Saúde e Bem Estar

O que é tricotilomania?

Tricotilomania é a necessidade compulsiva por arrancar cabelos. Entenda como funciona.

Conhecida pela abreviatura TTM, a tricotilomania é um distúrbio crônico cujos principais sintomas são de analisar constantemente os cabelos, encaracolando-os ou puxando-os com a ponta dos dedos, especialmente durante a execução de atividades simples e de recreação, como ver TV, ficar parado no trânsito e nos momentos que precedem o adormecer.

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Trata-se de um comportamento compulsivo: quem sofre com a tricotilomania sente-se pressionado a arrancar os cabelos, sobrancelhas, pelos pubianos e, no caso dos homens, também os da barba, do peito e dos membros. Após a retirada dos pelos, segue-se uma reação imediata de tranquilidade e bem estar, logo acompanhada pelo sentimento de remorso. Em dez pacientes, oito são homens.

Crianças também pode exibir este comportamento, mas, neste caso, ele é heteroagressivo: em geral, o alvo da depilação predatória são os animais de estimação que vivem na casa, especialmente os mais dóceis. Ao identificar a conduta, os pais devem conversar com pedagogos e psicólogos escolares, profissionais aptos a indicar o melhor encaminhamento.

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A tricotilomania provoca problemas de saúde, ao expor o couro cabeludo a traumas e à ação do Sol (os cabelos ajudam a manter a temperatura intracraniana) e ao abrir falhas nas sobrancelhas, permitindo que o suor da testa escorra em direção aos globos oculares. Os principais problemas, porém, são estéticos. Muitos portadores do distúrbio arrancam uma quantidade tão excessiva de fios que abrem áreas de calvície bastante visíveis.

Isto provoca uma introspecção natural que leva, no médio prazo, a dificuldades de relacionamento pessoal e profissional. Quando não é possível esconder as falhas – e os tricotilômanos fazem todas as tentativas possíveis, inclusive tentando pintar as áreas calvas – as pessoas que sofrem deste mal tentam isolar-se socialmente, com graves danos para a autoestima. Eventuais críticas à aparência não convencional parecem agravar o quadro.

Seja como for, a tricotilomania é uma doença, sejam quais forem as suas causas, hereditárias, físicas ou emocionais, e está classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas. Com esta abordagem, deve ser tratada, inclusive pelos sistemas públicos de saúde.

Quem sofre com este mal tende a brincar com os pelos arrancados, numa conduta semelhante à dos autistas, apesar de não haver relação entre os dois problemas. Tocam os pelos, enrolam-nos, tentam sentir algum cheiro, esfregam-nos nos lábios e, em casos extremos, podem comê-los – é a tricotilofagia.

Quando isto ocorre, o portador pode sofrer com enjoos, vômitos, perda de apetite, bloqueio gastrointestinal, dores abdominais e até hemorragias internas, quando uma quantidade excessiva de pelos deposita-se no estômago e duodeno, órgãos incapazes de processá-los ou eliminá-los. Em alguns casos, é necessária a cirurgia para remoção dos fios, que podem ser encontrados até nas primeiras porções do intestino delgado, inclusive jejuno e íleo.

Em geral, adolescentes e adultos que desenvolvem a tricotilomania sabem que seu comportamento é ilógico e irracional e, por isto, tentam escondê-lo das pessoas mais próximas; em outras palavras, sofrem e sentem-se envergonhados, mas não conseguem resistir à compulsão. Por isto, é preciso que familiares e amigos estejam atentos, para conversar francamente sobre o assunto e procurar o auxílio necessário.

Na maioria dos casos, a tricotilomania surge entre a puberdade e os primeiros anos da vida adulta e, se não tratada adequadamente, pode levar à calvície total, já que os folículos capilares não têm condições de se recuperarem com os constantes ataques, enfraquecem-se e deixam de executar as suas funções.

Em alguns casos, a agressão também atinge as glândulas sebáceas, alterando suas funções. Quando elas passam a trabalhar em excesso, provocam acne e bloqueio dos poros; quando produzem menos que o necessário, aumentam a exposição das células epiteliais à poluição, ao cloro presente nas piscinas e aos raios ultravioleta, gerando doenças dermatológicas.

As causas

Ainda não existem estudos conclusivos, mas a tricotilomania pode ser causada por desequilíbrios químicos, depressão, TOC (transtorno obsessivo compulsivo), ansiedade e distimia (uma forma mais leve de depressão).

Quimicamente, a tricotilomania pode estar associada a questões genéticas, que provocam a redução da produção da serotonina, neurotransmissor relacionado ao prazer e ao bem estar. A carência de serotonina está relacionada também a transtornos de humor, que podem conduzir a um transtorno bipolar (quando o paciente alterna fases de tristeza e mania, que pode se manifestar como autossuficiência), impulsividade ou insegurança.

O tratamento

Atualmente, terapeutas são unânimes em indicar a psicoterapia comportamental cognitiva, com o uso do treinamento de reversão de hábitos. O paciente é gradualmente conduzido a facear as condutas inadequadas, os fatores que as desencadeiam e as melhores formas para evitá-los ou superá-los. A tricotilomania está associada a tensões, seguidas de momentos de relaxamento, e o paciente aprende a utilizar formas positivas para eliminar o estresse.

Em alguns casos, o tratamento medicamentoso é indicado e, neste caso, o profissional recomendado é o psiquiatra. Medicamentos ansiolíticos e antidepressivos podem auxiliar na terapia e os seletivos de captação de serotonina reduzem a impulsividade, ansiedade e compulsão. As drogas são gradualmente reduzidas e finalmente retiradas, quando o paciente encontra mecanismos internos para superar seus medos.

Os cabelos podem voltar a crescer no longo prazo – entre dois e seis anos –, se o trauma não for muito extenso. Uma “muleta psicológica” é o uso de chapéus, bonés e véus nesta etapa do tratamento, para garantir uma apresentação social aceitável.

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