Gravidez e Maternidade

O que é reprodução assistida?

Sempre que um casal tenta sem sucesso uma gravidez por 12 meses, chega o momento de procurar a reprodução assistida.

No Brasil, o número de casais que procura centros de reprodução assistida vem aumentando ano a ano. Em parte, esta situação é creditada à superação de alguns preconceitos: há algumas décadas, a infertilidade era imediatamente associada à impotência sexual (fatos absolutamente sem correspondência – mas as duas condições são tratáveis). Em parte, a oferta mais abundante do tratamento atrai pessoas que aspiram à paternidade.

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Os tratamentos gratuitos ainda são raros e mantêm longas filas, mas hospitais universitários e mesmo o SUS – Sistema Único de Saúde oferecem programas de atendimento à população carente. O importante é saber pesquisar e encontrar o “caminho das pedras”.

Infertilidade

Em primeiro lugar, é preciso dizer que a infertilidade entre seres humanos é consideravelmente baixa (de acordo com estatísticas, o problema afeta 15% das duplas conjugais). Um casal, com relações sexuais regulares durante um mês, apresenta probabilidade de 20% de engravidar. Isto significa que nenhuma relação sexual desprotegida resulta necessariamente (apesar de ser totalmente possível) na produção de um bebê.

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No processo de fertilização natural, são observadas as seguintes etapas: ovulação, captação do óvulo maduro pela trompa, fertilização pelo espermatozoide e implantação do zigoto (a junção das duas células sexuais, masculina e feminina) no útero materno.

Neste processo, no entanto, podem ocorrer inúmeras falhas. Elas podem ser causadas por problemas na ovulação (como os ovários policísticos), alterações nas trompas ou no útero (como a endometriose), problemas na formação, transporte e qualidade dos espermatozoides.

Aparentemente, os maiores problemas parecem ser “causados” pelas mulheres, mas 10% dos casais inférteis não revelam causas reais nos exames dos cônjuges e, entre os demais, as dificuldades são divididas igualmente entre o marido e a mulher.

Os métodos

Existem basicamente duas técnicas de reprodução assistida: a inseminação artificial (introdução não natural, em laboratório, do esperma do candidato a pai no aparelho genital da futura mãe) e a fertilização externa, in vitro, mais conhecida como criação de bebês de proveta.

A inseminação já é praticada há muito tempo em humanos e animais domésticos (no segundo caso, para aperfeiçoar raças e reduzir deficiências genéticas, visando ao aumento da produtividade da pecuária). O método é simples: o marido colhe o esperma no período adequado, quando determinados sinais clínicos indicam que a mulher está ovulando. O material coletado é inserido no colo do útero. As chances de sucesso são de 35% a cada tentativa.

Quando o marido é estéril, pode ser utilizado o material de um doador anônimo, adquirido em bancos de sêmen. Se a mulher tiver problemas nas trompas de falópio que impeçam os espermatozoides de chegar ao óvulo, ou no caso de haver riscos de transmissão de uma anomalia genética, é possível recorrer a uma mãe-portadora, a famosa barriga de aluguel, que gera o bebê; é a chamada inseminação heteróloga. De acordo com a legislação brasileira, as doadoras temporárias devem ser familiares diretas da futura mãe: primas, tias, irmãs e mães.

Fecundação in vitro

Desde que a inglesa Louise Brown nasceu, em 1978, a comunidade médica foi surpreendida com o primeiro caso em que um bebê humano foi concebido fora do útero materno e a gravidez chegou a termo sem apresentar problemas significativos. Os responsáveis por este primeiro bebê de proveta são o obstetra Patrick Steptoc e o biólogo Robert Edwards. De lá para cá, mais de 40 mil crianças foram geradas com o auxílio deste método.

Para a fecundação, é realizada a coleta do esperma do pai e de vários oócitos da mãe (são os óvulos ainda imaturos, colhidos nos ovários).

As células sexuais são colocadas em um recipiente especial e quase sempre são gerados vários embriões.

O novo parecer do Conselho Federal de Medicina permite que a fertilização in vitro seja realizada com a doação de esperma ou de oócitos. Casais homoafetivos femininos também podem recorrer ao método, recomendado para casais que tiveram filhos com deficiências genéticas (inclusive a doação de células-tronco para os irmãos enfermos).

Embriões não utilizados (apenas alguns são implantados no útero materno, para ampliar as chances de sucesso do procedimento) devem ser congelados e só podem ser descartados ou doados para estudos após cinco anos da fecundação – antes disto, podem ser oferecidos a outras mulheres estéreis.

A idade limite para se submeter a qualquer uma destas técnicas é de 50 anos. Esta determinação tem em vista reduzir o risco obstétrico, já que, depois desta idade, a qualidade dos espermatozoides e óvulos decai, contribuindo para o desenvolvimento de problemas hereditários, e a gestante tem os riscos de diabetes, aborto espontâneo, parto prematuro e hipertensão na gravidez, que pode levar a uma pré-eclâmpsia, de alto risco para a mãe e o bebê.

Objeções

Muitas religiões, em vários países do mundo, vetam o uso da reprodução assistida, alegando orientações divinas. Antes de se submeter a um procedimento lento e caro, os casais devem pensar seriamente sobre as consequências que poderão advir desta decisão.

A aplicação destas técnicas gera discussões éticas, jurídicas e sociais que não têm respostas fáceis. Por exemplo, a utilização de células-tronco embrionárias para diversos tratamentos médicos (inclusive a regeneração da medula), mas a decisão de gerar embriões apenas para utilizar o material das primeiras divisões celulares em procedimentos clínicos ou cirúrgicos é vista por muitos como tabu, ou mesmo como pecado. É a antiga discussão sobre o momento em que a vida tem início.

O Brasil não possui uma legislação específica sobre reprodução assistida. Muitos projetos tramitam no Congresso Emocional, mas quase sempre são engavetados, por esbarrar nestas mesmas questões. Todas as deliberações a respeito deste assunto foram tomadas pelo CFM.

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