Curiosidades

O que é ressaca marítima?

O movimento anormal das ondas junto à costa, provocado por alterações climáticas, é chamado ressaca marítima.

Ressaca é aquela desagradável sensação do “dia seguinte”, para quem abusa das bebidas alcoólicas: dor de cabeça, náuseas, vertigens. A vontade é de ficar deitado, parado, tranquilo. Mas quando se fala em ressaca marítima, acontece o contrário: o mar fica agitado, as ondas rebentam na praia, refluem e chocam-se com as que vêm logo atrás.

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A turbulência da ressaca dos bebedores imprevidentes ganhou este nome, no Brasil e em Portugal, de empréstimo do termo espanhol “resaca”, que significa o fluxo e refluxo das águas do mar. O incômodo provocado pelo álcool é semelhante à sensação de “maresia”, quando entramos no mar e, momentos depois, em terra firme, ainda sentimos o movimento.

A ressaca marítima prejudica os banhos de mar e as atividades dos pescadores, destrói quiosques, espreguiçadeiras e guarda-sóis, mas faz a alegria dos surfistas experientes, oferecendo ondas mais altas e rápidas. Mesmo chegando a causar danos, como alagamento e a destruição da calçada das avenidas à beira-mar e jogando detritos na areia, é um fenômeno muito bonito de ser observado. A ressaca chega com bastante força e pode durar por alguns dias.

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O arremesso de areia nas pistas também pode provocar acidentes automobilísticos: os leitos carroçáveis, cobertos de partículas, ficam mais escorregadios: é preciso reduzir a velocidade e estar atento à movimentação de outros motoristas.

Como as ondas em choque deslocam grandes quantidades de areia, muitas barracas de praia, que oferecem bebidas e quitutes aos frequentadores, têm sua estrutura abalada, obrigando a vistoria do Corpo de Bombeiros ou da Defesa Civil.

No Brasil, as ressacas marítimas são provocadas por frentes frias que atingem as regiões Sul e Sudeste. É um fato comum, que ocorre dezenas de vezes nas praias entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. Áreas mais ao norte também são afetadas, mas em nível menos elevado. Já ocorreram ressacas marítimas até na Paraíba.

Os emissários marinhos – estruturas para levar o esgoto urbano para alto mar – também são afetados e algumas vezes as tubulações se rompem, poluindo as águas costeiras e impedindo o uso das praias por banhistas e surfistas. Os peixes se afastam, prejudicando o trabalho dos pescadores: pequenas e médias embarcações ficam impedidas de entrar no mar por vários dias.

Felizmente, meteorologistas conseguem prevê-las com alguns dias de antecedência: se uma massa polar está se deslocando, ou mesmo estacionada no norte da Argentina ou no Uruguai, é certo que grandes ondas atingirão estes Estados.

As tempestades em mar aberto são responsáveis por rajadas de vento, que podem ser violentas, fazem o nível do oceano se elevar em até dois metros, o que determina a chegada de ondas de cinco metros de altura, bem à frente do verificado ordinariamente. Já foram registradas ressacas marítimas que alagaram até duas quadras das cidades costeiras. A derrubada de árvores e postes é comum.

Em geral, não causam danos a edifícios e residências, mas enchem ruas e praças de lixo. Muitos banhistas desavisados já foram tragados pelas grandes ondas e parte deles se afogou, por ignorar os alertas dos serviços de climatologia, da Marinha brasileira e das prefeituras de algumas cidades.

Para verificar a altura das ondas – e também as condições de balneabilidade –, é conveniente acessar um site de previsão do tempo, especialmente entre os meses de março e outubro, período mais comum das ressacas marítimas. Esta atitude garante a diversão e a segurança.

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