Saúde e Bem Estar

O que é priapismo?

Ao ler o subtítulo acima, muitos homens podem considerar o priapismo como uma dádiva dos deuses. Afinal, parece extremamente atraente a ideia de que o pênis permaneça “em riste” por longas horas, o que poderia garantir maior satisfação sexual. Mas a história não é bem assim.

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Príapo, o deus grego da virilidade e fertilidade, emprestou seu nome para esta condição que pode ser extremamente dolorosa. A divindade era representada exibindo um pênis descomunal e sempre em estado de ereção. De acordo com a mitologia, ele era filho de Dioniso (deus do prazer e do vinho) e de Afrodite (deusa do amor).

Em alguns casos, o priapismo é estimulado por um contato sexual direto ou indireto. Em outros, a ereção, que geralmente dura entre quatro e seis horas, é ativado sem a necessidade a presença de qualquer fator físico ou emocional.

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A incidência do distúrbio: em um grupo de 100.000 indivíduos, apenas 1,5 homem é afetado. No entanto, estudos indicam que este número praticamente dobra depois dos 40 anos: são 2,9 casos para o mesmo grupo de 100.000.

Causas e tipos

O priapismo é considerado uma emergência médica (ferimento, trauma ou doença que demanda atenção de saúde imediata), já que ele pode levar à impotência sexual definitiva. Este distúrbio pode ser provocado pela masturbação, ato sexual (especialmente no início do coito), ingestão em excesso de bebidas alcoólicas ou ereção noturna espontânea.

As ereções noturnas são naturais. Na ausência de disfunção erétil, todos os homens experimentam de três a cinco ereções a cada noite, na fase REM (com sonhos) do sono. Ao acordar, a ereção é causada pela necessidade de urinar.

Em condições normais, as veias que retiram o sangue do pênis ficam relaxadas depois da ejaculação, permitindo o escape venoso. Um sinal de que é necessário procurar socorro médico é quando a ereção não cede mesmo depois do orgasmo.

Há dois tipos de priapismo: isquêmico (causado por lesões das veias), que ocorre por deficiência do retorno venoso: o sangue permanece armazenado no pênis, sem encontrar um vaso para escapar. Esta ereção dolorosa pode indicar baixa oxigenação do sangue peniano.

O segundo tipo é o não isquêmico (lesões nas artérias); nesta condição, o fluxo do sangue venoso permanece em condições normais, mas o fluxo arterial é elevado, em função da ruptura que conduz o sangue para a região genital. No segundo caso, o paciente quase sempre não sente dor.

Os mecanismos que disparam o priapismo ainda não foram completamente estudados, mas sabe-se que estão envolvidos fatores neurológicos e vasculares. Algumas pesquisas sugerem que o distúrbio pode estar relacionado a problemas hematológicos (em especial, a anemia falciforme, leucemia, talassemia e doença de Fabry). Nos idosos, o priapismo quase sempre indica o desenvolvimento de neoplasias.

Com relação aos fatores neurológicos, lesões e traumatismos na medula espinal podem ser a causa do priapismo, especialmente entre adolescentes e jovens. A condição já foi relatada por médicos legistas que analisaram casos de enforcamentos, quando a morte ocorre por fratura das vértebras cervicais, consequentemente lesionando a medula.

Outra possível causa do priapismo é o caso de pacientes submetidos a tratamentos prolongados para disfunção erétil com medicamentos injetáveis no corpo cavernoso do pênis, como a papaverina e o alprostadil.

Anti-hipertensivos, anticoagulantes, antidepressivos e antipsicóticos também podem estar na relação das substâncias que contribuem para a situação, que inclui ainda o uso de drogas recreativas (principalmente cocaína e álcool).

O priapismo é idiopático. Isto significa que ele ainda não tem causas completamente definidas. Caso ele ocorra em pacientes que utilizam as drogas acima relacionadas, os medicamentos (ou a sua dosagem) devem ser substituídos.

A picada da aranha-armadeira (“Phoneutria nigriventer”), comum em toda a América do Sul e Central, também causa ereções prolongadas, de até quatro horas, fato que pode causar efeitos colaterais graves. No entanto, o aracnídeo pode se revelar um “herói da humanidade”: estão em curso muitas pesquisas e ensaios clínicos para verificar se as substâncias tóxicas presentes na peçonha poderão, no médio prazo, tornar-se a matéria-prima para novas – e mais baratas – drogas para combater a disfunção erétil.

O diagnóstico

Para obter o diagnóstico de priapismo, é realizado um exame clínico direto, em que pode ser identificada a chamada ereção sustentada do pênis. O médico também pode recorrer a uma gasometria, exame para avaliar os gases (oxigênio e gás carbônico) presentes no sangue arterial, com que é possível determinar se o distúrbio é isquêmico ou não.

A contagem de plaquetas no hemograma indica uma possível leucemia e outros testes específicos verificam se o paciente sofre de anemia falciforme. A angiografia só é empregada quando o diagnóstico de lesão arterial é confirmado, para definir a melhor forma de condução do cateterismo.

Complicações e tratamento

O priapismo pode levar à impotência sexual por causa de algumas complicações, que incluem isquemia (falta de suprimento sanguíneo para um órgão ou tecido), coagulação do sangue retido no pênis e danos nos vasos da região, que podem ser graves.

A impotência pode ser imediata ou no médio prazo. Em casos mais graves, com a coagulação do sangue no pênis, podem ocorrer tromboses (formações de coágulos nas veias ou artérias penianas, que podem levar a doenças coronarianas). A demora na procura por tratamento médico pode redundar em gangrena (morte do tecido), que pode levar à necessidade de amputação.

Nos casos de priapismo isquêmico, o protocolo médico determina que a primeira providência é puncionar o pênis, para retirada do sangue estagnado. No mesmo procedimento, são introduzidas drogas como a noradrenalina. O medicamento é indicado para regressão da ereção.

O procedimento descrito, no entanto, nem sempre produz os resultados esperados. Nestes casos, é necessário recorrer a uma cirurgia, para criar um canal de escape do sangue (o nome técnico é “shunt”). Quando o priapismo é não isquêmico, o paciente necessariamente precisa ser operado. A ligadura cirúrgica da artéria afetada e o cateterismo (introdução de uma sonda vesical no pênis) são as técnicas mais adotadas.

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