Negócios e Finanças

O que são bitcoins?

É um tipo de moeda virtual. As bitcoins foram inspiradas em um manifesto ciberpunk.

Elas prometem revolucionar as formas de fazer pequenos negócios utilizando a internet. As bitcoins podem ser transferidas por qualquer computador, tablet ou smartphone com conexão à internet sem a interferência de uma instituição financeira intermediária – portanto, sem o conhecimento ou intermediação de autoridades monetárias, como o Banco Central do Brasil. Existem modelos semelhantes, como as litecoins e as mastercoins.

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Ao contrário de outras moedas virtuais, as bitcoins não possuem uma casa da moeda; assim, não dependem da confiança de nenhum órgão emissor. Só para lembrar, qualquer país, para emitir dinheiro, precisa ter lastro em depósitos internacionais. Do contrário, gera inflação e muita desconfiança nas relações comerciais entre os países.

No sistema das bitcoins, no entanto, é impossível que qualquer autoridade provoque inflação “emitindo” mais notas. Mesmo assim, o aumento da demanda por esta moeda e grandes movimentações de dinheiro através desta arquitetura computacional podem provocar alterações no câmbio.

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A cotação de uma bitcoin, no momento, é de US$ 800 e já ultrapassou os US$ 880. O norueguês Christopher Koch adquiriu o equivalente a US$ 27 em 2009. Em 2013, seu saldo havia chegado a US$ 886 mil (mais de dois milhões de reais). A especulação, talvez, seja o principal problema desta moeda virtual. Mas a quantidade de bitcoins circulando no mercado é rigorosamente controlada, exatamente para impedir que a cotação desabe.

O sistema adotado é o peer to peer (P2P), uma rede de computadores em que cada nó – cada usuário – funciona ao mesmo tempo como servidor e como cliente. Isto permite o compartilhamento e a transferência de dados – vídeos, músicas, textos e, no caso das bitcoins, de dinheiro. – sem a necessidade de um servidor central (como geralmente ocorre, por exemplo, nas redes sociais, de empresas, universidades e organizações governamentais). A ideia original do P2P era conferir maior velocidade ao armazenamento e poder de processamento.

A moeda “revolucionária”

Economistas afirmam que as bitcoins podem ter vida curta, mas o modelo veio para ficar. Em relato para investidores, o tradicional Bank of America disse: “acreditamos que a moeda possa se transformar em um grande meio de pagamento para o comércio eletrônico, tornando-se uma séria concorrente para os meios tradicionais de transferência eletrônica”. Bem Bernanke, todo-poderoso presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos EUA), fez uma reservada profecia: “talvez as bitcoins sejam uma boa promessa no longo prazo”.

Por outro lado, os governos da China e Tailândia proibiram as bitcoins: sua ampla utilização na chamada “Rota da Seda”, uma série de endereços da deep web para o tráfico de armas e drogas, conferiram um aspecto marginal à moeda, o que vem causando embaraços para o avanço da moeda – e não apenas no Oriente.

As bitcoins surgiram em 2009 e já se tornaram uma das mais famosas moedas da internet protegidas por criptografia para funções básicas de segurança, como evitar que as bitcoins só sejam usadas pelo proprietário e impedir gastos duplos.

O código principal da rede foi desenvolvido por Satoshi Nakamoto, que contou com o suporte de programadores de várias partes do mundo. Até pouco tempo atrás, especulava-se que Nakamoto fosse apenas um pseudônimo (chegou-se a especular que ele era apenas o representante de um grupo financeiro europeu), mas finalmente uma repórter investigativa da revista americana Newsweek desvendou o segredo: o engenheiro é um senhor de 64 anos, dono de uma fortuna de US$ 400 milhões, que vive no Estado da Califórnia (EUA). Uma curiosidade: a palavra “Satoshi”, em japonês, pode ser traduzida por “sábio”.

De fato, as bitcoins atualmente movimentam US$ 500 milhões por dia. As moedas virtuais são um gigantesco império financeiro: se a ideia de Nakamoto era encontrar uma forma de driblar o sistema financeiro convencional, ele certamente conseguiu.

Clientes do sistema

Para utilizar as bitcoins em compras e transações bancárias, é preciso criar uma carteira virtual. Os “correntistas” decidem se preferem baixar um aplicativo ou trabalhar apenas com a internet. Este serviço é gratuito e o pode ser feito através do site (em português) https://blockchain.info/pt/wallet.

O site informa que a criação de uma nova carteira e não há período de carência para recebimentos e pagamentos. Quem já é usuário, pode fazer o login na mesma página (a senha alfanumérica do sistema pode ter até 34 caracteres) e até obter ajuda e suporte através do FAQ. A administradora Block Chain afirma não ser um banco, não cobrar taxas, nem ter acesso ao saldo dos usuários do serviço, que é protegido contra o ataque de hackers. Aliás, as bitcoins podem ficar armazenadas no próprio computador do usuário, seguindo para a internet apenas depois das negociações e compras.

No serviço, as transferências e depósitos bancários e são instantâneos. Este serviço está disponível nos EUA, Inglaterra e em centenas de países (segundo o site). Algumas páginas eletrônicas brasileiras permitem a conversão de bitcoins para reais.

Com a moeda, é possível importar de qualquer país, mas é importante estar atento para as taxas cobradas quando o produto solicitado é entregue pelo correio ou por uma transportadora. De acordo com legislação brasileira, correspondências vindas do exterior podem ser abertas pelas autoridades, sem que isto configure uma violação dos direitos.

Como adquirir bitcoins

A maneira mais simples é fazer negociações com pessoas interessadas. Por exemplo, vendendo um telefone celular ou qualquer outro produto. Bitcoins também são obtidas com a “mineração”: toda transação com esta moeda precisa ser publica na página da Black Chain. Na linguagem virtual, minerar é emprestar a capacidade de processamento do computador pessoal para que o funcionamento da estrutura seja mantido. Também é preciso baixar um software.

Como remuneração pelo uso, são depositadas pequenas frações de bitcoins, os “Satoshi” (unidade básica da moeda, com oito dígitos após a vírgula). Quanto mais potente for o computador, maior será a recompensa. Mas é preciso cuidado: a cotação das bitcoins apresenta varia exageradamente, muito mais do que as moedas emitidas pelas autoridades monetárias dos países.

É possível ainda converter reais em bitcoins em caixas eletrônicos específicos. Várias empresas brasileiras comercializam a moeda no país. A mais famosa delas e a Mercado Bitcoin, que, no início de fevereiro de 2014, anunciou, durante a realização da Campus Party Brasil, a instalação do primeiro caixa de bitcoins na América Latina, em São Paulo.

No Brasil

As bitcoins começam a ganhar espaço no mercado brasileiro. Alguns pequenos estabelecimentos, como oficinas mecânicas, mercados e bares, já aceitam a moeda como forma de pagamento, mesmo que ainda com muita desconfiança. O recebimento imediatamente na conta bancária é um dos atrativos para as novas transações.
Durante a Copa do Mundo, muitos hostels – inclusive os improvisados em residências familiares – passaram a receber pagamentos em bitcoins. O mesmo deve ocorrer nos próximos eventos internacionais que serão realizados no país, em especial, as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

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