Curiosidades

O que é superstição?

Superstição é a crença numa relação de causa e efeito sem constatação da racionalidade.

Desde que o pensamento científico se organizou no Ocidente, todo fato deve ser provado se forma empírica, científica ou teórica. A teoria é produzida quando se observa um fenômeno e deduz-se, a partir dos dados obtidos, estabelece-se uma hipótese, que precisa ser comprovada em todas as situações correlatas. Fora disto, toda crença é considerada superstição.

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Desta forma, qualquer forma de adivinhação (quiromancia, cartomancia, etc.), de tentar atrair bons fluidos para certos ambientes com o uso de pedras, cristais, determinada disposição de móveis e objetos (como o proposto pelo feng shui), práticas de magia e curandeirismo são formas de superstição. Isto não significa necessariamente que não sejam eficazes, apenas que não há formas de comprovar objetivamente seus resultados.

As religiões

Da mesma forma, as diversas religiões professadas por bilhões de pessoas também são um tipo de superstição. Por mais racional e coerente que pretenda ser, uma confissão religiosa parte sempre do mesmo ponto de partida: a existência de uma potência criadora (Deus, Javé, Alá, Olorum, etc.), fato que pode ser presumido, intuído, mas não comprovado.

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Predestinação (fixação irrevogável do destino), intercessão de anjos e santos, captação de energias positivas através de meditações, uso de incenso, velas, etc., recepção de curas através de passes e orações, poder de rituais e cerimônias, são outros tantos pontos que só podem ser aceitos como artigos de fé.
O importante, em termos de religião, é não cair na intransigência de considerar superstição apenas as crenças dos outros.

A superstição na ciência

Muitas ciências nasceram de crenças irracionais. A alquimia, que buscava obter a pedra filosofal para transformar chumbo em ouro, atingir a imortalidade e a cura instantânea de doenças, entre outros objetivos, deu origem à química, com seu método experimental.

Da mesma forma, a astrologia, que baseava o destino das pessoas na posição dos planetas no momento do nascimento, fez nascer a astronomia, que produziu extraordinário conhecimento sobre o universo.

No entanto, a busca da ciência também gera superstições, como a teoria da abiogênese (a teoria da geração espontânea) fez sucesso durante algum tempo no século XIX. Havia cientistas que davam receitas para a geração da vida: de acordo com uma elas, bastava colocar farinha num pedaço de tecido úmido, deixar em local escuro por alguns dias e surgiam filhotes de rato. Demorou para descobrirem que os bichinhos eram atraídos pela comida fácil.

Outro fato curioso foi a comunicação, feita na Academia Real de Londres (a sociedade científica da Inglaterra), sobre o motivo da extinção dos dinossauros: eles eram grandes demais para caber na arca de Noé.

A superstição na boca do povo

No entanto, a acepção popular da palavra é bem mais ampla. Ela é usada para explicar o uso de talismãs e amuletos que atraem boa sorte, números com poderes especiais, datas que atraem azar ou previsões a partir de fatos corriqueiros.

Por exemplo, portar uma pata-de-coelho atrai sorte (menos para os coelhos); ter um elefante de decoração em casa, com a tromba virada para a porta de entrada, previne contra a falta de dinheiro, situação garantida também pelo porte de uma folha de louro na carteira, colocado na passagem do ano.

Para o bem ou para o mal, atribuem-se poderes extraordinários para alguns números. No Ocidente, 13 é sinal de azar (menos para o técnico de futebol Zagallo). Na última ceia, havia 13 pessoas à mesa: Jesus e seus 12 discípulos.

Outros fatores de azar: passar por debaixo de uma escada, ter o trajeto interceptado por um gato preto e varrer a casa à noite, que causa infortúnio e problemas domésticos. Quebrar um espelho é ainda pior: atrai sete anos de má sorte.

Os motivos são também irracionais: uma escada aberta forma um triângulo, símbolo da Trindade, que não deve ser interceptada por humanos. Gatos pretos eram animais das bruxas da Idade Média, que às vezes incorporavam nos animais. O pânico pela quebra de espelhos ocorria porque povos antigos acreditavam que estes objetos capturavam a alma. Foram os romanos que acrescentaram os sete anos: eles imaginavam que este período correspondia a um ciclo da vida.

A varrição, especialmente se a sujeira for jogada na rua, afastaria amigos e conselheiros. De qualquer forma, não é um hábito saudável: o lixo vai para os bueiros e provoca inundações. Além disto, quem paga a limpeza das ruas somos nós mesmos.

Objetos perdidos podem ser encontrados com a proteção de São Longuinho, que deve ser recompensado com três pulos.

Uma superstição curiosa: pessoas ingerindo bebidas alcoólicas não devem brindar com quem está tomando refrigerantes ou sucos; se isto ocorrer, os desejos serão invertidos.

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