação do demônio, renúncia e proclamação, repetida três vezes, a blasfêmia (o Pai Nosso Invertido) e, por fim, o pacto, que precisa ser registrado no pergaminho, assinado com o sangue do dedo polegar da mão esquerda. Logo após assinar, o documento deve ser queimado no prato. Ao fim de cada etapa do pacto, deve-se tomar um gole do vinho. O encerramento é feito com a oração a Lúcifer. Os textos podem ser encontrados em vários sites sobre satanismo.

Por fim, o sino deve ser badalado novamente por nove vezes. As velas e incensos são queimados até a total consumação.

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