Comportamento

O que é viagem astral?

Todas as crenças afirmam que o homem é mais que o corpo. Para algumas, este algo a mais pode se desprender: é a viagem astral.

Experiência fora do corpo, desdobramento, projeção da consciência, viagem astral, são expressões utilizadas para designar estados alterados de consciência em que qualquer pessoa, induzida ao sono profundo por meio de meditação, relaxamento, hipnose e outras técnicas, desprende seu eu íntimo, espírito ou alma e passa a atuar numa outra dimensão vibratória, onde entra em contato com outros seres no mesmo estado e também com pessoas que já passaram pela morte.

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Algumas crenças entendem que a viagem astral pode ocorrer espontaneamente, durante o sono natural. Os motivos são os mais variados: visitar parentes mortos, receber conselhos e advertências, conviver com entidades com virtudes ou vícios semelhantes, estudar ou receber tratamentos para o corpo físico, a mente e a alma. As formas como isto ocorre, no entanto, variam de acordo com a corrente filosófica ou religiosa, e são muitas escolas ligadas à Nova Era que acreditam no fenômeno.

De acordo com o Espiritismo, a viagem astral (desdobramento) é um dom mediúnico. Os espíritas acreditam que todos os encarnados possuem três veículos de comunicação: o corpo físico, o espírito (o ser criado por Deus) e o perispírito, uma espécie de elo entre os dois, constituído por matéria física muito tênue, que não se destrói com a morte, mas funciona como o instrumento para a manifestação do espírito entre as encarnações. É com o perispírito que o encarnado viaja para outras dimensões.

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Esta corrente religiosa acredita que todos os indivíduos são médiuns (sofrem a ação benéfica ou não dos desencarnados), apesar de haver alguns em que o fenômeno e mais ostensivo. Assim, todos estão suscetíveis a viagens astrais, especialmente durante o sono.

A Projeciologia, criada em 1962 pelo pesquisador americano Sylvan Muldoon e organizada pelo brasileiro Waldo Vieira, entende que todas as manifestações mediúnicas resultam da viagem astral (no caso, chamada de projeção). Vidência, clariaudiência, psicofonia (incorporação) e outros fatos paranormais são sempre resultantes de uma viagem astral inconsciente: o médium, sem perceber que está fora do corpo, imagina estar ouvindo e vendo imagens e sons do astral, ou “dando passagem” para que uma entidade se manifeste, enquanto, na verdade, ele próprio está no astral, relacionando-se diretamente com estas entidades e não se tornando apenas um canal para a sua manifestação.

A Apometria acredita que a viagem astral pode ser utilizada para os mais diversos tratamentos espirituais e de saúde. O paciente é induzido ao desdobramento e o espírito é encaminhado a hospitais do astral, onde recebe os cuidados necessários, enquanto o corpo físico é protegido pelos médiuns e seus mentores. No caso de desordens espirituais, os obsessores – espíritos que prejudicam os encarnados – são isolados e encaminhados para locais de correção, para uma posterior reencarnação.

A explicação da ciência

Muitos pacientes que sofreram morte cardíaca e foram ressuscitados relatam fatos com muitos pontos em comum: a experiência de se ver pairando acima do corpo (inclusive observando as tentativas da equipe médica), o surgimento de uma luz brilhante, como se estivesse no fim de um túnel, o encontro com familiares e amigos já mortos e, por fim, a orientação para o retorno. São as experiências de quase morte (EQM).

Alguns experimentos controlados em laboratório, como a estimulação elétrica do lado direito do cérebro, ilusões de óptica controladas, também para estimular o hemisfério direito, provocam os mesmos efeitos, assim como estudos clínicos de casos de privação do sono, alguns traumas, estresse e variações abruptas da atividade emocional.

Seja como for, a maioria dos cientistas atualmente discorda da tese de que os hemisférios cerebrais controlem atividades isoladamente. Praticamente todas as tarefas do corpo dependem da atuação global do cérebro. Isto só não acontece no caso de lesões, em que apenas uma área responde pelos movimentos e ações dos órgãos e sistemas e, como existem muitos casos documentados de pessoas que perderam parte do cérebro e não tiveram comprometidas suas funções, aparentemente a atividade específica da área lesada é transferida para outras partes do sistema nervoso.

A viagem astral também pode ser induzida com o uso de algumas drogas, como cloridrato de cetamina (anestésico largamente utilizado, o que pode explicar a EQM), galantamina (que ativa a memória, usada no tratamento do mal de Alzheimer) e metanfetamina (com diferentes aplicações, desde o tratamento da hiperatividade ao da obesidade mórbida), dextrometorfano (presente em muitos xaropes). Todas estas substâncias são usadas como drogas recreativas. A dimetiltiptramina (princípio ativo da ayahuasca) é usada em ritos religiosos.

Seja para obter uma experiência psicodélica, seja para se integrar à consciência cósmica, estas drogas proporcionam vivências semelhantes à viagem astral, que sempre são interpretadas de acordo com as crenças pessoais do usuário.

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