Ecologia e Meio Ambiente

O que é sequestro de carbono?

Cada hectare de floresta em formação é capaz de absorver – ou sequestrar – até 200 toneladas de carbono.

O sequestro de carbono é um conceito antigo entre botânicos, mas recentemente (há cerca de 30 anos) foi introduzido na pauta do noticiário geral em função da crescente preocupação da população em geral com o aquecimento e outros temas ambientais.

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Muitas atividades humanas provocam emissão de carbono para a atmosfera. A agricultura, a pecuária e especialmente a atividade industrial lançam grandes volumes deste gás, que, combinado com o oxigênio, torna-se dióxido de carbono, uma das principais substâncias responsáveis pelo efeito estufa, que provoca o aquecimento da temperatura na Terra, com todas as suas consequências: enchentes, secas e até a destruição de algumas espécies animais e vegetais.

Todos os animais emitem carbono (na respiração e mesmo na flatulência). O problema está na concentração desta emissão. Até a Revolução Industrial (século XIX), a humanidade não prejudicava o equilíbrio destas trocas gasosas e a natureza se encarregava de manter o equilíbrio da atmosfera. Com a alteração do modo de produção, no entanto, algo mudou.

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Até mais de cem anos depois, não havia grandes preocupações ecológicas. Desde a ECO-1972, realizada em Estocolmo (Suécia), as nações e organizações internacionais começaram a demonstrar preocupação e procurar formas para reduzir o impacto ambiental. A maneira mais simples foi copiada da natureza: é o sequestro de carbono, em que as florestas absorvem o gás.

Isto ocorre porque, quando as grandes árvores estão se desenvolvendo, elas necessitam de uma grande quantidade de carbono. O carbono fica armazenado em suas raízes, tarefa “auxiliada” por algumas espécies de fungo. Nas florestas maduras, o equilíbrio entre oxigênio e carbono é mantido graças à fotossíntese, mas árvores novas absorvem uma quantidade maior do CO2, transformado em celulose, substância responsável por dar rigidez e firmeza aos galhos das plantas.

Hoje, mesmo em regiões degradadas que estão sendo reflorestadas, observa-se o mesmo fenômeno: a cada hectare plantado (e mantido, já que sua retirada interrompe o ciclo e pode até aumentar o “estrago”, caso os troncos sejam transformados em carvão), entre 150 e 200 toneladas de carbono são retiradas da atmosfera por esta espécie de filtro natural.

É importante que os projetos de reflorestamento respeitem as características do bioma em que os vegetais serão inseridos, já que espécies estranhas à flora da região podem provocar efeitos contrários aos desejados. No melhor dos casos, o sequestro de carbono alcançará níveis bem inferiores.

Isto tudo, no entanto, contraria alguns interesses econômicos: a pecuária exige novos campos de pasto, enquanto a fronteira agrícola avança sobre as grandes florestas, como a Amazônia, a floresta central da África e as matas tropicais do sul da Ásia. O sequestro de carbono ocorre também em florestas temperadas e subpolares, como as dos EUA, Canadá, Escandinávia e Rússia (Sibéria).

Por isto, trava-se uma imensa discussão entre ambientalistas e ruralistas. O centro do problema, no entanto, não é este, mas sim como garantir o desenvolvimento sem destruir (ainda mais) os recursos naturais, que são renováveis, mas demandam tempo para se recompor.

Outras soluções

O reflorestamento é a forma mais prática de ampliar o sequestro de carbono, mas não é a única. É possível devolver o carbono ao subsolo. Os gases efluentes da indústria podem ser separados por um sistema de filtros que coletam o dióxido de carbono. Em seguida, o gás é comprimido, transportado e injetado em determinados reservatórios geológicos, como um campo de exploração de petróleo em fase de exaustão, entre camadas de carvão ou em aquíferos salinos (lençóis subterrâneos cuja água é salobra e, portanto, imprópria para o consumo).

É necessário que geólogos identifiquem precisamente a profundidade destes depósitos. Os fluidos só ficam aprisionados se estiverem perfeitamente vedados, o que pode ser facilmente desestabilizado por um terremoto de alta amplitude. Durante o tsunami que varreu o sudeste da Ásia em 2004, vários depósitos de gás natural vazaram, mas os depósitos de carbono sequestrados e injetados em campos de petróleo exauridos não sofreram danos.

Novamente, a preservação esbarra em questões econômicas. Governos precisam implantar políticas para exigir que as indústrias adotem sistemas de filtragem (e fiscalizar continuamente estas atividades). O transporte e injeção do carbono é uma operação relativamente cara e, por isto, muitos empresários resistem em adotar a técnica.

Política internacional

O sequestro de carbono faz parte das medidas de “desenvolvimento limpo”, propostas pela convenção RIO-92 e ratificadas por centenas de países em 1997, em Kyoto (Japão), onde ficou definido o compromisso de reduzir em 5,2% a emissão de gás. Os EUA não assinaram o acordo.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi estabelecido em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Regularmente, o IPCC realiza reuniões entre governos e órgãos científicos para debater os avanços da preservação ambiental – ou, ao contrário, a ampliação dos efeitos nocivos da atividade industrial.

Vários projetos têm sido propostos, mas as providências efetivas são bastante ignoradas. Os países ricos não querem arcar com uma cota maior de “sacrifício”, reduzindo significativamente sua ação degradante e os países em desenvolvimento não querem abrir mão do boom econômico que aumenta seu Produto Interno Bruto. É como se dissessem: “acabei de chegar. Vão querer logo agora acabar com a festa?”

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