Família e Relacionamento

O que não se deve falar para as crianças

Nem sempre as crianças entendem o que os adultos falam. Muita coisa não deve ser dita a elas.

As crianças não entendem muitas sutilezas do idioma. É comum vê-las correndo para a janela quando alguém diz: “está chovendo canivetes”.

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Voltam um pouco frustradas, porque não conseguiram ver canivete nenhum. No dia a dia, a mensagem dos pais não é entendida corretamente.

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Por isto, é preciso entender o que não se deve falar para as crianças.

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Na maioria das famílias, é comum “descrever” as crianças com um único adjetivo: Joãozinho é chorão, Mariazinha é desengonçada, Zezinho é um palhaço. A repetição constante faz com que elas cresçam acreditando na descrição feita pelos pais, desenvolvendo defeitos e inabilidades. Crianças não são isto ou aquilo: elas detêm um repertório muito amplo e devem ser estimuladas a experimentar todas as possibilidades.

As qualidades também não devem ser exaltadas com frequência exagerada: Pedrinho é muito inteligente, Babi é craque em esportes. Ao ouvir isto diariamente – e, em alguns casos, várias vezes durante o dia –, as crianças podem se sentir pressionadas a corresponder a estas descrições. Em vez de elogiar as qualidades, os pais precisam enfatizar a importância dos esforços empreendidos.

Crianças são sempre inteligentes e, em maioria gostam de esportes. Isto não significa que se tornarão doutores ou campeões olímpicos. É importante lembrar que as crianças estão em uma intensa fase de aprendizado – e aprender inclui a possibilidade de errar.

Prêmios

Promessas de brinquedos e doces para que as crianças façam o que devem fazer não são a melhor maneira de educar. Dizer para uma criança:

“se você arrumar o quarto, vamos tomar sorvete” ou “se você tirar dez na prova, vai ganhar um videogame novo” são estratégias que só farão os filhos cumprirem suas obrigações quando se sentirem recompensadas.

Nada contra os presentes, até porque é uma delícia ver o brilho dos olhos de uma criança ao abrir um pacote colorido. Mas eles devem ser reservados para momentos especiais, como o Natal e o aniversário. A banalização tira toda a graça das festas.

Exemplos

Se é difícil para as crianças entenderem o significado exato das mensagens transmitidas pelos adultos, é muito fácil repetir atitudes. Um pai que fala muitos palavrões está estimulando os filhos a agirem da mesma forma. Crianças que observam os adultos consumindo fast food, pizzas e congelados em excesso dificilmente vão se interessar por frutas e verduras.

Esfihas, pizzas, hambúrgueres e assemelhados devem ser reservados para uma noite de “família feliz” – a sexta-feira, por exemplo. Eles devem ser transformados em momentos especiais de reunião, uma pausa na rotina. Mas, para a manutenção da boa saúde, as refeições precisam ser coloridas. Uma das funções dos pais é colaborar para o desenvolvimento adequado.

Broncas

Há um ditado que diz: “criança não fica quieta nem quando dorme”. Realmente, os pequenos saudáveis parecem estar em constante ebulição. Às vezes, cometem erros – bater no irmãozinho, arrancar uma planta, judiar do cachorro, etc. (a lista é longa).

Quando eles fazem alguma coisa inadequada, devem ser advertidos. Especialmente os pais, mas os adultos em geral, não podem fingir que não viram a arte praticada. Castigos corporais estão fora de questão, mas a criança precisa entender que fez algo errado, que não pode ser tolerado.

Na hora da bronca, no entanto, é preciso tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar, o adulto deve se abaixar para conversar. Por quê? Imagine uma pessoa com o dobro do seu tamanho aproximando-se de você com um olhar severo.

Não importa a idade. Desde que começam a andar, as crianças devem ser orientadas sobre o que é bom ou ruim. Os pais precisam explicar, com poucas palavras, o que elas fizeram de errado. O tom de voz não pode ser alterado (um grito é assustador).

Depois da explicação, os arteiros precisam ficar de castigo. Uma boa dica é arranjar um canto – o cantinho para pensar (pode ser um banco, um tapetinho, etc.). Como regra geral, o tempo é de um minuto por ano de idade (dez anos, dez minutos). Antes da liberação das crianças, os pais precisam conversar para ter certeza de que elas entenderam o motivo da reprimenda.

Muito cuidado com a chamada bronca emocional. As crianças exibem um comportamento que irrita os pais e eles reagem aos gritos, depois de permitir a arte por algum tempo. Acabam explodindo. O fundamental é reprimir o mal feito logo quando a criança começa a agir – algumas delas fazem isto apenas para testar os limites –, antes de acumular raiva e explodir como um vulcão. Adultos que conseguem desenvolver o autocontrole são muito mais felizes e eficientes na tarefa da educação.

Na hora da bronca, é preciso muito cuidado para não transmitir informações depreciativas. Os pais podem se mostrar desapontados, mas as crianças não devem entender que não são amadas, não são dignas do afeto dos adultos. Este tipo de atitude pode desencadear traumas, que serão levados até a vida adulta e podem gerar sérios problemas emocionais.

No entanto, vamos repetir uma vez mais: crianças estão em fase de aprendizado. Pode parecer óbvio, mas vamos traduzir: elas ainda não sabem. E ninguém aprende de uma vez: as recaídas são comuns e é necessário que os adultos responsáveis tenham muita paciência, até que hábitos saudáveis sejam incorporados ao comportamento diário.

O que falar para as crianças?

Em primeiro lugar, os filhos devem se sentir amados e seguros. É obrigação dos pais transformar a casa em um lar. Pequenos agrados fazem muito bem: uma sobremesa especial, uma fruta cortada em especial, o prato predileto no almoço, etc.

Declarações de amor também fazem parte do cotidiano. É necessário que pai e mãe reforcem o sentimento que nutrem pelas crianças. Ocasiões para um “eu amo você” não faltam no dia a dia. Mas não é necessário banalizar o amor. Quem repete a cada cinco minutos que a criança é “o amorzinho da mamãe” acaba não dizendo nada.

Estimulando os filhos a fazerem pequenas tarefas – como regar um caso, recolher brinquedos e roupas, colocar a louça na pia (para os maiorzinhos), ajudar a preparar uma receita culinária, os adultos estimulam a autonomia, fortalecem a necessidade dos cuidados e podem declarar o amor de muitas formas.

Passeie, desenvolva atividades físicas, reserve um tempo para jogos e brincadeiras em casa. Não deixe as crianças isoladas por muito tempo. Computadores e smartphones são excelentes recursos, mas não podem substituir todas as atividades necessárias ao desenvolvimento infantil.

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