Esportes

O que é skydiving?

Sempre que um filme ou anúncio comercial quer criar um clima de aventura, mostra cenas de skydiving. Veja por quê.

O skydiving – literalmente, “mergulho no céu” – é uma técnica do paraquedismo que consiste na queda livre, atrasando ao máximo a abertura do paraquedas. Para serem praticados, os saltos precisam ser feitos em grandes altitudes, acima de 600 pés (cerca de 2.000 metros).

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Hormônios a mil

Durante a queda, o cérebro entende que estamos em grave perigo e dá para as glândulas adrenais liberarem adrenalina, hormônio relacionado às ações de lutar, proteger-se ou fugir. Este é o motivo por que o skydiving está sempre presente nos filmes de James Bond ou quando um anunciante decide associar a imagem do seu produto à emoção e aos esportes radicais.

Com a liberação adicional de adrenalina, ocorre o aumento da frequência cardíaca, a dilatação das pupilas (para ver melhor o perigo à frente) e tonificação muscular (preparando o corpo para a luta). Mas não é apenas esta alteração que ocorre: quando o paraquedas se abre e a queda se torna suave. Então, a hipófise começa a liberar endorfina, associado ao prazer e à euforia (a mesma situação ocorre durante um orgasmo, por exemplo).

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As características do esporte

No skydiving, em função da resistência do ar, os praticantes, caindo na posição de barriga para baixo, podem atingir uma velocidade terminal de 200 km/h. O valor máximo depende de fatores como altura, peso e coeficiente de arrasto (a força exercida sobre o corpo, que varia de acordo com a ação dos ventos).

Os skydivers experientes costumam saltar ao menos uma vez por semana e seguem uma espécie de “ritual” antes da prática. Em geral, eles têm seu próprio equipamento e se responsabilizam por checar e dobrar o paraquedas. Em seguida, ligam o AAD (dispositivo de abertura automática, da sigla Automatic Activation Device), vestem o macacão e colocam o contêiner dos paraquedas (principal e reserva) às costas. Um técnico verifica se todas as correias para ombros e pernas estão fixadas. É a hora de embarcar: alguns aviões podem levar até 20 paraquedistas.

O reserva é usado quando o principal não sai do contêiner, não infla de maneira adequada ou se enrosca nas linhas. O paraquedas principal é descartado e o pouso com segurança está garantido.

A aeronave sobe, sobre a área de pouso, até a altitude de salto, três mil metros normalmente, o que permite uma queda livre de até 45 segundos. O termo skydiving refere-se ao período entre a saída do avião e a abertura do paraquedas. Os atletas podem subir a até 4.900 metros (com um skydiving de 75 segundos) sem suprimento de oxigênio.

Um paraquedista de 80 kg em queda livre pode atingir a velocidade terminal em dez segundos. A 750 metros de altitude, ele aciona o piloto, um pequeno paraquedas que abre o equipamento principal. É o momento de se alinhar e pousar.

Para iniciantes

Quem nunca saltou deve procurar uma escola e contratar um salto duplo. O aluno salta atrelado ao instrutor e, para aguentar o peso de duas pessoas, o paraquedas é bem maior do que os utilizados nos saltos solo. O instrutor controla todo o voo. É preciso fazer alguns exercícios em terra, para aprender as manobras necessárias.

Após o salto, o instrutor abre o drogue (paraquedas de 1,20 metros de diâmetro), necessário para manter a estabilidade. Sem o drogue, a velocidade da queda livre poderia atingir até 320 km/h. Momentos antes do pouso, o paraquedas principal (também chamado de velame) é acionado.

Para continuar praticando os saltos, o aluno pode fazer o curso de QLA (Queda Livre Acelerada). O custo do curso teórico e do primeiro salto (com dois instrutores, que voam segurando o novato) sai em média por R$ 600. Uma série de quedas com instrutores (R$ 400 nos saltos com dois e R$ 300 com apenas um instrutor) permite os saltos individuais, com um mínimo de supervisão. São necessários ao menos 20 saltos e um teste para obter a habilitação “A”, que permite saltos em grupos (para formações como estrela, etc.), com pranchas (o Sky surf) e saltos noturnos, além de tentativas de quebra de recordes.

Os recordes

As quedas costumam durar poucos segundos, especialmente para os iniciantes, mas existem alguns recordes difíceis de serem quebrados. Em 1960, o piloto da Força Aérea Americana Joseph Kittinger teve registrada a queda livre mais demorada da história: 4 minutos e 36 segundos, a quase 1.000 km/h.

Dois anos depois, o russo Eugene Andreev percorreu a maior distância em skydiving: 24.500 metros, abrindo o paraquedas a menos de um quilômetro de altura.

Em 2012, o paraquedista austríaco Felix Baumgartner realizou o salto de maior altitude: 39.000 metros. Felix saltou de uma cápsula acoplada a um balão que o levou a estratosfera (a subida demorou duas horas e meia). Para evitar danos à saúde, ele precisou respirar oxigênio puro para eliminar o nitrogênio no sangue, que poderia se expandir em uma altura tão elevada. O atleta rompeu a barreira do som (a velocidade com que o som se propaga; no nível do mar, em condições normais de temperatura e pressão, ela é de 1.226 km/h).

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