Ecologia e Meio Ambiente

O que são tempestades de areia?

Elas surgem quando a umidade relativa do ar permite a suspensão de partículas. Saiba mais sobre as tempestades de areia.

Tempestades de areia são um dos tipos de litometeoros, fenômenos atmosféricos que resultam do transporte de material sólido. São três tipos: de fumaça (quando partículas em combustam se elevam), de poeira (partículas finas de terra e areia, que conferem aparência amarelada) e de névoa seca (partículas sólidas, que conferem aparência avermelhada).

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Em qualquer destas situações, a visibilidade fica mais ou menos prejudicada. Em um voo, por exemplo, só é possível enxergar objetos a menos de cinco mil metros de distância. Na superfície, quando a visibilidade fica entre 1,5 e dez quilômetros, diz-se que há formação de poeira; as tempestades propriamente ditas só ocorrem quando a visibilidade cai abaixo de 1,5 quilômetro.
Tempestades de areia (também chamadas de poeira) surgem quando a areia é carregada a alturas elevadas por ventos turbulentos e fortes. Em alguns casos, surgem redemoinhos de vento; em outros, deslocam a poeira, formando uma camada parecida com um nevoeiro. Elas só se formam quando a umidade relativa do ar fica abaixo dos 80%.

As tempestades de areia são comuns em regiões de dunas. Ocorrem principalmente no deserto do Saara (norte da África), Oriente Médio, Patagônia, região das grandes planícies americanas (centro-sul do país), Austrália e Ásia Central. Em algumas regiões, elas são chamadas de “dust devils” (demônios de areia, em inglês). Elas podem ocorrer em qualquer região de clima árido ou semiárido.

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De acordo com a intensidade, estes fenômenos podem provocar mortes, ferimentos e danos a propriedades. Além disto, alteram constantemente a paisagem, dificultando o estabelecimento de rotas seguras nos locais mais afetados.

Como surgem?

A maioria das tempestades de areia ocorre naturalmente, com o aquecimento da superfície, algumas horas depois do amanhecer. No Saara, por exemplo, a temperatura perto do solo sobe dos 30°C às 8h para 55°C ao meio-dia. Esta elevação rompe a camada de ar frio das primeiras horas do dia (no deserto, de madrugada, a temperatura cai para 5°C negativos) e gera ventos de até 100 km/h.

É imensa a quantidade de sedimentos que estes ventos podem deslocar. Calcula-se que eles carregam 260 milhões de toneladas de areia apenas no deserto do Saara. Deste total, 35 milhões se depositam no oceano Atlântico. A força das tempestades de areia que as rajadas carregam grãos até Cabo Verde, arquipélago situado a 640 quilômetros do litoral africano.

A poeira fina vai ainda mais longe: ela consegue cruzar o Atlântico e chegar à América. O problema é que, junto com ela, viajam bactérias e fungos que podem eventualmente prejudicar a agricultura e os ecossistemas locais.

Apesar de serem fenômenos naturais identificados há milênios, as tempestades de areia podem se tornar mais frequentes em função da ação do homem. O desmatamento e a degradação do solo ajudam a ampliar as áreas cobertas pela areia. O problema é bastante visível no oeste da China, onde os fortes ventos fazem a areia avançar três mil quilômetros anuais. Existe a ameaça real de soterramento de mais de 20 cidades e aldeias e 30 mil quilômetros de rodovias em poucas décadas.

Como sobreviver a elas

Em primeiro lugar, é preciso ficar atento aos sinais das tempestades de areia. Quando as condições atmosféricas (elevação súbita da temperatura, baixa umidade do ar, etc.) são propícias, é quase certo que elas começarão a se formar. Nos países mais afetados, os anúncios em rodovias são bastante comuns. Quem viaja por estes locais deve ficar sintonizado com uma rádio local. A previsão do tempo é mais do que necessária.

Durante os passeios, é preciso equipar-se com óculos escuros fechados para proteger os olhos e máscaras especiais (que filtram até as partículas mais finas). As roupas devem cobrir o corpo todo (para se proteger da abrasão da areia) e um boné ou chapéu ajuda a proteger a cabeça e diminuir o risco de desidratação. Seja como for, uma garrafinha d’água é um item obrigatório, tanto para beber como para umedecer a área dos olhos e da boca. Vaselina é útil para que as narinas não fiquem ressecadas.

As tempestades de areia são visíveis a grandes distâncias. Algumas viajam a até 120 km/h, mas a maioria é bem mais lenta. Assim, se estiver de carro, é possível fugir delas, mas, se for alcançado, o melhor a fazer é parar o carro (com todas as janelas fechadas e o freio de mão puxado): no solo, a visibilidade vai se reduzir a zero em questão de segundos.

Apague as luzes e lanternas: se estiverem acesas, outros motoristas podem tentar segui-lo, o que é certeza de um engavetamento. Se não puder sair da estrada com segurança, trafegue lentamente, buzinando às vezes para sinalizar que você está lá. Use a linha do centro da rodovia como guia.

Se conseguir alcançar uma estrutura resistente, entre e espere a tempestade de areia passar. Se o local estiver vazio, observe se há portas ou janelas abertas. Ao ar livre, encontre um local mais alto: a maior parte da areia se concentra próximo ao solo. Procure um paredão rochoso e encoste-se a ele; é uma proteção parcial, mas é sempre uma proteção. Esqueça grutas e cavernas profundas: podem ocorrer inundações, mesmo que não esteja chovendo: as tempestades de areia conseguem causar alterações nos cursos d’água.

Se o passeio for pelo norte africano ou pelo Oriente Médio e você estiver montado em um camelo ou dromedário, faça-o sentar-se e permaneça junto dele. Estes animais estão bem adaptados e conseguem sobreviver aos fenômenos com relativa tranquilidade.

Em regiões de dunas, é preciso afastar-se rapidamente. Elas alteram a sua formação rapidamente e podem enterrar uma pessoa na areia em muito pouco tempo. Por fim, proteja-se de objetos carregados pelos ventos: alguns deles podem ser bem pesados e causar danos.

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