Curiosidades

O que são fantasmas?

Aparições de pessoas ou animais mortos, os fantasmas apavoram muita gente.

Na crença popular, fantasmas são almas ou espíritos de falecidos que podem se apresentar para os vivos, visualmente ou sob outras formas (como a mostra de apenas o rosto, o busto ou mesmo de uma mão). As crenças nas manifestações espirituais são muito antigas, datando do animismo e do início da veneração dos mortos, em culturas pré-históricas.

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Determinadas práticas religiosas são feitas exclusivamente com o objetivo de agradar os mortos, como ritos funerários, exorcismos, evocações e magia. Outros costumes se originaram do medo dos fantasmas: a coroa de flores, por exemplo, homenagem comum nas cerimônias fúnebres, teve origem nestas homenagens; inicialmente, apenas enfeitava-se a sepultura com flores e frutas. Tempos depois, a coroa ganhou o formato circular que, segundo a crença, encerra o morto e impede que ele volte para o mundo dos vivos.

O termo fantasma é secular. Estes seres do além já estiveram presentes na literatura, no teatro, no cinema e até nas revistas em quadrinhos. Penadinho e sua turma, de Maurício de Souza, e Gasparzinho, o Fantasminha Camarada, de Warren Kremer, são alguns exemplos de fantasmas criados para divertir as crianças.

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Muitas histórias afirmam que fantasmas são almas de pessoas que deixaram alguma tarefa por terminar ou pretendem que se faça justiça por eles. É o caso, por exemplo, do pai de Hamlet, peça teatral criada por William Shakespeare. Logo no início, o príncipe se depara com o falecido pai, que conta ter sido envenenado pelo irmão Cláudio, que morreu sem receber a extrema unção (sacramento que franquearia sua entrada no Paraíso). O antigo rei quer vingança e toda a trama se desenvolve em torno deste encontro sobrenatural.

Em geral, são descritos como almas de aparência imaterial ou translúcida, mas há muitas descrições de fantasmas portando objetos pessoais ou condenados a carregar pesadas correntes. Também há relatos de navios, trens e exércitos que não possuem existência real.

Normalmente, os fantasmas aparecem apenas quando as pessoas que eles querem contatar – ou assustar – estão sozinhas, apesar de haver casos de grupos que tiveram visões de mortos. Pessoas que tiveram esta experiência têm dificuldade em relatá-la para parentes e amigos, porque “causos” de fantasmas costumam provocar ceticismo e descrença.

Fantasmas na história

A veneração dos mortos é comum a todos os povos. Em muitas culturas, há diferenciação entre espíritos malignos e benignos, e apenas estes últimos recebem as homenagens, como alimentos e enfeites. O Festival das Almas chinês é uma grande celebração com música, alimentos e bebidas. O mesmo ocorre no México, no Dia de Finados.

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Na Antiguidade, a imagem de um submundo que servia de morada para os mortos provavelmente surgiu no Oriente Médio. Desde a civilização suméria, que floresceu 3.500 anos antes de Cristo, há relatos de fantasmas na Mesopotâmia (atual Iraque). Na Epopeia de Gilgamesh (rei sumério semilendário), há diversos relatos de fantasmas ajudando e atrapalhando nas atividades dos seres humanos.

A crença permaneceu entre as religiões abraâmicas (que deram origem ao Judaísmo). Acreditava-se que os fantasmas eram criados no momento da morte e levavam a memória dos falecidos em seus trajetos por debaixo da terra. Eles assumiam atividades semelhantes às que costumavam realizar enquanto estavam vivos. Os familiares eram obrigados a fazer oferendas de alimentos e bebidas; do contrário, eram castigados com doenças e má sorte.

Na Bíblia, a feiticeira de Endor evoca o fantasma do juiz Samuel, a pedido do rei judeu Saul. A narrativa consta do Segundo Livro de Samuel. A evocação pela necromante, proibida pelas leis mosaicas, custou a Saul o trono e a vida.

Histórias e lendas

Histórias sobre a existência de navios fantasmas, ao menos no Ocidente, começaram a surgir no século XVII. O mais famoso deles é o Holandês Voador. O navio seguia das Índias para a Holanda, onde deveria aportar em Amsterdã.

Ao dobrar o cabo da Boa Esperança (África do Sul), o capitão, bêbado, se recusou a desviar o barco, perigosamente próximo das rochas da costa. Enquanto ondas gigantescas castigavam a embarcação, o capitão cantava músicas e contava piadas obscenas.

Os marinheiros se amotinaram. Ao se recuperar da bebedeira, o capitão matou o líder do motim. Neste momento, o céu teria se aberto e uma voz teria dito: “você é muito teimoso”, ao que o marujo teria respondido: “nunca pedi uma viagem tranquila; caia fora antes que eu mate você também”.

Então, a ira dos céus se acendeu: a voz replicou: “você está condenado a navegar pela eternidade, com uma tripulação morta, levando a morte para todos os que avistarem o seu navio”. Depois disto, muitos viajantes narraram avistamentos do Holandês Voador. Entre eles, o príncipe George de Gales (o rei George VI, falecido em 1952) e seu irmão. Para a maioria dos que viram o navio, o presságio decretado pela lenda se tornou realidade.

É comum ouvir histórias de fantasmas que povoam os castelos medievais ingleses. Algumas destas construções se transformaram em hotéis – e a estada dá direito aos hóspedes a uma aparição pavorosa de mulheres de branco, cavaleiros, rainhas executadas, etc. Mas os fantasmas não se limitam às Ilhas Britânicas: eles estão por toda a parte, especialmente em locais onde houve mortes violentas, homicídios e suicídios, em propriedades urbanas e rurais, e as narrações de suas aparições são bastante comuns em todos os países.

Fantasmas no Brasil

Em terras tupiniquins não faltam fantasmas e vamos contar algumas aqui. Consta que o fundador de Rio Branco (Acre), Neutel Maia, aparece regularmente por lá. A cidade foi fundada em 1882 e os desbravadores acampavam junto a uma gameleira.

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Depois de sua morte, a árvore de mais de 20 metros de altura parece ser o local predileto do fantasma. Diversas pessoas já relataram suas aparições. A gameleira é tão importante para os acreanos que, em 1981, passou a ser considerada monumento histórico.

No fim do século XIX, um barco naufragou no Pantanal Mato-Grossense, na baía de Chacororé, o maior lago da região, com mais de dez quilômetros de extensão. Desde então, nas noites de Lua Cheia, moradores do local dizem avistar a embarcação, que navega por alguns instantes, para em seguida desaparecer misteriosamente. Alguns chegam a afirmar que ouvem o barulho do maquinário, as vozes e os risos dos tripulantes.

Na época do Brasil-Colônia, Teresa Bicuda morava em Jaraguá, Goiás. Não era exatamente o que se pode chamar de boa pessoa: não frequentava a igreja (e quando passava em frente a uma virava o rosto) e trabalhava aos domingos, uma verdadeira ofensa às beatas da época. Além disto, maltratava a mãe: batia nela, obrigava-a a mendigar pelas ruas da vila e, certo dia, pôs um freio de cavalo na boca da genitora, montou-a e cavalgou diante do povo de Jaraguá.

Foi demais para a velhinha, que não resistiu, mas, antes de morrer, rogou uma maldição contra a filha. Tempos depois, Teresa morreu.

Era costume enterrar os corpos nos terrenos das igrejas e Teresa foi para o adro da Capelinha do Rosário. Mas o fantasma não ficou lá: nas madrugadas, percorria as ruas da vila gritando desesperada. Das suas roupas, caíam línguas de fogo, que queimavam a grama e animais desavisados.

A população não aguentou mais. Certo dia, os homens da vila tomaram o corpo de Teresa, já em processo de decomposição, levaram-no para um monte na serra de Jaraguá e precipitaram-no do alto. No momento da queda, sentiu-se um forte cheiro de enxofre (o cheiro do inferno, de acordo com a tradição popular). Teresa não apareceu mais.

Ana Jansen viveu e morreu em São Luís, Maranhão. Casada duas vezes, viúva duas vezes, teve 12 filhos, nem todos de seus maridos, fato que escandalizava a sociedade do final do século XIX. Comerciante muito influente na cidade (fato raro entre as mulheres da época), ela possuía muitos escravos, a quem tratava com imensa crueldade, inclusive com torturas – que quase sempre culminavam com a morte das suas vítimas.

Quando morreu, com mais de 80 anos, em seu casarão na praia Grande, Ana não descansou em paz. Nas noites de sexta-feira, ela continua assombrando a população da cidade. O fantasma desfila pelas ruas em uma carruagem puxada por cavalos sem cabeça e guiada por um esqueleto decapitado. O fantasma quer orações pela sua salvação e atormenta a vida dos que negam o pedido.

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