O que são células-tronco?

Por: Amaury de Almeida Costa

Também chamadas de estaminais, as células-tronco são células com capacidade de se dividir, gerando células semelhantes.

A divisão de uma célula, gerando duas outras idênticas, é chamada autorreplicação. As células-tronco podem ser:

O que são células tronco?

  •  totipotentes: podem se transformar em todos os tecidos do corpo humano. São encontradas em embriões de três a quatro dias;
  •  multipotentes: só não conseguem formar a placenta e os anexos embrionários. São encontradas a partir da formação do blastocisto, no quinto dia do embrião;
  •  oligopotentes: diferenciam-se em poucos tecidos. São encontradas na placenta e no cordão umbilical;
  •  unipotentes: replicam apenas o tecido original. São as células adultas.

Estas características tornam as células-tronco especialmente importantes. Potencialmente, elas são úteis no tratamento de doenças cardiovasculares, degenerativas, hematológicas, nefrológicas, no diabetes e em traumas na medula.

A terapêutica com células-tronco ainda está em estudos. O principal objetivo é tentar recuperar tecidos, órgãos e membros lesionados ou degenerados por moléstia ou acidente.

Existem três tipos de células-tronco:

  •  embrionárias: são classificadas de acordo com sua capacidade de diferenciação;
  •  mesenquimais: encontradas na estrutura de sustentação das células (principalmente na medula óssea e no tecido adiposo), também têm a capacidade de se transformar em outros tecidos e são usadas para reparar os tecidos ósseo, cartilaginoso, cardíaco, neural e hepático, além de apresentarem capacidade imunossupressora, podendo ser usadas em doenças autoimunes e em caso de rejeição, em transplantes.
  •  adultas: podem dar origem a células do mesmo tecido, o que limita sua aplicação terapêutica.

O uso de células-tronco ainda está em estudos, mas já obteve resultados promissores em tratamentos com animais, inclusive um lobo-guará, que foi atropelado e fraturou uma pata. Com o uso de células-tronco, o tecido regenerou-se completamente. A cirurgia foi realizada no Zoológico de Brasília.

A legislação sobre o uso destas células varia de país para país. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal autorizou o uso das células-tronco em estudos, desde que os embriões estejam armazenados há mais de três anos, sejam considerados inviáveis e haja autorização dos doadores (pais presuntivos). A comercialização do material é considerada crime. Cabe ao Congresso Nacional legislar sobre o uso em prováveis tratamentos médicos.

A Igreja Católica e algumas igrejas evangélicas se opõem ao uso, por considerarem que a destruição de um embrião é um crime. A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) definiu a utilização como “um meio imoral para um bom fim”, portanto, injustificável. O Espiritismo entende que nem todos os embriões são dotados de Espírito ou alma, sendo válida a técnica.

Alguns países adotam legislações mais liberais. Inglaterra, China, Rússia e África do Sul, entre outros, permitem o uso das células-tronco para todos os fins, inclusive clonagem humana.

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