Comportamento

O que é um catfish?

É uma pessoa que cria falsas identidades. Conheça um pouco mais sofre os catfish.

A internet é um excelente instrumento de comunicação: encurta distância, permite o reencontro de amigos que se perderam no tempo, permite de simples bate-papos e grupos de estudos básicos a importantes reuniões corporativas e mesmo à participação em cultos religiosos. No entanto, ela é também o “berço” dos catfish.

Publicidade

Desde o surgimento do ICQ – acrônimo feito com base na pronúncia das letras em inglês: “I Seek You”, em português: eu procuro você –, o primeiro programa de mensagens instantâneas da rede mundial (em 1996), ficou mais fácil contatar amigos, colegas e parentes.

Também ficaram facilitadas as conversas com estranhos que participavam de chats e podiam ser adicionados a relação de “amigos”. Neste momento, surgiram os primeiros catfish. De lá para cá, eles passaram a representar boa parte dos internautas, especialmente nos sites de encontros.

Publicidade

Os primeiros chats ainda não tinham tecnologia para permitir que os usuários publicassem fotos, o que facilitava bastante a vida dos catfish: um senhor de meia idade podia simplesmente sentar-se à frente do computador e apresentar-se como um surfista de 18.

A evolução

Com o tempo, as salas de bate-papo – o primeiro campo de ação dos catfish – passaram a oferecer a possibilidade de postagem (e, posteriormente, de vídeos e áudios). Isto, no entanto, não se tornou um problema. Os criadores dos perfis falsos simplesmente começaram a capturar fotos de atletas, modelos e atores.

Nas redes sociais, também surgiram novos desafios. É necessário criar uma página pessoal, com amigos, fotos de vários momentos, etc. Mais uma vez, os catfish mostraram ser bastante criativos e superaram o novo obstáculo. Isto se deve principalmente porque muitas pessoas aceitam “solicitações de amizade” sem fazer ideia de quem é o solicitante.

Desta forma, a lista de amigos pode crescer indefinidamente. “Incorporar” a identidade de um artista desconhecido, ou que faz sucesso do outro lado do mundo, roubando imagens e vídeos nas mais diversas ocasiões, foi ainda mais fácil.

Atualmente, existem sites especializados em fornecer “novas vidas”, em troco de valores modestos. Basta acessar, escolher o tipo mais adequado, criar um novo perfil e sair à caça de novos incautos virtuais. Alguns catfish fazem isto apenas para se divertir, mas a maioria das conversas tem conotação sexual. O(a) apaixonado(a) do outro lado pode estar sem transformando, sem saber, em “castelo” para a masturbação.

Peixe-gato

Catfish é a expressão inglesa para peixe-gato, uma espécie da família dos bagres. Os catfish se caracterizam pela voracidade e pela predação. Estes peixes têm hábitos noturnos e preferem viver no fundo das águas, junto ao leito dos rios.

A expressão foi cunhada a partir de um documentário americano, que explica as verdades e mentiras dos relacionamentos online.

Posteriormente, tornou-se reality show e seriado na MTV. No reality, os participantes precisam descobrir se uma relação amorosa é real ou apenas fruto de um catfish.

Os catfish podem causar alguns problemas. Em 2012, um jovem universitário vinha se destacando na liga de futebol americano e despontava como um novo astro do esporte. Talvez visando à autopromoção, Manti Te’o (este é o nome do atleta), criou uma história nas redes sociais.

Ele criou uma namorada, Lennay Kekua, estudante da Universidade Stanford (Califórnia), que teria sofrido um acidente de automóvel e, durante a internação hospitalar, descobriu que tinha câncer. Neste meio tempo, a “avó” de Te’o, como ele próprio divulgou, morreu. Horas depois, foi a vez de a namorada entregar a alma a Deus.

Te’o viu a sua candidatura ao Troféu Heisman (ofertado ao melhor jogador da temporada de futebol americano universitário). Continuou aparecendo bastante abalado nas redes sociais e na TV. Foram os 15 minutos de glória.

No dia da final nacional, uma rede de TV, antes da transmissão, colocou uma foto e um áudio de Kekua no ar. Aconteceu a peripécia da história. Uma telespectadora reconheceu-se como “a namorada de Te’o” – as fotos haviam sido roubadas de sua página no Facebook e surgiram no Instagram e no Twitter da “falsa amada” morta precocemente.

Descoberta a fraude, a Universidade de Notre Dame (Indiana), divulgou uma nota afirmando que o jogador havia sido vítima de uma brincadeira de mau gosto. A tentativa de incriminar um amigo de Te’o, responsável pela criação de Kekua, porém, não deu certo.

O linebacker já havia dado entrevistas narrando diversas viagens com a namorada, inclusive para Honolulu (Havaí), sua cidade natal.

Repórteres de diversos veículos saíram em busca de informações e descobriram que não havia nenhum registro de óbito de Lennay Kekua na Universidade Stanford.

O destaque obtido pelo atleta que teria um grande futuro no mundo obtido caiu por terra, assim como as suas probabilidades de receber o Troféu Heisman. Este é apenas um caso de catfish, que ganhou notoriedade por envolver um famoso.

As consequências

A maioria das vítimas dos catfish são mulheres jovens, entre os 15 e 30 anos. Dificilmente um adolescente do sexo masculino tem paciência para manter um relacionamento virtual durante semanas ou meses sem conhecer a sua parceira no mundo real. Mesmo assim, alguns rapazes também caíram no golpe.

Especialmente entre as mais jovens, muitas garotas passam meses e até anos trocando mensagens pela internet. Elas aguardam ansiosamente pelo horário do “encontro”, acreditam em desculpas esfarrapadas, como “minha webcam não está funcionando”, “preciso trocar meu computador” ou “não encontro minha câmera digital de jeito nenhum”. Algumas pessoas chegam a viajar centenas de quilômetros para concretizar o pequeno encontro – horas depois, recebem a mensagem: “fiquei esperando você; não disse que vinha?”.

O resultado, como não poderia deixar de ser, é a desilusão amorosa, que pode prejudicar as vítimas pelo restante da vida. Desconfiança, ansiedade em relação a encontros reais, isolamento, são alguns resultados deste verdadeiro bullying virtual.

Definitivamente, os catfish deveriam entrar para o mundo das artes. Com certeza, eles arrebatariam todos os prêmios por suas atuações perfeitas. A capacidade de persuasão destes internautas impressiona, mas especialistas afirmam que ela é um componente relacionado a diversos transtornos psíquicos – entre eles, a mitomania e a baixa autoestima.

Seja como for, a prática do catfish é crime em diversos locais do mundo, inclusive no Brasil. Mesmo não havendo legislação específica sobre o tema – e talvez nunca haja, dada a velocidade com que novos crimes se multiplicam –, cibercriminosos podem ser enquadrados em diversos artigos do Código Penal e do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Publicidade

Deixe uma resposta