Artes e Cultura

O que foi o nazismo?

Nazismo é a abreviatura de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, cujo articulador e principal líder foi o austríaco Adolf Hitler. Para entender o fenômeno, é preciso entender o contexto em que o partido nazista surgiu.

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Legenda: O símbolo do partido nazista.[/caption]

Ao final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Alemanha estava derrotada e destruída. Para piorar a situação, foi obrigada a concordar com uma série de concessões humilhantes durante as negociações de paz com os países formadores da Tríplice Entente – Reino Unido, França e Império Russo – e seus aliados de menor expressão naquele conflito, como os EUA.

A população alemã ficou marcada pelas humilhações, pela destruição de suas cidades e áreas agropecuárias, pela perda de territórios (especialmente a Alsácia-Lorena, região de maioria alemã reconquistada em 1870, com o fim da Guerra Franco-Prussiana, mas retomada pela França em 1918) e pelos muitos efeitos negativos da guerra, que se refletiram em todos os aspectos da vida social, cultural e econômica.

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A República de Weimar

A reorganização política da Alemanha teve início com uma série de reuniões realizadas na cidade de Weimar, onde foi redigida uma nova constituição, que deu outras diretrizes para o país. Entre outras facções políticas, militares e paramilitares, o nazismo participou da República de Weimar e tornou-se uma das principais vozes de oposição à nova ordem instituída.

Legenda: O ditador alemão Adolf Hitler, idealizador do nazismo.

Legenda: O ditador alemão Adolf Hitler, idealizador do nazismo.

Nazistas, membros das Forças Armadas e militantes comunistas (entre eles o Movimento Espartaquista, liderado por Rosa de Luxemburgo, uma das principais líderes inspiradas pela Revolução Russa de 1917) contribuíram para desestabilizar a República de Weimar, mas o regime conseguiu resultados satisfatórios entre 1924 e 1929, principalmente em função de investimentos estrangeiros, a maioria deles captados nos EUA.

Em 1929, no entanto, sobreveio uma das piores crises econômicas da história. A Bolsa de Valores de Nova York (EUA) sofreu forte desvalorização, em função da especulação financeira. O desastre da bolsa americana provocou um efeito dominó, derrubando ações de todos os países do mundo e prejudicando intensamente as exportações.

Para citar apenas um exemplo, o Brasil tinha no café o seu principal produto de exportação (na verdade, o país era conhecido por ter apenas um produto a oferecer ao mercado internacional). Os preços das sacas do grão sofreram uma desvalorização tão forte que muitos fazendeiros chegaram à conclusão de que o prejuízo seria menor se deixassem o café apodrecer na plantação, eliminando os custos da colheita, secagem, etc.

Além dos agricultores, toda a cadeia produtiva brasileira foi afetada, do transporte ao embarque nos navios graneleiros. O fato se repetiu em todo o planeta, provocando forte estagflação (um conjunto de recessão e inflação muito alta). A Alemanha, ainda muito fragilizada pelos efeitos da guerra, conheceu a hiperinflação e, com ela, seus efeitos perversos: desemprego, desabastecimento e profundo esgarçamento do tecido social. Literalmente, a economia alemã naufragou.

Hitler em ascensão

O futuro ditador, nascido em 1889, havia participado da Primeira Guerra ao lado dos perdedores, a Tríplice Aliança. Encerrado o conflito, Hitler integrou um grupo de ex-combatentes, trabalhadores desempregados e membros da classe média empobrecidos.

Este grupo gradualmente desenvolveu a bandeira de “devolver a dignidade para a Alemanha”. O grupo se baseava no passado militarista alemão e seus trunfos no século XIX e foi o embrião do partido nazista, base ideológica do terceiro império, o Terceiro Reich. Os dois anteriores foram o Sacro Império Romano Germânico (962-1806, dissolvido pelas Guerras Napoleônicas) e o governo implantado por Otto Von Bismarck, que finalmente unificou a nação (1871-1918, ou entre os finais da Guerra Franco-Prussiana e da Primeira Guerra).

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Em 1923, quando a República de Weimar ainda se organizava, Hitler e seus correligionários tentaram dar um golpe de Estado, que ficou conhecido como “Putsch da Cervejaria” (putsch significa golpe, em alemão). O levante teve início em Munique, na Baviera, mas o exército nacional e as autoridades policiais conseguiram conter os rebeldes.

A ideia de Hitler era imitar Benito Mussolini, ditador italiano, e a sua “Marcha sobre Roma”. À época, a Baviera gozava certa autonomia política e o ditador pretendia, depois de controlar o território, liderar uma marcha até a capital, Berlim. A tentativa não deu certo, Hitler e muitos líderes foram presos, mas eles tinham aliados na Justiça: eram temerosos do esquerdismo que se fortalecia e adeptos dos sentimentos nacionalistas.

Durante o processo, os juízes permitiram que o líder rebelde fizesse a sua própria defesa, sem limite de tempo, fato que transformou o julgamento em uma grande peça de propaganda. Condenado a apenas nove meses, Hitler aproveitou o tempo para escrever “Mein Kampf” (minha luta), uma espécie de ideário do partido nazista.

Retomando a trajetória política, Hitler conseguiu, durante a década de 1920, eleger vários representantes da República de Weimar, cada vez mais debilitada. Ele próprio foi nomeado chanceler, o segundo posto mais importante da nação. Em 1933, após o incêndio do Parlamento (atribuído aos comunistas), o partido nazista passou cada vez mais a pressionar o presidente Paul Von Hindemburg a conceder-lhes plenos poderes.

No ano seguinte, teve início a ditadura nazista. Com a morte de Hindemburg, Hitler tornou-se oficialmente o “führer”: senhor e comandante de todos os alemães. As poucas instituições democráticas foram desmanteladas com censuras e nomeações arbitrárias: o regime assumiu características assumidamente autoritárias.

Características do nazismo

Apesar de 200 anos de liberalismo na Europa, com a difusão de ideais de liberdade e igualdade, o nazismo sempre acreditou em que o povo devia ser controlado para que o governo pudesse definir suas diretrizes. Hitler conseguiu isto com um forte aparato de propaganda, que preconizava a superioridade da raça ariana (branca). Ele próprio fazia discursos inflamados sobre estes temas, que seduziam especialmente os adolescentes e jovens.

O ódio a determinados grupos, tais como ciganos e algumas nações vizinhas (como a Polônia e a Áustria) evoluiu para teorias eugenistas, como o antissemitismo (sentimento que permitiu a morte de seis milhões de judeus em campos de concentração durante a guerra). As características racistas do nazismo são uma de suas principais características.

O partido nazista também desenvolveu uma estratégia baseada nas atividades dos fascistas italianos, que haviam chegado ao poder em 1922, com táticas de intimidação especialmente contra jornalistas e comunistas, mas também contra padres e judeus, além de sistematicamente perseguir sindicatos e empastelar as suas sedes.

O nazismo desenvolveu também o conceito de “espaço vital”. Os arianos germânicos precisavam de mais terras para produzir, mesmo que este espaço fosse tomado de outros povos, considerados inferiores. Com esta ideologia, Hitler invadiu a Áustria, em 1938, no episódio histórico chamado “Anschluss” (ou anexação). Os tratados do armistício da Primeira Guerra proibiam expressamente qualquer associação entre Alemanha e Áustria, mas habitantes deste país que falavam alemão viram com bons olhos a chegada das tropas nazistas.

Em setembro de 1939, os alemães invadiram o Corredor Polonês, uma estreita faixa de terra, com 150 km de extensão, na fronteira dos países. O território, com largura entre 30 km e 80 km, foi alvo de disputa desde a independência da Polônia, em 1919. Acabou sendo também o estopim da Segunda Guerra: França e Inglaterra imediatamente ergueram armas contra a Alemanha, em um conflito que

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