O que é teosofia?

Por: Amaury de Almeida Costa

Derivada do grego, a palavra teosofia significa conhecimento divino.

A teosofia, como é conhecida atualmente, surgiu a partir de 1875, com a divulgação dos ensinos da russa Helena Blavatsky. O conceito, entretanto, é bem mais antigo; há referências sobre a teosofia no Egito, na dinastia ptolemaica (século II a.C.), na tradição hindu (onde brahma-vidya significa sabedoria divina), no neoplatonismo (século III) e na Idade Média europeia. Na América, o termo aparece nos Anais Teosóficos da Sociedade de Filadélfia, escritos em 1697.

O que é teosofia?

De acordo com Blavatsky, a teosofia não é uma religião ou filosofia, mas a base de todos os cultos religiosos, revelação mística proporcional aos conhecimentos e tradições de cada época. Assim, desde a adoração do raio pelo troglodita até a fé racional dos europeus do século XIX, a teosofia é a inspiração que leva o homem a buscar Deus. Uma comprovação desta teoria seria o fato de que a adoração a Deus é comum a todas as culturas, mesmo sem terem travado contato umas com as outras.

A fundadora da teosofia moderna agregou diversos conceitos orientais, provavelmente aprendidos no período em que morou no Tibete. Maya (ilusão), dharma (caminho), carma (efeito de ações de vidas passadas) e reencarnação foram popularizados no Ocidente através dos teosofistas, que também incorpora elementos do Taoísmo, Cristianismo, Cabala, na busca de explicações universais.

A teosofia se baseia na existência da Divindade, na imortalidade das almas e no futuro comum a todos os seres: a transformação dos homens em mahatmas, grandes espíritos que regem o universo e entram em contato com a humanidade através de mensageiros que encarnam periodicamente para contribuir com a evolução. São os santos, profetas e missionários de todas as civilizações.

Fraternidade e autoconhecimento são as chaves da evolução, que levam os homens a vivenciar estados de consciência cada vez mais elevados. Preservar-se contra a fé cega, a intransigência e o dogmatismo são outros fatores para o desenvolvimento humano. O mal é produto da ignorância e tende a desaparecer com a disseminação do conhecimento divino, que é, para a teosofia, o único conhecimento que deve ser buscado, já que reúne todo a aprendizado necessário para a imortalidade. Numa época em que as igrejas ocidentais se apegavam a seus dogmas e perdiam fiéis para a ciência, que evoluiu muitíssimo no século XIX, a teosofia veio pregar que “não há religião superior à verdade”.

Os teosofistas acreditam que o homem tem sete princípios: corpo denso, corpo vital, duplo etérico, corpo astral, alma humana, alma divina e essência divina. Os quatro primeiros, conhecidos como quaternário inferior, são destrutíveis, enquanto os três últimos, espirituais, são imortais. É uma fusão de princípios hindus e neoplatônicos.

O objetivo da teosofia é implantar a fraternidade universal através do estudo comparado de filosofia, religião e ciência e dos potenciais do homem. Não há ritos, apenas reuniões e palestras para atingir esta meta.

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