Artes e Cultura

O que é socialismo?

Doutrina oposta ao capitalismo, é um sistema que pode estar morto, mas ainda tem muito a oferecer.

O socialismo surgiu na Europa, no século XIX, com os chamados românticos: Saint-Simon, Proudhon, Fourier, entre outros. Impressionados com as condições impostas pelo avanço da Revolução Industrial aos trabalhadores, estes filósofos propuseram um sistema econômico em que a riqueza fosse distribuída igualitariamente entre os habitantes. São chamados socialistas românticos ou utópicos justamente porque não propunham caminhos para atingir esta igualdade.

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Esta destinado ao alemão Karl Marx, coadjuvado por Friedrich Engels, lançar as bases do chamado socialismo científico. Para Marx, a História é a história da luta de classes: patrícios e plebeus na Antiguidade, senhores e servos durante o feudalismo, nobres e burgueses na Europa antes das revoluções liberais, proletários e donos do capital na Idade Contemporânea. Marx entendia que, com a estatização dos meios de produção – e não simplesmente a mera distribuição das riquezas – a História chegaria ao seu final, com o fim dos atritos e conflitos de classe.

Marx desenvolveu ainda a doutrina da “ditadura do proletariado”, uma espécie de preparação para o comunismo. Nesta fase, um grupo de proletários, representativo de toda a população, controlaria o Estado e administraria os meios de produção. De acordo com Max Weber, esta ditadura só levaria à burocratização excessiva do Estado e à corrupção.

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Mas para Marx a revolução socialista estava destinada a acontecer nos países em que o capitalismo já tivesse se desenvolvido e exposto suas contradições. Para ele, o país ideal era a Inglaterra, a mais avançada potência industrial da época.

Em artigos para um jornal francês, Marx comentou a influência britânica nas Índias. No primeiro texto, expôs as dificuldades impostas pelos ingleses. No segundo, avaliou tais dificuldades como positivas, afinal, elas estavam amadurecendo o capitalismo naquele país e, com isso, apressando a marcha da história.

Mas a revolução socialista acabou ocorrendo na Rússia, país praticamente feudal. E as previsões de Weber se cumpriram: Lênin, o primeiro líder, morreu; Trótski teve que se exilar e Stálin, instalado no poder, estabeleceu uma das maiores ditaduras da história. Depois vieram as declarações de Kruschev, que denunciou as barbáries da era Stálin, o Solidariedade de Lech Walesa, na Polônia, veio Gorbatchov, com a Glasnost, veio reunificação alemã, com a emblemática queda do Muro de Berlim.

Apesar disso, não se pode dizer que o socialismo está morto. Como ideia, ele reafirma a ideia da igualdade; como sistema, ele impõe dignidade ao trabalhador. As ideias social-democráticas nascem no ideário socialista. Países como Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, com sua garantia à propriedade e ao livre empreendimento, e principalmente com sua vasta rede de garantias sociais, mostram que é possível conjugar o melhor de duas propostas aparentemente antagônicas. Afinal, o que se pretende é a melhoria das condições de vida para todos.

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