Comidas e Bebidas

O que é ração humana?

Apesar de ter o nome proibido pela ANVISA, a ração humana continua sendo consumida por muitas pessoas.

A ração humana é um suplemento alimentar composto por 16 ingredientes funcionais, como guaraná, gérmen de trigo, cacau, gelatina, levedo de cerveja, linhaça, gergelim e extrato de soja, proteínas, vitaminas do complexo B e fibras, todos em pó, utilizados para enriquecer as refeições, reduzir os riscos de vida e aumentar a sensação de bem estar. A substância pode ser diluída em sucos e sopas, polvilhada em saladas e os fabricantes alegam que pode substituir uma refeição leve (como os lanches da manhã e da tarde).

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A ração é indicada para pessoas sedentárias que têm pouco tempo para as refeições e, por isto, se alimentam de forma inadequada. Com o suplemento, é possível obter mais energia para as atividades do dia a dia. Mas nenhuma de suas alegadas propriedades medicamentosas – combater o mau colesterol, regular os níveis de triglicérides, emagrecer, amenizar os efeitos da menopausa, reduzir tumores intestinais, etc. – foi comprovado cientificamente. Todos estes problemas demandam orientação médica, pois as condições variam de pessoa para pessoa.

Os ingredientes contidos na ração humana contêm propriedades salutares para diversas enfermidades, mas é preciso seguir os conselhos de um profissional para que eles surtam efeito. Um indivíduo com o intestino em funcionamento normal não deve aumentar o consumo de fibras, porque isto pode provocar diarreias, flatulência e impedir a correta absorção dos nutrientes.

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O problema começou quando comerciantes mais interessados no lucro do que na saúde de seus clientes passaram a propagandear os efeitos da ração humana sobre o rápido emagrecimento. Algumas empresas chegaram a afirmar que o produto permitia queimar até oito quilos em apenas uma semana.

Provavelmente, ninguém conseguiu seguir mais esta dieta maluca, mas, se alguém o fez, teve vários problemas nutricionais, pois, como é evidente, o produto não oferece todos os nutrientes necessários para a manutenção das funções orgânicas e tomar um suco sem gosto em lugar de uma refeição certamente não aumenta nem um pouco a qualidade de vida. A confusão começou com o uso do termo “ração”. Quem tem cães, gatos, aves ou peixes em casa sabe que as rações disponíveis no mercado garantem a saúde e beleza dos pets, o que certamente não ocorre com o uso exclusivo da ração humana, mesmo que por curtos períodos.

Em 2011, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu uma nota de alerta, informando que o consumo poderia causar problemas de saúde. Na mesma nota, os fabricantes foram proibidos de estampar, nos rótulos, a expressão “ração humana”, nem fazer constar alegações de propriedades terapêuticas, sob pena de multa de até R$ 1,5 milhão.

Desde então, com o nome de ração humana, nenhum produto foi oferecido ao mercado – ao menos não de forma legal, apesar de muitas lojas anunciarem o produto para “em breve”.

No entanto, com a orientação de um nutricionista, é possível produzir suplementos individualizados, de acordo com as características do pacientes. Certamente, o profissional vai insistir para que sejam feitas refeições adequadas, em horários certos, mas em alguns casos ele poderá permitir o uso de linhaça, gergelim e outras sementes, além de alimentos funcionais estratégicos, como complementos, para garantir a saúde de quem não consegue se alimentar bem todos os dias.

Mesmo assim, muitos sites continuam divulgando os prodígios da ração humana. É preciso ficar atento com estes posts. Como sempre, as soluções mágicas têm de ser abandonadas. Saúde, qualidade de vida e bem estar dependem de sono restaurador, alimentação balanceada e exercícios físicos regulares. Sem isto, o encontro com as doenças, o cansaço e a preguiça certamente chegarão – e podem estar na próxima curva.

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