Saúde e Bem Estar

O que é sepse?

Trata-se de um risco de morte. A sepse é uma infecção generalizada, em órgãos e tecidos do corpo.

A sepse, uma síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS), é causada por agentes infecciosos, como vírus, bactérias e fungos, que penetram a corrente sanguínea e se distribuem por qualquer ponto do organismo. A infecção altera o sistema imunológico; como resultado, surgem reações (como inflamações descontroladas). O corpo reage com alterações na temperatura, na pressão arterial, na frequência cardíaca, na respiração e no aumento do número de glóbulos brancos.

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O que é sepse

Nas formas mais graves, a sepse pode invadir os órgãos (especialmente os rins, fígado, coração e pulmões), causando disfunções e insuficiências: é o choque séptico. A sepse demanda intervenção médica de urgência, para monitorar os efeitos e controlar as anomalias.

O termo septicemia era utilizado no diagnóstico de infecção generalizada. O termo é inexato, já que a sepse é uma reação inflamatória a uma infecção localizada em qualquer órgão do corpo humano. Esta inflamação pode inclusive paralisar um ou mais órgãos, com evidentes riscos de morte. A palavra vem do grego, com significado original de “putrefação”.

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A prevalência

Atualmente, a sepse é a principal causa de morte entre os pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI). A resposta inflamatória mata mais do que o infarto do miocárdio e alguns tipos de câncer. O motivo é que estes pacientes estão naturalmente debilitados e, desta forma, mais suscetíveis a contrair agentes infecciosos.

O Brasil apresenta um dos maiores índices de sepse do planeta. As principais causas são a falta de infraestrutura de higiene e de serviços de saúde e o sucateamento dos hospitais públicos, com raras exceções. O brasileiro (especialmente os homens) quase sempre adia o máximo possível uma consulta médica – e, neste intervalo, pode desenvolver doenças silenciosas.

O Ministério da Saúde calcula que 400 mil novos casos de sepse sejam diagnosticados a cada ano. Em 60% dos casos, os pacientes não resistem às inflamações. No mundo todo, são 200 milhões de novos diagnósticos a cada ano, com óbitos sempre acima dos 50% dos pacientes.

Os pacientes mais sensíveis à sepse são as crianças (especialmente com menos de um ano) e os idosos (acima dos 65 anos). Feridas, lesões e queimaduras que demoram a cicatrizar se transformam em portas de entrada para os patógenos. A necessidade de alimentação ou respiração assistida por longos períodos (com o emprego de sondas, cateteres, tubos a acessos na veia para a ministração de medicamentos) também é um fator de risco.

A sepse pode ser prevenida com a manutenção da caderneta de vacinação em dia, com a higienização adequada os equipamentos e instrumentos médicos e de enfermagem e com a higiene das mãos ao entrar e sair para visitar um paciente internado.

As causas

Qualquer infecção resistente pode se configurar como vetor para a instalação de uma sepse. As causas mais comuns, no entanto, são: pneumonia, infecção renal, urinária e abdominal e bacteremia (infecção da corrente sanguínea).

Alguns estudos sugerem que os casos de sepse estão aumentando no mundo inteiro. Entre as prováveis causas, estão: o envelhecimento da população, o surgimento de mutações que produzem superbactérias (resistentes a antibióticos) e o enfraquecimento do sistema imunológico, em função de AIDS, cânceres (com os efeitos colaterais da quimioterapia) e doenças crônicas, como diabetes e insuficiência renal.

A maioria dos casos de sepse é verificada em pacientes que passam longos períodos internados em hospitais, especialmente nas UTI. Por mais leve que seja, qualquer infecção pode provocar a sepse. Este é o principal motivo para reduzir o tempo de infecção. Ao receber alta hospitalar, os convalescentes devem procurar o médico se surgirem dois ou mais sintomas principais.

Os sintomas principais

É importante frisar que pessoas de todas as faixas etárias podem sofrer uma sepse. Os principais sintomas são frequência cardíaca acima de 90 batimentos por minuto, frequência respiratória acima de 20 IRPM, hipertermia (febre acima de 38°C) ou hipotermia (temperatura abaixo dos 36°C).

Um quadro de sepse está sempre associado a uma infecção. É muito importante a rapidez na identificação dos germes, já que o tratamento se baseia no emprego de medicamentos específicos. Os vírus, por exemplo, não podem ser combatidos com antibióticos. Enquanto é esperada esta confirmação, os pacientes podem receber antibióticos de largo espectro, que combatem grande parte dos fungos e bactérias patogênicos.

Quando dois ou mais órgãos são afetados pelas inflamações, o diagnóstico é de sepse grave. Ela vem acompanhada por drástica redução do volume de urina, mudanças emocionais, redução das plaquetas e dificuldades para respirar.

O choque séptico, último estágio da sepse, ocorre com a comprovação de anomalia determinante de sepse grave. Na maioria dos casos, a pressão arterial se torna extremamente baixa e a equipe de saúde não consegue reverter o quadro com a aplicação de soro.

O diagnóstico

A infecção geralmente é confirmada através de um exame de sangue. Em caso de suspeitas, os pacientes precisam ser submetidos a uma gasometria arterial (exame que avalia os níveis de gás oxigênio e de dióxido de carbono).

Também devem ser realizadas as contagens de plaquetas e glóbulos brancos, identificação de produtos de degradação da fibrina (restos de coágulos que permanecem em circulação na corrente sanguínea), interpretação do nível de lactato (que se eleva em casos de sepse e ainda mais nos choques sépticos) e exames de culturas. Dois ou mais destes indicadores classificam a SIRS.

Os médicos podem solicitar ainda exames de urina, análises de secreções pulmonares, coletas de amostras de ferimentos e exames de diagnóstico por imagem (raios-X, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética).

O tratamento

Quando o diagnóstico é feito precocemente, as possibilidades de reverter uma sepse aumentam consideravelmente. Nas infecções fúngicas e bacterianas recebem antibióticos. No caso dos vírus, o tratamento se baseia em antivirais específicos.

Também podem ser ministradas drogas para elevar a pressão arterial, corticosteroides para melhorar o balanço eletrolítico (equilíbrio de íons e água no organismo) e insulina para estabilizar o nível de açúcar no sangue.

Pacientes com sepse requerem medidas preventivas contra a trombose venosa profunda, as úlceras de estresse na mucosa gástrica, a não ser que outras recomendações já identifiquem estes efeitos colaterais da anomalia.

A terapia dirigida antecipada é indicada para os casos de sepse grave. Trata-se de uma série de procedimentos que devem ser aplicados nas primeiras seis horas depois da confirmação diagnóstica. Esta abordagem visa melhorar a pré-carga, a pós-carga e a capacidade de contratibilidade do músculo cardíaco. A técnica oferece bons resultados para a regularização do ritmo do coração e aumenta a diurese.

Em casos de cirurgias ou ferimentos que resultem em cortes graves, algumas pessoas desenvolvem abscessos (acumulações de pus em cavidades formadas acidentalmente nos tecidos). Quando isto ocorre, quase sempre é necessário voltar para a mesa de operações, para que a lesão seja extirpada.

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