O que são gueixas?

Por: Amaury de Almeida Costa

Gueixas são mulheres que recebem conceitos aprofundados de música, dança e canto.

Gueixa, em japonês, significa pessoas treinadas em artes. As mulheres que se dedicam a esta tradição têm como objetivo a sedução e caracterizam-se por roupas, penteado e maquiagem especiais. Ao contrário do imaginário popular do Ocidente, as gueixas não são prostitutas.

O que são gueixas?

Elas podem flertar com os clientes de um bar ou restaurante, mas os homens sabem que este jogo não vai ultrapassar determinados limites. É uma tradição milenar, cuja origem se perde no tempo, muito popular no Japão. As gueixas utilizam técnicas muito semelhantes às kisaeng coreanas.

Atualmente, o número de gueixas tem se reduzido, mas a prática continua acontecendo em diversos locais. As aprendizes são chamadas maikô e o mundo em que vivem estas belas mulheres é o karyukai (literalmente, flor do salgueiro). As gueixas, como o salgueiro, são graciosas, flexíveis e fortes.

O treinamento é feito em escolas chamadas okyia, que também são ambientes de lazer. A maior parte dos rendimentos obtidos com o canto e a dança é revertida para a okyia, mas não se trata de exploração, como se pode pensar à primeira vista.

Gueixas aposentadas vivem nas okyia, além das empregadas responsáveis pela conservação e manutenção (não é permitida a presença regular de homens). O faturamento é utilizado para cobrir estas despesas, e também para a compra de cosméticos e roupas.

A formação das gueixas

Tradicionalmente, as candidatas são entregues às okyia ainda muito jovens (durante vários séculos, ocorreu a compra de meninas para o treinamento). Quando chegam, elas se tornam responsáveis pelas tarefas domésticas. Conta-se que estas tarefas designadas para as shikomi (o primeiro estágio das maikô) eram propositadamente dificultados, como um marco de diferenciação para a nova vida. Atualmente, esta prática ainda persiste, mas restrita às aulas de canto e dança, além do ensino do dialeto tradicional japonês, à cultura e ao vestuário do mundo das gueixas.

Quando se completa o primeiro estágio – e verificado o aproveitamento e desenvolvimento dos dons artísticos da shikomi –, as aprendizes tornam-se minarai (estágio de cerca de um mês), ficam dispensadas do serviço doméstico e podem exibir-se fora da okyia, sempre acompanhadas de uma gueixa mais bem treinada, que se torna sua onee-san: sua irmã mais velha.

As minarai podem trabalhar em casas de chá e restaurantes, mas nunca são convidadas quando sua onee-san é destacada para o evento. Mesmo assim, são bem-vindas, se chegarem ao local. É difícil para um ocidental perceber, mas os quimonos e maquiagem das aprendizes são bem menos elaborados e pouco atraem os olhares dos homens.

As gueixas na atualidade

As gueixas modernas continuam morando nas okyia, mas, com o crescimento das cidades, elas foram divididas em distritos chamados hanamachi (cidade de flor), de acordo com a sua procedência. Atualmente, as aprendizes são admitidas após completar o equivalente ao ensino fundamental brasileiro. Vivendo no hanamachi, as alunas precisam manter boa conduta, para não prejudicar a reputação do distrito.

As gueixas aprender a tocar instrumentos como o shamisen (uma espécie de viola de três cordas), shakunashi (flauta) e diversos tambores. Canções e danças tradicionais japonesas, a cerimônia do chá – um rito fundamental entre os japoneses – e literatura completam o currículo do curso.

Kyoto é considerada a capital da tradição de gueixas no Japão. O número de mulheres que se dedica a esta prática, no entanto, vem caindo ano a ano. Um século atrás, havia mais de 80 mil gueixas no Japão. Não existem estatísticas oficiais, mas calcula que há apenas 1.000 ou 2.000 mil gueixas no país.

As gueixas são contratadas por período determinado. O pagamento é definido de acordo com a queima de hastes de incenso, como o senkodai (taxa de pau) ou gyokudai (taxa de joia). A cada incenso queimado, aumenta a remuneração das gueixas.

Solteiras ou casadas?

Espera-se que uma gueixa seja solteira. As que decidem se casar precisam abandonar a profissão. Ainda existe a figura, no Japão, do danna, um patrono que banca as despesas da gueixa, geralmente casado e de bom nível socioeconômico. No passado, tornar-se danna era um sinal de status social.

Apesar de não haver conotação sexual nas atividades das gueixas, muitas delas se envolvem emocionalmente com seus clientes e danna. Quando isto acontece, surgem as atatori (sucessoras), as filhas das gueixas, que tradicionalmente são destinadas à mesma profissão da mãe.

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