O que é satanismo?

Por: Amaury de Almeida Costa

O culto a Satã, anjo rebelde na tradição judaico-cristã, é apenas o símbolo da individualidade no satanismo.

As primeiras notícias sobre satanismo surgiram na Europa, no século XVI, exatamente no período mais rígido da Inquisição católica. Na época, foi associado à magia, comum na França, Inglaterra e Alemanha. Para a Igreja, qualquer prática religiosa não cristã, a partir daí, foi tachada de satânica.

O que é satanismo?

Satã é uma figura da tradição judaica. Criado perfeito, como todos os anjos, rebelou-se contra o Criador e foi precipitado, junto com seus seguidores, no Inferno. De acordo com a tradição cristã, que assimilou o mito, Satã tenta perverter as criaturas, para fazê-las cair em tentação e perder a graça divina. A palavra, em hebraico, significa adversário e acusador.

Existem duas correntes de satanismo: a teísta ou simbólico, com rituais e até um livro sagrado, e a ateísta ou LaVey, que simplesmente adota Satã como símbolo da individualidade, livre arbítrio e autoafirmação. Seja como for, os rituais em que mulheres nuas servem como altares e bebês são sacrificados nunca foram práticas habituais do satanismo.

Surgiram esporadicamente, na Europa e América, por grupos isolados, e somente depois que a Igreja acusou os satanistas originais, num processo que ficou famoso na França, no século XVII, quando uma cartomante foi presa e em sua casa foram encontrados itens pretensamente usados em rituais de magia negra, como sangue e sêmen.

Em seu quintal, foram encontrados diversos fetos humanos (na verdade, a cartomante também fazia abortos). Atualmente, a literatura e o cinema de alguma forma estimulam esses ritos macabros.

O satanismo teísta às vezes adota formas de magia em seus ritos e no cotidiano de seus fiéis, mas a missa negra, uma espécie de inversão do culto católico, com imagens de santos e cruzes postas de cabeça para baixo, não faz parte do culto. Maçons, judeus e até iluministas foram acusados de celebrar a missa negra. O satanismo LaVey fo criado em 1966 por Anton LaVey, que escreveu a “Bíblia Satânica”. A doutrina se baseia na autoafirmação, simpatia aos amigos e destruição dos inimigos, apenas em caso de ataque. O principal pecado, segundo LaVey, é a estupidez.

No Cristianismo nascente, uma de suas vertentes vinculava a salvação dos homens ao conhecimento, baseada em uma frase atribuída a Jesus: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, inserida no Evangelho segundo São João. Mas esta corrente, o gnosticismo, foi derrotada pelos grupos que tendiam ao deísmo: a verdade chegaria pela revelação do deus que se fez homem, não pela instrução.

Na Idade Moderna europeia, com o desenvolvimento do pensamento, o repúdio à crença cega aconteceu gradual e naturalmente. Apesar de todo o barulho em torno dele, o satanismo é apenas mais uma tentativa humana de afirmação da sua vontade.

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