Curiosidades

O que é sadomasoquismo?

Sadomasoquismo, também conhecido como S&M, é a junção de dois termos: sadismo, relacionado a pessoas que gostam de fazer os parceiros sexuais sofrerem, e masoquismo, que é exatamente o oposto: o prazer sexual e de outros tipos é alcançado apenas com o sofrimento, seja físico, seja moral; até as cócegas são incluídas, geralmente com o parceiro amarrado. As duas tendências que se complementam.

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Nem sempre as práticas sadomasoquistas envolvem sexo com penetração: é muito comum, nestas relações, a masturbação mútua ou concomitante. O sadomasoquismo não é necessariamente um distúrbio emocional ou um desvio de conduta, desde que praticado por pessoas adultas que concordem com as formas de atingir o orgasmo comuns nestes relacionamentos. São parafilias e podem ser totalmente inofensivas.

sadomasoquismo

Os praticantes do sadomasoquismo fazem parte da comunidade BDSM (bondage, disciplina, sadismo e masoquismo; bondage é o ato de imobilizar o parceiro com cordas e outros instrumentos). Eles costumam utilizar o lema SSC, que significa sexo “são, seguro e consensual”. GOR é uma variação do BDSM, criada pelo escritor americano John Norman. Em seus livros, Norman cria uma comunidade em que as mulheres são naturalmente escravas sexuais dos homens, mas também existem mulheres dominadoras e muitos praticantes alternam as situações em seus contatos sexuais.

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Isto não significa que uma pessoa, ao sentir prazer ao dar ou receber uns tapinhas durante uma transa, seja sadomasoquista. A definição desta parafilia é que o centro do prazer está justamente no sofrimento infligido ou suportado, e não no sexo em si: o orgasmo só é obtido sob estas condições.

A prática pode parecer estranha para a maioria das pessoas, mas o número de itens oferecidos em sex shops (inclusive virtuais), que vão desde roupas para encenações até objetos para comprovar a inferioridade do parceiro, demonstra que os sadomasoquistas não são uma minoria insignificante.

O sadismo

A palavra deriva de um nobre francês, o marquês de Sade, escritor famoso pelas descrições de torturas e humilhações em seus livros (“Juliette” é um exemplo) e também pelas orgias que promovia em seu palácio. A prática consiste em obter prazer sexual com o sofrimento alheio, através de tapas, socos, chicotes, choques elétricos, inserção de objetos no ânus ou na vagina, agulhas, velas acesas, óleo quente, aprisionamento com algemas, bloqueio da visão, etc. Em casos extremos, o sadismo pode estar relacionado a transtornos de personalidade antissocial, o que pode significar perigo concreto para o parceiro, seja ele masoquista ou não.

Muitas pessoas têm fantasias sádicas, mas não chegam a realizar agressões físicas, contentando-se em humilhar e dominar o parceiro.

Os desejos costumam ter início na infância e as primeiras práticas, na entrada na vida adulta. Trata-se de um fenômeno crônico, que tende a ser repetido em todas as experiências sexuais, mas, se isto não causar remorso ou vergonha, o tratamento terapêutico ou psiquiátrico é desnecessário. Pesquisas indicam que o comportamento sádico se mantém inalterado por muitos anos.

O masoquismo

O termo foi criado por um escritor austríaco, Leopold Von Sacher-Masoch, que, no século XIX, narrou em “A Vênus de Peles” a satisfação (chegando ao gozo sexual) que um personagem sentia imediatamente depois de ser subjugado e agredido pelo amante da própria esposa. O masoquismo foi descrito clinicamente pelo médico alemão Kraft Ebbing, em 1866. Os portadores desta tendência têm o princípio do prazer no sofrimento ou na humilhação.

O próprio Sacher-Masoch apreciava as práticas masoquistas. Em seus documentos recolhidos após a sua morte, há um contrato em que ele se torna escravo sexual de sua esposa, Aurora Rumelin, por um prazo de seis meses. Os livros do escritor, sempre com a presença da mulher dominante, escandalizaram a sociedade machista da época.

Em geral, o masoquista se enxerga em posição de inferioridade em relação ao parceiro dominador e, portanto, merece ser castigado. Em alguns casos, ele se contenta apenas em ser humilhado ou agredido verbalmente. Em outros, ele precisa sofrer para sentir prazer e atingir o orgasmo. Há pessoas que chegam a ser sufocadas e mutiladas, como uma forma de preliminar para a relação sexual – em geral, um ato bastante violento.

Normalmente, relacionamentos que envolvem práticas sadomasoquistas são consensuais e os jogos eróticos que serão realizados são discutidos previamente pelos parceiros. Mas é possível perguntar: como a dor pode provocar prazer? De acordo com um estudo da Universidade de Illinois, durante estas práticas, o nível do cortisol (hormônio relacionado ao estresse) cai drasticamente. Outro estudo, do Imperial College de Londres indica que a dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, também pode ser liberada como compensação pelos estímulos dolorosos.

Popularmente, o sádico é chamado de dominador e o masoquista, de submisso. O primeiro comanda a relação sexual, enquanto cabe ao segundo obedecer às ordens cegamente, sem fazer nenhum questionamento. As práticas mais comuns são o bondage e o spanking – o espancamento do submisso com as mãos ou outros objetos, como palmatórias e chicotes.

O uso de coleiras também é muito frequente nas práticas de sadomasoquismo. Entre casais, o acessório pode ser utilizado inclusive em situações cotidianas, como o trabalho e visitas a parentes e amigos. Entre quatro paredes, o dominador trata o parceiro como um animal de estimação, em jogos como “dar a pata” ou “pegar uma bolinha”. Alguns grupos S&M fazem exposições públicas de suas práticas (sem a consumação do sexo) em alguns bares frequentados pela comunidade.

O sadomasoquismo foi retratado em um dos mais recentes best-sellers: “50 Tons de Cinza”, da autora E. L. James, que vendeu dez milhões de cópias em apenas seis semanas. O livro conta a história de Anastasia Steele uma universitária distraída e inocente, que se relaciona com Christian Grey, um jovem rico e dominador.

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