O que são armas químicas e biológicas?

Por: Amaury de Almeida Costa

Armas químicas e biológicas compõem o arsenal mais letal já produzido.

A letalidade de algumas substâncias químicas e biológicas é utilizada pela humanidade como armas há séculos. Flechas envenenadas devem ter sido inventadas na pré-história. Há notícias de que gregos e romanos usavam tochas de piche e enxofre para produzir fumaça asfixiante e também jogavam cadáveres de animais mortos por pestes para contaminar fontes de água. Era comum a introdução de pestosos entre as linhas inimigas e premiavam as famílias desses doentes.

O que são armas químicas e biológicas?

A diferença entre armas químicas e biológicas é que, enquanto as primeiras usam agentes tóxicos inertes, as segundas carregam vírus e bactérias que espalham doenças. No fim do século XIX, na Guerra dos Bôeres (África do Sul), os ingleses desenvolveram um lançador de ácido pícrico. O artefato nunca funcionou, mas deu o início para uma nova corrida armamentista.

O uso em larga escala de produtos químicos teve início na Primeira Guerra Mundial. Os alemães usaram gás mostarda, altamente tóxico, para destruir trincheiras inimigas, tática mais usada neste conflito.

O Tratado de Genebra, em 1925, traçou diretrizes para reduzir o uso destas armas, mas elas ressurgiram na Segunda Guerra Mundial. Milhões de judeus foram mortos pelos nazistas em campos de concentração, com gás cianídrico combinado ao Zyklon B, produto para matar piolhos que se mostrou eficaz nos homicídios em massa, principalmente depois que o complexo passou a ser produzido sem o odor de advertência. As vítimas eram encaminhadas a chuveiros para desinfecção e bombardeadas com o produto.

Durante a Guerra Fria (1945-1989), EUA e URSS desenvolveram armas químicas e biológicas em larga escala. A “vantagem” deste arsenal é que ele mata apenas as pessoas da região bombardeada, deixando intactos os equipamentos e construções.

Na Guerra do Vietnã, os EUA usaram napalm, mistura de gasolina e resina vegetal para bombardear aldeias suspeitas de abrigar inimigos. O napalm adere à pele e provoca queimaduras intensas. Também foi usado o agente laranja, herbicida com alto poder desfolhante, para reduzir as florestas que abrigavam combatentes. O assunto foi esquecido pela comunidade internacional e os EUA nunca sofreram qualquer sanção.

Em 1995, um grupo radical promoveu um atentado no metrô de Tóquio com gás sarin, que pode matar em minutos se inalado, ingerido ou absorvido pelos poros. Em 2002, os EUA usaram a existência de armas químicas para invadir o Iraque. Nada foi encontrado. No ano passado, depois da queda de Muamar Kadhafi, foi encontrada uma fábrica de armas biológicas na Líbia.

Ataques com armas biológicas ocorreram nos EUA, depois da invasão americana no Afeganistão e foram atribuídos ao terrorista Osama Bin Laden, ou ao menos a simpatizantes do grupo Al Qaeda. Quatro pessoas morreram com a inalação da bactéria antraz, enviada em correspondências.

Tratados internacionais proíbem o uso das armas químicas e biológicas, mas a CIA (serviço de inteligência americano) calcula que 20 nações tenham arsenais deste tipo e outros dez estão em vias de produzi-los.

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