Comportamento

O que é terapia de regressão?

Terapia de regressão – terapia das vidas passadas ou terapia de regressão da memória – é o processo terapêutico que permite vivenciar experiências do passado remoto. O objetivo é a superação de bloqueios, fobias, sofrimentos e diversos outros sintomas. O procedimento tem como base a hipnose do paciente, para fazê-lo voltar a determinados momentos axiais de sua história.

Nossos problemas emocionais podem estar no passado. Este é o campo de trabalho da terapia de regressão.

Terapia de regressão – terapia das vidas passadas ou terapia de regressão da memória – é o processo terapêutico que permite vivenciar experiências do passado remoto. O objetivo é a superação de bloqueios, fobias, sofrimentos e diversos outros sintomas. O procedimento tem como base a hipnose do paciente, para fazê-lo voltar a determinados momentos axiais de sua história.

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A terapia de regressão recebeu muitas críticas justamente em seu período de maior popularidade, ocorrido na década de 1980. Muitos profissionais mal formados (ou com nenhuma formação na área) passaram a oferecer serviços de regressão a vidas passadas sem nenhum preparo. O resultado foi a eclosão de dezenas de reencarnações da rainha egípcia Cleópatra, inclusive entre algumas celebridades.

Na verdade, a terapia raramente descobre a identidade de encarnações anteriores e nunca permite a vivência de situações cotidianas ou felizes. O objetivo da terapia de regressão é encontrar episódios traumáticos na história dos pacientes, para analisá-los com os instrumentos da psicologia clássica.

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A expressão “terapia das vidas passadas”, como é mais conhecida a terapia de regressão, foi cunhada pelo psicólogo americano Morris Netherton, em 1967, no livro “Vidas Passadas: Uma Abordagem Psicoterápica”. Ele próprio submeteu-se ao tratamento depois de sofrer com um sonho recorrente, em que estava embarcado num navio que naufragava. Durante as sessões, ele recordou o acidente e seu antigo nome. Depois de pesquisar em jornais antigos, encontrou a notícia do naufrágio e seu nome na relação de vítimas.

De acordo com Netherton, a terapia de regressão não tem relações com ocultismo, nem com rituais. O único ponto de contato é a admissão (ao menos em tese) da teoria da reencarnação. Para ele, o tratamento não diverge fundamentalmente de outros métodos, como a terapia comportamental cognitiva e outros que fazem uso da hipnose. Mesmo os céticos podem ser submetidos, interpretando o material obtido nas sessões como imaginação, não como um retorno real a uma vida passada.

O terapeuta visitou o Brasil algumas vezes e ministrou alguns cursos, origem dos principais institutos que utilizam este instrumento no tratamento. Netherton considera o inconsciente como um gravador, que registra todas as experiências vivenciadas pelo ser – e muitas delas podem ser nocivas para o equilíbrio psicológico.

A técnica

A metodologia desenvolvida pelo psicólogo, chamada hipnose ativa, é simples. Em estado alterado de consciência, o paciente regressa a um passado anterior à vida atual, onde encontra um reservatório chamado “memória extracerebral”.

Ao atingir este depósito de memória – na verdade, o núcleo do trauma responsável pelo sofrimento –, o inconsciente libera o material psíquico, em um processo que o médico austríaco Sigmund Freud classificou como catarse, com um alívio significativo nos sintomas. Em seguida, os fatos traumáticos anteriores são tratados a partir de diversas técnicas psicoterapêuticas.

Para Freud, catarse é a provocação de uma explosão emocional. O procedimento é empregado para encontrar acontecimentos negativos marcantes na vida dos indivíduos. Destes traumas, surgem males psíquicos, sempre alimentados pelas emoções reprimidas, não reconhecidas, mas armazenadas no inconsciente. Estas emoções são responsáveis por condutas inadequadas ou por dores e desconfortos. A superação ocorre somente através da hipnose.

A palavra “catarse” vem do grego e, de acordo com o filósofo Aristóteles, representa uma “limpeza da alma”. Traçando-se um paralelo, a confissão (um dos sacramentos entre os católicos), é uma forma de catarse: ao confessar os pecados e cumprir a penitência, o fiel se sente livre da culpa e dos maus sentimentos que a acompanham.

A hipnose, no entanto, não é adotada por todas as escolas da terapia de regressão. Ela é um instrumento útil por permitir a condução, pelo terapeuta, a estados alterados de consciência ou ao transe regressivo propriamente dito, onde é desencadeada a vivência de vidas passadas. Mas outras metodologias empregam a autopesquisa, em que o psicólogo encaminha o paciente para a avaliação constante de algumas dificuldades pessoais.

Em determinado momento, o paciente regride sem auxílio da hipnose, obtendo flashes de vidas passadas, em sonho ou em estado de vigília. Para algumas correntes, isto se torna possível a partir de sonhos telepáticos, em que o espírito se desdobra (abandona temporariamente o corpo) e entra em contato com mentores, amigos e parentes de outras vidas.

Brian Weiss

É um psiquiatra americano que desenvolveu o interesse pela terapia de regressão a partir de 1980, quando uma paciente (designada Catherine) passou a descrever experiências ocorridas em vidas passadas. O médico não acreditava em reencarnação, mas, face aos relatos de Catherine e à comprovação dos mesmos em pesquisas em arquivos públicos, convenceu-se da sobrevivência de alguns elementos depois da morte física e da sua continuidade em outros corpos.

A reencarnação é uma crença ancestral, comum, por exemplo, aos egípcios antigos, gregos, chineses e indianos. A tese foi retomada no século XIX, após a publicação de “O Livro dos Espíritos”, em 1857, por Allan Kardec, na França. A obra é o marco inauguratório do Espiritismo, religião professada por 5% dos brasileiros (o país é a maior comunidade espírita do mundo).

Weiss tem tratado pacientes com a terapia de regressão com sucesso, ao longo dos últimos 35 anos. Para ele, muitas fobias e doenças têm suas raízes nas vidas passadas. O fato de o paciente obter lembranças de períodos de sofrimento ocorridos em vidas anteriores exerce efeitos positivos e mesmo curativos.

O médico, que é presidente emérito do Departamento de Psiquiatria do Mount Sinai Medical Center, em Miami, apresentou uma nova tese à teoria reencarnacionistas: a terapia de progressão a vidas futuras, sempre utilizando a hipnose ativa. O futuro, para ele, é resultado das escolhas tomadas na vida atual ou em vidas anteriores.

Refutação

Muitos psicólogos e psiquiatras rejeitam a teoria da regressão. Para eles, as vivências afloradas durante as sessões da terapia de vidas passadas são memórias falsas e, em muitos casos, apenas sugestões dos terapeutas, aceitas inconscientemente pelos pacientes.

Os profissionais que trabalham com esta linha psicoterapêutica, em geral, alegam neutralidade religiosa, mas o vínculo entre Espiritismo e algumas tradições orientais, como o Hinduísmo e o Budismo, e terapia de regressão é muito forte.

Para o Conselho Federal de Psicologia, a cura acontece em função do estado de conforto proporcionado pela identificação entre paciente e terapeuta. A pessoa já se sente aliviada pelo simples fato de ter encontrado uma explicação para o seu problema. O conselho não reconhece a terapia de regressão, que é classificada como tratamento alternativo.

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